Marechal Otimismo

Lojistas rondonenses apostam no Dia dos Pais para alavancar vendas

Como a data é comemorada na primeira quinzena do mês de agosto, período em que os consumidores recebem seus salários, comerciantes estão com ótimas expectativas. Queima de estoque, condições de parcelamento, flexibilização de prazos, promoções e descontos são algumas das estratégias que eles vão utilizar para fomentar os negócios (Foto: Divulgação)

Depois de passar pelos dias mais frios de julho de portas fechadas devido ao decreto estadual, o comércio de Marechal Cândido Rondon tem pela frente uma data importante e que sempre alavanca as vendas: o Dia dos Pais, que neste ano será comemorado em 09 de agosto. A expectativa dos empresários é superar o Dia das Mães, que não foi tão lucrativo quanto nos outros anos.

A vice-presidente do Comércio da Associação Comercial e Empresarial (Acimacar), Geovana Krause, acredita que a retomada nas vendas, agora, vai ser mais lenta do que no primeiro fechamento do comércio, em março. “Mas percebemos que ela já está acontecendo. Há muitas dificuldades, é claro, afinal, perdemos um momento importante de vendas, pois é na primeira quinzena do mês que as pessoas recebem seus salários e frequentam o comércio”, observa, lembrando que o último fechamento ocorreu também em um período de bastante frio, o que, segundo ela, sempre ajuda na comercialização de artigos para esta época do ano. “Estamos lidando com essa pandemia há cerca de cinco meses e percebemos que a recuperação será gradual”, avalia.

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De acordo com dados da Acimacar, dos 1.955 associados, 648 são empresas do comércio e, dentre estas, 480 ficaram fechadas de 1º a 14 de julho por serem consideradas pelo Estado como atividades não essenciais. “Esse número representa cerca de 74% do total de empresas do comércio associadas à Acimacar”, enaltece Geovana. “Existe uma revolta por parte dos empresários. É como se eles fossem os culpados pela transmissão do coronavírus, mesmo seguindo as orientações de prevenção. Grande parte da contaminação acontece pelas pessoas que não se cuidam e continuam se aglomerando, contudo, quem foi punido foi o empresário”, lamenta.

Vice-presidente do Comércio da Acimacar, Geovana Krause: “O Dia dos Pais é sempre uma data que aquece as vendas e acredito que neste ano vai favorecer a retomada do comércio. Os filhos sempre buscam por presentes” (Foto: Arquivo/OP)

 

PERCEPÇÃO DO CONSUMO

Conforme a vice-presidente do Comércio da Acimacar, o receio na hora de gastar por parte dos consumidores não é uma particularidade do município rondonense. “É algo que está ocorrendo em âmbito global. Alguns preferem se resguardar neste momento, seja por medo da doença ou por insegurança econômica, visto que muitas demissões aconteceram nesse período e a preocupação existe. Tanto atividades essenciais como não essenciais foram prejudicadas”, destaca.

Ela frisa que muitos empresários estão buscando driblar as dificuldades financeiras aderindo a linhas de crédito ofertadas pelos governos. “Ainda assim, sabemos que demissões vão acontecer e que algumas empresas não vão conseguir sobreviver e terão de fechar as portas, mas acredito que grande parte dará a volta por cima por meio de estratégias de vendas”, opina.

 

VIRAR A PÁGINA

Passado o período de portas fechadas, é hora de virar a página e focar no que vem pela frente. Segundo Geovana, o lojista é criativo e otimista por natureza e sempre tem muito “jogo de cintura” para lidar com momentos desafiadores como o atual. “As empresas estão trabalhando com muitas promoções. O Dia dos Pais é sempre uma data que aquece as vendas e acredito que neste ano vai favorecer a retomada do comércio. Temos a campanha Retoma Marechal e a campanha do Dia dos Pais para incentivar os consumidores. É uma data especial e os filhos sempre buscam por presentes”, expõe.

Para aqueles que gostariam de comprar um presente, mas têm receio de sair de casa diante do quadro de pandemia de Covid, a empresária lembra que há possibilidade de pedir condicional, uma particularidade cada vez mais explorada pelas lojas rondonenses. “O consumidor contata a empresa e ela leva as peças até ele”, ressalta.

Queima de estoque, condições de parcelamento, flexibilização de prazos, promoções e descontos são outras estratégias utilizadas para aquecer as vendas.

 

EXPECTATIVA DE BOAS VENDAS

A empresária Voni Berta do Amaral, gerente da Berta Joias, Relógios e Ótica, conta que o movimento atual é lento, com clientes apreensivos. “Temos que nos adaptar à nova situação para aplicar estratégias no ‘andar da carruagem’. Setenta por cento das nossas atividades são feitas presencialmente, apenas 30% de forma on-line”, estima.

Voni diz não poder mensurar as perdas referentes ao período de portas fechadas, visto que não há chances de recuperação. “A normalização levará até nove meses e ainda assim é uma incógnita. Tudo depende também dos resultados do agronegócio e da política. É necessário levar em conta que se não fossem os empréstimos disponibilizados, muito mais empresas não teriam sobrevivido. Vamos ver como será daqui para frente, o que Estado e município farão para compensar nossos prejuízos”, pontua: “Temos 38 anos de loja bem trabalhados, passamos por diversas crises, mas nunca como essa”, amplia.

Apesar do atual cenário, de receio e incertezas econômicas, Voni acredita em boas vendas para o Dia dos Pais. “Essa pandemia causou uma grande comoção em termos de valorização da família, e como o Dia dos Pais é uma data bastante simbólica para as famílias, penso que deve aquecer o comércio”, aposta.

Voni Berta do Amaral, da Berta Joias Relógios e Ótica: “Essa pandemia causou uma grande comoção em termos de valorização da família, e como o Dia dos Pais é uma data bastante simbólica para as famílias, penso que deve aquecer o comércio” (Foto: Divulgação)

 

NOVAS FERRAMENTAS

Para o sócio-proprietário da Mr. John, Jean Augusto Rohloff, a queda no movimento nesta reabertura do comércio se deve à época do mês, considerando que o período de recebimento salarial acontece geralmente na primeira quinzena, quando os comércios tidos como não essenciais estavam fechados. “Tenho que elogiar o comportamento dos clientes, pois vimos uma postura bastante consciente por parte deles. Muitos aderiram à modalidade de condicional e ao delivery, que se intensificou nesse momento. As redes sociais têm sido uma nova ferramenta de venda e as pessoas já estão se acostumando com esse novo modo de vida”, considera.

O empresário comenta que o investimento em coleções foi menor neste período de pandemia, assim como planos de expandir a loja para outra cidade ficaram de lado momentaneamente. “Vendíamos roupas sociais ou esporte casual fino para os eventos, mas, como não são permitidas aglomerações e em consequência disso eventos não estão sendo promovidos, o que resta é apostar na venda de roupa conforto, para ficar em casa ou para o trabalho”, enaltece.

De acordo com Rohloff, o investimento menor nas coleções da temporada visa evitar roupas paradas na loja. “Cada roupa parada gera prejuízo. Para vender novamente eu preciso liquidar, dar 30% a 50% de desconto para não repetir na coleção seguinte, é complicado. No mês de julho funcionamos apenas 50% do mês e somente na segunda quinzena. A quantidade de venda baixou cerca de 75%, porque o melhor período de comercialização passamos fechados”, mensura.

Sobre as estratégias para a retomada, o empresário afirma que treinamentos são ferramentas importantes neste sentido. “Aproveitamos esse momento para nos capacitar, analisar o mercado através de consultores. Nos sentimos muito avançados nesse sistema, pois acompanhamos treinamentos com pessoas de São Paulo, uma das Capitais da moda no Brasil, e até eles se viram obrigados a fazer condicional, coisa que nós já fazíamos há tempos aqui”, relata, acrescentando que o uso das mídias sociais também foi fortalecido: “Esse é o futuro das vendas: venda de informação. Não postamos apenas produtos como também colocamos informações de moda, tendências e sugestões para o cliente consumir”, evidencia.

A expectativa de vendas no estabelecimento para o Dia dos Pais é grande, afirma Rohloff. “Como a data é comemorada na primeira quinzena do mês, as vendas tendem a decolar. Já estamos preparando novas coleções e colocando desconto na coleção antiga. Para nós, que trabalhamos em varejo de moda, esse período já é o fim do inverno e o início da primavera/verão, por isso damos desconto nos produtos de inverno que não foram comercializados. Então, temos para todos os gostos, porque têm clientes que querem novidades, enquanto outros preferem promoção”, salienta.

Jean Augusto Rohloff, da Mr. John: “A expectativa de vendas para o Dia dos Pais é grande. Como a data é comemorada na primeira quinzena do mês, as vendas tendem a decolar” (Foto: Divulgação)

 

DATA PODE FAZER A DIFERENÇA

Na opinião da proprietária da Sandra’s Confecções, Sandra Kuhn, a retomada efetiva dos negócios só acontecerá com o fim da pandemia. “Esse ano foi perdido, o que se foi não recupera mais. Para nos estabilizarmos vai de seis meses a um ano”, prevê.

A rondonense diz que sua equipe está divulgando os produtos nas redes sociais o máximo possível, mas acredita que enquanto não houver eventos nada voltará ao normal. “Estamos com vários produtos para o Dia dos Pais e esperamos que isso faça a diferença, caso não haja um novo fechamento”, expõe.

A empresária relata um movimento menor também em sua loja Império da Criança, voltada ao público infantil. Ela entende que isso é resultado da restrição de circulação de menores de 12 anos na maioria dos espaços públicos e privados. “A venda diminuiu porque as crianças estão ficando em casa. Elas são ótimas compradoras, porque se veem uma camiseta do Batman, por exemplo, elas choram, pedem e ganham. Como estão em casa, isso não acontece”, sintetiza.

Sandra Kuhn, da Sandra’s Confecções e do Império da Criança: “Acredito que enquanto não houver eventos nada voltará ao normal. De qualquer forma, estamos com vários produtos para o Dia dos Pais e esperamos que isso faça a diferença” (Foto: O Presente)

 

OTIMISMO

Conforme a gerente da Kity Calçados, Rosilene Reckziegel, as vendas e o movimento diminuíram consideravelmente nestes meses de pandemia. “Por não ter eventos sociais, festas e formaturas, estamos vendendo apenas o básico. Muitos clientes estão apreensivos e cautelosos na hora de comprar pelo fato de que ninguém sabe como vai ficar a situação daqui para frente. As pessoas estão com medo, se sentindo inseguras e preferem que a gente leve a compra até suas casas para não precisar sair e se expor”, enfatiza.

De acordo com a gerente, não há previsão para a estabilização comercial devido às incertezas do momento. “A pandemia afetou de forma geral todos os segmentos, mas espero que recuperemos o mais breve possível, ajudando uns aos outros, sem perder a esperança de que dias melhores vão vir”, ressalta.

Rosilene diz que há otimismo para as vendas ao Dia dos Pais. “Temos muitas novidades, promoções e sugestões de presentes e por isso esperamos vender bastante”, projeta.

Rosilene Reckziegel, da Kity Calçados: “Estamos otimistas para o Dia dos Pais. Temos muitas novidades, promoções e sugestões de presentes e por isso esperamos vender bastante” (Foto: O Presente)

 

CONSUMIDORES MAIS À VONTADE

A sócia-proprietária da Nadir Presentes, Luciani Thomé de Souza, vê uma movimentação menor em seu estabelecimento nessa retomada de negócios, porém, em contrapartida, percebe os consumidores à vontade. “Talvez nós, comerciantes, estamos passando segurança, visto que cumprimos todas as medidas de prevenção à Covid-19. O primeiro fechamento causou um impacto grande no comportamento do cliente, sendo que alguns ficaram receosos e direcionam gastos apenas para produtos de necessidade básica”, salienta, afirmando que a estabilização do mercado depende da retomada das atividades normais, o que, na sua opinião, influencia na segurança do cliente.

A empresária comenta que uma das dificuldades enfrentadas no seu empreendimento refere-se aos fornecedores. “Os clientes me pedem produtos e não posso prometer prazo de entrega, porque muitos fornecedores têm falta de insumos para a produção, diminuíram o número de funcionários ou outros motivos e não entregam nossos produtos antes de 30 dias”, lamenta.
Para Luciani, o Dia dos Pais é uma data muito importante para as vendas. “Me antecipei e estou com bastante mercadoria à disposição, novidades, produtos de qualidade e preços acessíveis. Essa data é uma grande oportunidade para a retomada do ânimo no comércio, rumo ao final de ano que se aproxima”, aponta.

Luciani Thomé de Souza, da Nadir Presentes: “O Dia dos Pais é uma data bastante importante e uma grande oportunidade para a retomada do ânimo no comércio, rumo ao final de ano que se aproxima” (Foto: Divulgação)

 

O Presente

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