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Marechal

Locutor de sucesso, Délcio Luiz Parada está há 34 anos no ar com o “Time das Panelas”

calendar_month 20 de fevereiro de 2020
6 min de leitura

Com 35 anos dedicados às telecomunicações, Délcio Luiz Parada, de 57 anos, tem uma longa trajetória como voz ativa nas ondas da amplitude moderada de Marechal Cândido Rondon. Ele é locutor do “Time das Panelas”, na emissora Educadora AM, um dos programas mais populares entre os moradores da região.

“O Time das Panelas tem 34 anos de existência. Ele não foi criado por mim, mas, sim, por José Carlos Machado Pedreira, conhecido como Zé Coió. Ele teve a ideia, pensou no formato e começou a apresentá-lo. No primeiro ano, eu somente fazia alguns quadros. O fato é que o Zé tinha muitos projetos próprios, acabou abandonando a emissora para tentar a vida política e logo mais saiu do município. Assim, quando ele se ausentou, eu assumi, no final de 1986”, rememora Délcio.

Ele recorda que no início o programa era de apenas duas horas, mas que o sucesso foi tanto que a emissora optou por estendê-lo. “Hoje nosso programa inicia às 08 horas e segue até 11h45. Não é tão fácil quanto parece manter um programa que dura quase quatro horas. Contudo, a ascensão da audiência e a procura dos anunciantes o fizeram prosperar. É claro que o público é parte essencial, mas também é preciso que haja boas vendas, como sempre tivemos”, pontua o radialista.

Délcio Luiz Parada, locutor do “Time das Panelas”: “Não é tão fácil quanto parece manter um programa que dura quase quatro horas. Contudo, a ascensão da audiência e a procura dos anunciantes o fizeram prosperar. É claro que o público é parte essencial” (Foto: O Presente)

 

OUVINTES

O nome do programa, lembra Délcio, faz referência aos ouvintes principais do entretenimento matinal. “Antigamente era assim e até hoje se mantém: nossos principais ouvintes são mulheres e senhoras que estão em suas casas preparando o almoço. Por isso, somos o Time das Panelas. O ouvinte é a razão do programa existir, então, nada mais justo que o nome seja em homenagem a ele”, destaca.

Nesse sentido, muitas são as famílias fidelizadas ao matinal que já se tornou tradicional entremeio aos amantes do rádio. “Temos vovôs, vovós, pais, mães e filhos nos ouvindo diariamente. Há uma rotatividade e aqueles que nos ouviam quando crianças agora têm seus filhos e estes também escutam o programa”, expõe, enaltecendo que a audiência é mantida de geração em geração.

Fator de união entre público e locutor, Délcio afirma que a interação é muito rica. “Outrora nós lidávamos com linhas fixas e hoje elas estão abandonadas, não se ouve mais tocar. Agora, vemos o celular recebendo mensagens a todo momento, não mais o telefone. Fato é que o WhatsApp foi e ainda é uma ‘mão na roda’ para a aproximação. O programa ganhou mais vida”, entende.

Segundo Délcio, essa interação facilitada possibilita maior fluidez e realidade nas comunicações. “Logo cedo, às vezes, nos ligam alguns produtores que já estão trabalhando. Eles passam seu recado, mandam seu abraço e podemos ouvir o barulho do leite sendo ordenhado ou das vacas na estrebaria. Não há mais distâncias”, evidencia.

 

LIGAÇÃO ENTRE NAÇÕES

O locutor das manhãs recorda que tempos atrás, antes dos diversos meios de comunicação utilizados hoje, o rádio foi a principal maneira de receber informações. “A Rádio Educadora foi por muito tempo elo entre brasileiros e paraguaios. Por meio dos programas da grade os moradores do outro país tinham contato com os mais variados Estados brasileiros e assim se situavam sobre os acontecimentos”, menciona, acrescentando: “Nessa época, os telefones fixos eram utilizados e as pessoas entravam ao vivo por meio dele e contavam histórias, pediam músicas e mandavam recados”.

Fruto desse diálogo é Ceni Vanelli Parada, esposa de Délcio há 30 anos. “Ela me ouvia no rádio antes de me conhecer pessoalmente. Um dia eu fui até o Paraguai jogar bola e a vi, mas não conversamos. Somente tempos depois, andando pelas ruas de Marechal Rondon, nos falamos e fomos nos conhecendo mais. Hoje temos três filhos juntos e posso afirmar que a rádio foi uma ponte para essa união”, emociona-se.

O rondonense recorda que estava trabalhando quando seu filho mais novo nasceu. “Eu recebi a notícia ao vivo, junto com os meus ouvintes. É claro que cada filho é especial, mas naquele momento o Otávio me fez pai pela primeira vez. Os ouvintes compartilharam comigo a emoção e logo após passaram a sugerir nomes para ele. Saíram sugestões como Sebastião, Bastiãozinho”, conta.

Mas não só de boas memórias vive o radialista. Segundo ele, alguns episódios ficaram marcados de forma triste. “Certa manhã, chegou até meu estúdio um senhor junto de um menino de cerca de 11 anos de idade. Eles eram do Paraguai, de origem simples e sem muitos recursos. O menino havia sido picado por uma cobra urutu e precisava ser encaminhado até Toledo. Eles vieram pedir auxílio e conseguiram. Passou uma semana e eles retornaram à emissora: o menino estava sem o braço, pois teve de amputá-lo. Foi muito marcante, a família dependia desse meio de comunicação e essa tragédia acabou acontecendo”, lamenta.

 

O PROGRAMA

Para manter o pique e a manhã movimentada, o Time das Panelas conta com alguns quadros ao decorrer da programação. O “Correio Sentimental”, segundo Délcio, é o momento em que as pessoas interessadas enviam correspondências à procura de companheiros ou companheiras. “Existem muitos casais unidos em nosso município por meio dessa ferramenta. Inclusive, conheço um casal que está há mais de 20 anos casado”, testemunha.

Por volta das 11 horas acontece o “Momento de fé”. “As pessoas entram em contato conosco pedindo orações, contando testemunhos, problemas que estão passando e outras coisas. Os ouvintes se unem uns com os outros por meio da oração. A união é que fará com que as preces sejam atendidas”, salienta o radialista, acrescentando que logo após acontece o quadro “Troca-Troca”, momento de negociações. “É um verdadeiro show de variedade e, como dizem, ‘em time que está ganhando não se mexe”, salienta.

No que se refere às músicas, o comunicador garante que é o público quem cria a trilha sonora. “Tocamos de tudo, bandinha, gospel, internacional ou moda sertaneja. A audiência é variada e as canções também devem ser”, pontua.

De acordo com Délcio, o improviso é parte do seu estilo. “Alguns comunicadores iniciam os seus programas sempre com a mesma fala. Eu prefiro variar e usar da improvisação”, declara.

 

MISSÃO CUMPRIDA

Para o radialista, sua missão já está cumprida. “Sempre pensei em seguir com o programa até 30 anos. Já se passaram três décadas e quase metade de outra e sigo aqui. Continuarei até quando Deus me permitir”, enfatiza. “Algumas vezes nós não estamos em um dia bom, é natural, faz parte, mas o importante é levar coisas boas e positivas por meio da rádio, fazer a diferença na vida das pessoas. Como diz o ditado ‘onde existe um rádio não há solidão’, e nós acompanhamos essas pessoas. Isso é muito gratificante”, avalia.

 

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