Outro depoimento do júri popular que está acontecendo nesta quinta-feira (14), em Marechal Cândido Rondon, foi de Luan Rafael Ferreira de Lima, genro de Luis Rissato, acusado de matar a empresária Edna Storari, crime que ele confessou ter cometido durante depoimento hoje.
Confira que Luan disse em seu depoimento:
“No dia 20 de setembro daquele ano, eu tava almoçando com a minha mulher, e daí o pai dela ligou, mandou mensagem, não lembro bem certo, pedindo para ela ir lá. Aí a gente almoçou, fez o que a gente tinha que fazer em casa, ela foi para lá e eu fui trabalhar. Daí eu lembrei de pedir para ela passar numa loja ver um ar-condicionado, o nosso tava com problema e eu queria comprar um novo. Quando eu liguei para ela, ela atendeu e eu achei a voz dela meio estranha, tava aparentemente nervosa, e dai eu perguntei o que tava acontecendo, ela pediu se eu podia ir lá, eu falei tá tudo bem. Avisei meu pai que eu precisava sair, peguei a moto do meu irmão que tava na oficina e fui lá. Quando cheguei, entrei na lateral de casa e quando cheguei lá atrás eu perguntei o que aconteceu. O Luis simplismente falou pra mim que tinha matado a Edna, simples assim. Eu olhei pra ele e falei, como assim? (Falou que matou) porque não aguentava mais, porque a convivência tava muito dificil, porque ela era ruim com ele. Eu disse assim, tá mas não tinha outro jeito? Ele falou, ‘não, tinha que ser assim’. Ele comentou que nunca pesnou que ela ia ter tanta força, daí eu falei pra ele, tá Luis, a pessoa não vai ficar esperando ser morta quieta, falei pra ele com essas palavras. Ele falou mais alguma coisa que eu não lembro e fui conversar com a Amábile, tentei acalmar ela um pouco, falei pra ela ficar calma, vamos fazer o quê? Agora que ele fez tá feito. Fiquei ali mais algum tempo com ela conversando e voltei para o meu trabalho na oficina do meu pai, trabalhei o resto da tarde meio que sem pensar, sem saber o que fazer porque eu nunca pensei que eu ia passar por uma situação dessa, nunca imaginei que meu sogro, que era um cara até então tranquil, nunca tinha visto nenhuma atitude estranha nele, ia chegar e falar um negócio desse assim, como se ele tivesse matado uma barata. Eu fiquei com isso na cabeça e de noite quando cheguei em casa perguntei para Amábile, falei o que aconteceu e ela falou que ele tinha dado um mata leão nela e depois passou uma cinta plástica no pescoço dela. Sobre a morte é isso que eu sei”.
Sobre a acusação de fraude processual, Luan respondeu:
“Botaram no processo que eu tinha apagado mensagem, mas eu não apaguei mensagem nehuma, o que eu fiz foi apagar fotos e vídeos nosso pessoal, porque começou a dar um monte de comentário na cidade e tal. Já tinham pegado o telefone dela e eu falei bom, eu falei assim, por mais que seja polícia, como que eu vou confiar que as imagens nossas, coisas pessoais, não vão ser vazadas. Apaguei fotos e vídeos, não fiz nada mais, e como tinha backup eu fui procurar no backup para ver se tinha ficado”, mencionou no depoimento, afirmando que não formatou o celular e nem trocou de chip.
Questionado pela Promotoria, com base em declaração feita na presença dos seus advogados, no gabiente, no dia 5 de maio deste ano, de que “eu acho que eles já tinham planejado isso há mais tempo, Luan confirmou que sim, afirmando que achava que Guilherme e Luis tinham planejado o crime de homicídio.
Confirmou ainda que “o Guiherme disse na PEC, que é a penitenciária estadual de Cascavel, na frente de outros presos, que a ideia inicial era simular um sequestro em frente À Agricola Horizonte para as cêmeras pegarem”. “Ouvi isso da boca dele”, declarou Luan em resposta ao promotor.
Em relação ao corpo de Edna, Luan disse:
“Conversando lá no dia ele falou que eles foram para aquele lado do Primaveira, passaram todo o bairro e olharam pelas redondezas da Fazenda da Unioeste. Ali em algum ponto tinha curvas de nível, onde eles passaram com a van, tiveram um pouco de dificuldade nessa parte, até próximo da mata onde eles disseram que enterraram. Dai levaram de dentro da van até a cova que o pessoal que foi contratado tinha feito. Lá eles botaram ela de bruço porque os caras falaram que talvez, eu não sei como funciona, que o corpo pudesse se mexer para que os braços dela nao saíssem para fora da cova. Pediram para colocar ela de bruço”, detalhou, acrescentando que naquele local, segundo o Guilherme havia declarado para ele na PEC, tinha bastante bicho morto e o cheiro não era bom. “Ele falou para mim que tinha bastante bicho morto lá, carcaças de animais e que o cheiro era bem forte”.
No final do depoimento, quando perguntado sobre o fato de Edna ter externado para Luis que iria se separar e que ele ficar sem nada, Luan respondeu:
“Isso foi um tempo antes, numa conversa que a gente teve. Eu e a Amábile fomos lá conversar com ele (Luis) e daí ele falou isso, que ela tinha ido em um advogado, que o advogado tinha falado para ela que ele ia ficar sem nada, que ela ia ficar com tudo, daí a Amábile falou para ele: ‘então vai você atrás de um advogado e veja bem certo como fica essa situaçã’. A conversa ficou por isso, ele falou que ia atrás, mas nunca mais tocou nesse assunto”.
Júri popular
Além de Luan, estão sendo julgados os réus Luis Rissato, Amábile Rissato e Guilherme Henrique Rissato.
O júri é presidido pelo juiz Dionisio Lobchenko Jr. e conta com a atuação do promotor Caio Marcelo Santana Di Rienzo na acusação, assistido pelo doutor Luiz Carlos Trodorfe. A defesa dos réus está a cargo dos advogados Sérgio Antônio Mendes de Oliveira, Silvia Garcia da Silva e Antonio Marcos de Aguiar.
Relembre o caso
A empresária rondonense Edna Storari, de 56 anos, foi dada como desaparecida no dia 27 de setembro de 2021 por uma das filhas. A mulher morava em Marechal Rondon há oito anos e suas duas filhas residem em Tapejara e Pérola do Oeste, no Paraná.
Tão logo o caso chegou à Polícia Civil, a situação foi tratada como desaparecimento. Contudo, com o andamento das investigações, passou a ser considerada um caso de feminicídio.
O companheiro da empresária rondonense está preso preventivamente desde 07 de outubro de 2021. O filho dele e a filha dele foram detidos no dia 02 de dezembro daquele ano – a filha foi colocada em liberdade recentemente. O genro do principal acusado foi preso, mas atualmente responde em liberdade. O companheiro da empresária é investigado pelo crime de feminicídio e os filhos e genro por ocultação de provas e fraude processual. Edna e o homem não tiveram filhos juntos.

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