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Marechal

Lá vem ela… a segunda Páscoa da pandemia

calendar_month 23 de março de 2021
6 min de leitura

Em outros tempos, corredores de supermercados cheios de ovos de Páscoa. Atualmente, espaços menores para eles. Ainda assim, os produtos alusivos ao feriado que celebra a ressurreição de Jesus estão a postos, esperando pelos consumidores.

No ano passado, a data ficou próxima do início da implementação das medidas de quarentena e de distanciamento social no Brasil, após o surgimento dos primeiros casos de coronavírus no país, o que teve um impacto considerável nas vendas.

Neste ano, a expectativa é mais otimista. De acordo com empresários e gerentes de supermercados de Marechal Cândido Rondon, a segunda Páscoa da pandemia promete ser melhor que a anterior, senão em vendas, em organização, haja vista que existe um período semelhante para se espelhar.

“Nas negociações de 2021 com as indústrias, a falta de insumos para a produção gerou rupturas nas compras de algumas marcas. Ao contrário de 2020, quando tudo estava praticamente pronto para a Páscoa e todos da indústria e varejo foram pegos de surpresa com o início da pandemia. Perdemos cerca de 20% das vendas em 2020 comparando com 2019”, lembra o gerente de varejo do Supermercado Copagril, Jaroslav Bradacz Neto.

Apesar do “baque” do ano passado, as projeções para esta Páscoa são boas. “Estamos otimistas e trabalhamos com projeção de crescimento de 10% comparado a 2020”, projeta.

Gerente de varejo do Supermercado Copagril, Jaroslav Bradacz Neto: “Aumentou o interesse pela pesquisa de preços antes de efetuar a compra de Páscoa” (Foto: Divulgação)

 

PESQUISA DE PREÇO

Seja em barras, bombons, ovos ou coelhos, o chocolate segue liderando as compras de Páscoa. “O consumidor ainda tem o chocolate como item principal neste período. Ele não deixará de comprar os produtos de Páscoa, mas infelizmente, com o avanço da pandemia e sem prazo para normalização, as famílias ainda estão cautelosas com os gastos da casa”, observa o gerente de varejo.

Para ele, atualmente o consumidor avalia melhor as suas compras. “Aumenta o interesse pela pesquisa de preços, antes de efetuar a compra de Páscoa”, pontua.

 

REAJUSTE NA MATÉRIA-PRIMA

Bradacz Neto diz que o supermercado Copagril investiu 15% a mais na compra de produtos pascoais, se comparado com 2020. “As indústrias investem em tamanhos e tipos diversos de ovos, inovando todos os anos com novos brinquedos que atraem crianças de todas as idades. A maioria das matérias-primas sofreram reajustes, principalmente pela alta do dólar, então os produtos tiveram alta de 8% em média comparado ao ano passado”, mensura, acrescentando: “Acreditamos que pelo preço, bombons e chocolates em barra devem surpreender positivamente este ano”.

 

MELHOR PREPARADOS

O empresário Robison Janke, da Chocolataria Gramado, em Marechal Rondon, também está mais confiante com as vendas neste ano. “Em 2020 todos os produtos pascoais estavam na loja, prontos para serem comercializados, e tivemos que fechar o comércio por causa da pandemia. Fizemos parcerias para desová-los, mas ainda assim a Páscoa nos rendeu um prejuízo muito grande. Neste ano, a pandemia persiste, mas o comércio está aberto e apostamos alto. Esperamos uma Páscoa melhor que a do ano passado”, ressalta.

As vendas, conforme Janke, acontecem especialmente por parte dos consumidores dispostos a presentear. “Estamos em um momento delicado, sem visitas e abraços. O ovo e o coelho de Páscoa de chocolate são um gesto de carinho”, enaltece.

Robison Janke, da Chocolataria Gramado: “Devido a distância entre Marechal Rondon e Gramado, no Rio Grande do Sul, o que mais pesa no preço dos produtos é a questão logística, que saltou de 5% para 10% do valor do produto. Ou seja, dobrou” (Foto: O Presente)

 

“PESO” DO FRETE

O investimento na Páscoa de 2021, menciona o empresário, foi pensado a partir de uma média dos anos anteriores, excluindo 2020. “Mantivemos as quatro indústrias de Gramado com que trabalhamos. Devido a distância entre Marechal Rondon e Gramado, no Rio Grande do Sul, o que mais pesa no preço dos produtos é a questão logística, que saltou de 5% para 10% do valor do produto. Ou seja, dobrou”, salienta.

 

PREÇOS MANTIDOS

Apesar do aumento com o transporte, o rondonense comenta que foi possível renegociar os preços a partir de parcerias com as indústrias. “O chocolate aumentou consideravelmente, mas não tanto quanto outros produtos. O ovo de Páscoa que mais vendemos na loja no ano passado, tradicional ao leite de 180 gramas, estava a R$ 29,90 e conseguimos manter o mesmo preço neste ano a partir de negociações. O mesmo caso aconteceu com o ovo maior, de 680 gramas, que se manteve em R$ 99,90”, compara.

Segundo ele, as alterações de preço aconteceram nos produtos com maior valor agregado. “Ovos trufados, com drágea, por exemplo, tiveram um pequeno aumento no percentual, mas se comparado ao mercado em geral não foi um aumento significativo”, expõe, ampliando: “Se fôssemos seguir o preço da inflação no chocolate, o aumento seria de 20% a 25%”.

 

“SEGURANDO AS PONTAS”

Mesmo com os preços semelhantes aos do ano passado, Janke reconhece que as famílias devem pesar as compras de Páscoa. “Os gastos devem ser menores, porque o medo de gastar é grande, mas acredito que vão investir em produtos de qualidade”, opina.

 

CORREDORES MENOS RECHEADOS

De olho na preferência do consumidor, o Supermercado Cercar foi um dos que optou por menos ovos e mais chocolates variados. “Esperamos que as vendas cresçam de 5% a 10% nesta Páscoa. Temos menos ovos, mas investimos em bombons e outros chocolates. Além de preços menores, essas alternativas seguem com mais procura do público”, aponta o gerente de compras da Cercar, Darci Diesel.

Segundo ele, a menor presença dos ovos de chocolate é uma espécie de reação em cadeia. “As indústrias também não têm tantos produtos para vender. A Lacta manteve o nível do ano passado, mas Nestlé e Arcor diminuíram a produção; outras até pararam por completo”, detalha.

O preço do chocolate, menciona, acompanhou a subida de preço de outros itens. “Os ovos conseguiram se manter, com reajuste de 5% a 8%”, informa.

Gerente de compras do Supermercado Cercar, Darci Diesel: “As indústrias também não têm tantos produtos para vender. A Lacta manteve o nível do ano passado, mas Nestlé e Arcor diminuíram a produção; outras até pararam por completo” (Foto: O Presente)

 

MENOR EMPOLGAÇÃO

Na opinião de Diesel, o que segue movimentando a época do coelhinho ainda são os presentes. “O pessoal não é mais tão empolgado. Compra para presentear, principalmente crianças pequenas, namorados, mas não há grandes investimentos”, observa.

O gerente de compras destaca que o menor poder de compra dos cidadãos afeta todos os âmbitos do consumo. “O assalariado ganha ‘x’ valor e não teve aumento. Há produtos, como a carne, que dobraram o preço. As pessoas compram para presentes, mas ficam atentas aos preços mais baratos”, salienta.

Preço dos chocolates subiu menos se comparado aos demais produtos do mercado (Foto: O Presente)

 

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