As medidas anunciadas como forma de prevenção ao avanço do novo coronavírus no país têm dado o que falar nos últimos dias.
Com a divulgação do decreto de autoria do Poder Executivo de Marechal Cândido Rondon nesta semana muita coisa mudou e outras tantas ainda irão mudar a rotina do município. O mesmo acontece com outras cidades paranaenses, a partir do decreto emitido ontem (19) pelo Governo do Estado o qual determina o fechamento de shopping centers e estabelecimentos congêneres, além de academias e centros de ginástica, assim como recomenda a restaurantes, bares e centros/polos gastronômicos o fechamento até a meia-noite.
Entre os questionamentos feitos por autoridades, lideranças, empresários e cidadãos estão os efeitos que serão enfrentados daqui para frente em virtude das consequências da pandemia da doença e o impacto que elas trarão à economia dos municípios brasileiros.
Algumas cidades da região já começaram a anunciar o fechamento parcial dos comércios ou de restrições no funcionamento deles, caso de Cascavel e Foz do Iguaçu.
Diante de tantas notícias nestes moldes e de um cenário de incertezas, muitos moradores começam a ficar preocupados em termos de demissões, dificuldades financeiras, atrasos de pagamentos, fechamento de empresas e indústrias e assim por diante.
CONSCIENTIZAÇÃO
Para o prefeito Marcio Rauber, conforme destacado em entrevista coletiva à imprensa nesta semana, o mais importante neste momento é a conscientização de todos em termos de prevenção para o enfrentamento ao novo coronavírus. “Se houver conscientização vamos minimizar os impactos que não desejamos. Ao invés de disseminar vírus, vamos disseminar bom senso, otimismo e boas práticas para que consigamos uma curva alongada. Isso salvará vidas”, declarou, referindo-se à saúde das pessoas.
Rauber também salientou que a jornada de trabalho dos servidores públicos fica reduzida, com a criação de dois turnos de quatro horas e distribuição das equipes. “Devemos ter calma e paciência, pois a situação na cidade hoje é normal e se agrava mais ou menos dependendo do comportamento da população”, enalteceu.
No que tange à reposição de produtos, o prefeito declarou que uma das preocupações é que faltem itens, pois as indústrias não vão produzir sem demanda. “É preciso bom senso para evitar o desperdício”, frisa.
O mandatário destacou que o problema enfrentado é grave. “Contudo, as medidas (anunciadas pelo governo municipal) não são drásticas. As empresas terão prejuízos, o município também, o Brasil e o mundo. Se um funcionário se contaminar, trabalhar e encostar em outro aí pode transmitir e a indústria parar. Tenho que tomar a decisão que favoreça e venha ao interesse e proteção do todo. É preciso ter sensibilidade”, evidencia.

Presidente da Acimacar, Ricardo Leites: “É possível que o comércio rondonense receba um incremento em termos de venda de mercadorias (com o fechamento das fronteiras com a Argentina e o Paraguai). Porém, com a preocupação de todos com o coronavírus, isso não será notado logo” (Foto: O Presente)
EFEITOS INÉDITOS
No entendimento do presidente da Associação Comercial e Empresarial de Marechal Rondon (Acimacar), Ricardo Leites de Oliveira, os efeitos que o coronavírus tem trazido são inéditos. “Hoje (ontem, dia 19) é um dia bem tenso. Vários presidentes de associações comerciais da região trocam ideias tentando entender o que vai e o que não vai acontecer em virtude dessa crise ocasionada pelo coronavírus”, declarou ao O Presente.
As consequências em função do avanço da doença, segundo ele, têm afetado o turismo da região, por exemplo. “Hotéis quase zero de ocupação e Marechal Rondon também está passando por isso. Sabemos que muitas empresas estão encerrando ou diminuindo suas atividades por medo da propagação do coronavírus. Porém, a gente sabe que é algo mundial e não por descaso do município ou Estado, então não há muito o que fazer. Temos, sim, que nos ajudar para que esta doença não se alastre mais”, sugere Leites.
O empresário reconhece a preocupação do comércio rondonense. “Será que as empresas locais terão que fechar as portas momentaneamente? Não sabemos! O Estado de Santa Catarina já fechou, algumas cidades do Paraná também fecharam seus comércios, São Paulo e Rio de Janeiro também. Todos com o propósito de evitar o alastramento do vírus no país”, pontua.
Na opinião do presidente da Acimacar, será um efeito cascata. “Acredito que deve ocorrer o fechamento de empresas, mas não sabemos como serão os reflexos disso. Até aqui, o nível de desemprego é baixo no município devido ao coronavírus. “Com os decretos municipal e estadual suspendendo as aulas algumas empresas podem dar férias aos seus funcionários para que estes cuidem de seus filhos”, exemplifica.
Todavia, acredita Leites, com o fechamento das fronteiras com a Argentina e o Paraguai e a alta do dólar é possível que o comércio rondonense receba um incremento em termos de venda de mercadorias. “Porém, com a preocupação de todos devido ao coronavírus isso não será notado logo”, frisa.
RECUPERAÇÃO
O presidente da Acimacar comenta que o pico da doença não atingiu a região, contudo os governos buscam se preparar antecipadamente para os possíveis casos que devem ser confirmados. “Por ora ainda não sabemos se haverá de fato fechamento do comércio. Vamos ter de esperar uma ou duas semanas para ver o que vai desenrolar. No futuro haverá retomada na economia”, acredita. “Algumas empresas estão fechando suas portas, pois as pessoas podem trabalhar de casa. Acreditamos que isso vai durar um período longo, no entanto torcemos para que na nossa região não tenhamos muitas pessoas infectadas e nenhuma morte. Haverá prejuízos financeiros, mas as vidas perdidas (se isso ocorrer) serão o maior prejuízo”, salienta.

Presidente do Sindicato Rural, Edio Chapla: “As produções de leite, de suínos e de aves devem seguir dentro da rotina normal, uma vez que acreditamos na tomada das medidas cabíveis por parte das empresas. Queremos que a atividade produtiva prossiga” (Foto: Arquivo/OP)
DIMINUIR DANOS
Conforme o presidente do Sindicato Rural Patronal, Edio Chapla, a preocupação também é grande no setor agropecuário. “Tomamos algumas medidas para que o produtor rural traga documentos para declarar imposto e outras questões o mais rápido possível e procure o sindicato em caso de serviços inadiáveis”, menciona.
Em relação à possibilidade de fechamento do Sindicato momentaneamente, Chapla diz que o momento é de aguardar. “Vamos esperar até segunda (23) ou terça-feira (24). Pedimos ao agricultor para que evite vir na cidade e se tiver idoso a sugestão é de que os assuntos sejam resolvidos por algum membro da família que não esteja na faixa de risco, sensível a essa pandemia”, orienta.
No que tange à cadeia produtiva, o presidente do Sindicato Rural orienta os agricultores a se manterem cautelosos. “As produções de leite, de suínos e de aves devem seguir dentro da rotina normal, uma vez que acreditamos na tomada das medidas cabíveis por parte das empresas. Os cursos em nível estadual estão suspensos, bem como o deslocamento de funcionários do sindicato a outras regiões. Adotamos medidas para evitar prejuízos e não criar pânico para que a atividade na cadeia produtiva prossiga”, ressalta.
O Presente