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Marechal

Marechal Cândido Rondon no Mapa do Crack

Dados do Observatório do Crack ligado à Confederação Nacional de Municípios (CNM), divulgados recentemente, apontam que dos 5.570 municípios brasileiros, 1.154 apresentam situação de alerta para problemas relacionados ao crack, seja nos setores de segurança pública, saúde e assistência social. No chamado Mapa do Crack, disponível no site da confederação (http://www.crack.cnm.org.br/observatorio_crack/#section-linebox-1), 93 municípios do Paraná apresentam alto nível de problemas relacionados ao consumo da droga. Entre eles estão Marechal Cândido Rondon, Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo, Paranavaí, Maringá, Rolândia, Castro e Paranaguá.

O Mapa do Crack foi criado em 2012 e é atualizado a partir das informações preenchidas pelos próprios gestores municipais. A classificação é feita de acordo com os relatos de prefeitos e secretários.

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Ao elaborar o mapa, a CNM produziu um questionário para desvendar as ações de enfrentamento em relação a esta e outras drogas. Gestores municipais têm acesso ao sistema para efetuar o cadastro de dados on-line. No entanto, a frequência de atualização das informações depende da disponibilidade dos responsáveis em cada cidade. O mapa passou por algumas reformulações e já embasou pesquisas desenvolvidas pela entidade.

 

Droga na fronteira

De janeiro até maio deste ano, o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) apreendeu 24,565 quilos de crack em Marechal Cândido Rondon. Conforme o comandante da 1ª Companhia do BPFron, capitão Nairo Cardoso da Silva, a quantidade pode parecer pequena, pois são poucos quilos, se comparada à maconha, que é mais volumosa. “No entanto, se pensarmos no desdobramento dessa droga até ela chegar em seu revendedor final, mostramos o trabalho e a importância de um Batalhão de Fronteira. Esse é o trabalho primordial do BPFron: conseguir represar aqui, na fronteira, drogas e armas que iriam ser distribuídas nos grandes centros como Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro”, pontua.

O comandante revela que no ano passado o BPFron realizou apreensões significativas de crack em alguns municípios da comarca de Marechal Rondon, entre eles Mercedes e Pato Bragado.

 

Perfil do usuário

Com larga experiência na área de apreensão de drogas e trabalhos realizados com usuários, principalmente em Curitiba, onde o consumo do crack é elevado, Nairo aponta algumas peculiaridades e aspectos dos usuários dessa droga. Segundo ele, é notável quando as pessoas usam o crack. “O crack é uma droga extremamente viciante. Com pouco tempo de uso, a pessoa que consome essa droga já vai perdendo algumas noções de bom senso que talvez usuários de outras drogas ainda tenham e isso mostra a devastação provocada pelo vício”, comenta.

Ao contrário do que ocorre com a maconha, com o álcool e mesmo com a cocaína, que, apesar do perigo extremo, demoram mais para provocar danos degradantes, o crack causa prejuízos em curtíssimo espaço de tempo. “O usuário de crack, por exemplo, vai perdendo a higiene, os cuidados pessoais, começa a faltar no trabalho, nos estudos, se desagrega da família e perde peso. Essas características são visíveis e facilmente detectadas em um sujeito”, aponta o capitão. “Já aconteceu de eu abordar um usuário de crack, e ele nem se importar com o fato da prisão ou repressão por parte da polícia, apenas se preocupava se iria perder a droga que estava com ele, a ponto de pedir para os policiais se a droga iria ser devolvida a ele”, relata o comandante.

Ele conta que já presenciou cenas de usuários de crack pegando pedras no chão e colocando nos cachimbos para fumarem, pensando que era a droga. “Estavam completamente sob efeito do crack e não tinham mais consciência dos atos, apenas queriam satisfazer o vício”, observa.

O principal meio utilizado pelos usuários para fumar o crack são os cachimbos, que podem ser artesanais ou improvisados. “Alguns pegam latas, cortam uma parte, fazem alguns furos e as utilizam como cachimbos improvisados. Outros fazem cachimbos artesanais para fumar o crack. Além disso, o usuário normalmente sempre tem dois isqueiros no bolso, isso porque o isqueiro vai esquentando e pode estourar e, desta forma, ele fica alternando o uso”, salienta o capitão.

Os problemas, no entanto, não irão refletir somente naquele que é o usuário da droga. “Para adquirir crack, as pessoas cometem furtos, se prostituem, tanto homens quanto mulheres, gravidez indesejadas são geradas por conta disso e poderão dar origem a famílias desregradas e desestruturadas. O crack gera toda uma degradação social”, enfatiza o comandante.

 

Maior número de apreensões dos últimos anos

A Polícia Militar (PM) de Marechal Cândido Rondo realizou de janeiro a maio deste ano o maior número de apreensões de crack, em quantidade, dos últimos anos. Foram ao todo 824 pedras.

Para o comandante da 2ª Companhia de Polícia Militar, capitão Valmir de Souza, o trabalho da PM, nesse aspecto, é reprimir o uso do crack, contudo, há outras drogas, dentre elas o álcool, que por muitos não é vista como uma droga, mas que é, além de tudo, a porta de entrada para outras drogas ilícitas, como, por exemplo, o crack. “O tráfico no município, ao meu ver, é mais discreto do que em outras cidades e o modus operandis dos traficantes é diferente. E daí entra a questão, mais quem é esse traficante? Pode ser um amigo, vizinho, uma pessoa de destaque dentro da sociedade, uma pessoa pública. É preciso entender que o traficante não é uma pessoa esteticamente feia ou que possui uma série de estigmas físicos. Muitas vezes é uma pessoa que não é violenta. O traficante esperto não chama atenção para si”, destaca Souza.

Na visão do capitão, a droga está em toda a sociedade, não tem cor, gênero e nem classe social. “O crack, a cocaína, a maconha e demais drogas não estão somente na periferia, com a pessoa que é pobre, como muitos pensam”, ressalta.

 

Futuro

O comandante da PM acredita que ao longo dos anos o número de apreensões de crack será cada vez maior pelo fato das pessoas estarem fazendo maior uso. “Uma vez se acreditava que o crack, independente da dose, matava e as pessoas tinham medo disso. Hoje, no entanto, a questão do consumo em menores quantidades afastou esse temor e levou muitos a usarem a droga. Usam em menores quantidades, mas repetidas vezes, buscando evitar uma overdose. E cada vez mais aumentam o vício”, diz Souza.

 

A mão amiga

Uma mão amiga aos usuários de drogas pode ser os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), que possuem equipe multiprofissional – composta por psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, técnicos administrativos entre outros – e oferecem diversas atividades terapêuticas: psicoterapia individual ou grupal, oficinas terapêuticas, acompanhamento psiquiátrico, visitas domiciliares, atividades de orientação e inclusão das famílias e atividades comunitárias. De acordo com o projeto terapêutico de cada usuário, estes podem passar o dia todo na unidade, parte do dia ou vir apenas para alguma consulta.

As necessidades de cada usuário e os projetos terapêuticos, compreendendo as modalidades de atendimento citadas e os tempos de permanência no serviço, são decididas pela equipe, em contato com as famílias também, e igualmente as mudanças neste projeto segundo as evoluções de cada usuário.

“É um trabalho voltado para todo tipo de transtornos mentais severo e persistente, como casos de transtorno bipolar, esquizofrenia, tentativas de suicídio, automutilações, entre outros”, informa a assistente social do CAPs de Marechal Rondon, Rosane Schuster Herpich. Segundo ela, cada pessoa recebe um tratamento específico, de acordo com seu caso, após terem sido feitas triagem e avaliação da situação do paciente. “Oferecemos acompanhamento psicológico e psiquiátrico, tanto individual quanto em grupo, e agora estamos completando a equipe com outros profissionais para em breve dar início a oficinas terapêuticas e grupos de apoio”, revela Rosane.

O CAPs também trabalha com internamentos para transtornos mentais – nos casos em que o paciente esteja colocando sua vida ou a de terceiros em risco – e tratamento para dependência química, realizados em hospitais ou clínicas psiquiátricas e de reabilitação do Paraná, via central reguladora de leitos. “Na clínica de reabilitação a pessoa normalmente fica de seis a nove meses em tratamento. Nos hospitais psiquiátricos o tempo de internamento varia de 30 a 60 dias, mas dependendo do caso esse tempo pode ser ampliado”, explica a assistente social.

Fundado em 2014, o CAPs de Marechal Rondon conta com 683 pacientes cadastrados e que estão recendo acompanhamento. Somente neste ano, 112 novos cadastros foram realizados. “O CAPs atende todas as faixas etárias, desde crianças até idosos. Para tanto, realizamos o chamado “trabalho em rede” entre Caps, Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Conselho Tutelar”, menciona Rosane, destacando que, na maioria dos casos, o paciente do CAPs também é atendido no Cras, por meio de profissionais de Assistência Social e Psicologia, que fazem um trabalho de fortalecimento de vínculos, e também pelo Creas, que desenvolve um trabalho voltado a casos de crianças que tiveram seus direitos rompidos e/ou foram vítimas de violência. “É um trabalho realizado em conjunto”, pontua.

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