Marechal Registros no SPC

Marechal Rondon começa 2019 com 5,7 mil inadimplentes

Joni Lang/OP

Apesar da injeção de R$ 54 milhões com o pagamento do 13º salário e da ênfase na importância da conscientização do consumidor a se planejar e manter suas contas em dia, Marechal Cândido Rondon começou 2019 com 5.739 inadimplentes junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Associação Comercial e Empresarial (Acimacar).

Com 12.969 registros no SPC, uma vez que cada CPF pode ser incluído inúmeras vezes, o montante em atraso representa R$ 5,3 milhões. Fora isso, há 363 registros de cheques, sendo que o valor alcança R$ 226,2 mil, segundo relatório fornecido ontem (03) pela Acimacar ao O Presente.

Dos aproximadamente 52 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 28 mil fazem parte da população economicamente ativa. Assim sendo, os 5.739 inadimplentes respondem por 18,1% da população economicamente ativa no município. “A média de inadimplentes no Brasil está em torno de 50%. Esse número é menor na nossa região pelo fato dela ser extremamente vinculada ao agronegócio, então é a última a entrar e a primeira a sair da crise. O Oeste possui índices percentuais muito inferiores a grandes centros industriais, justamente por ser uma região privilegiada”, enaltece o vice-presidente de Informações Cadastrais e Proteção ao Crédito da Acimacar, Eduardo Berndt.

Segundo ele, a campanha de recuperação de crédito realizada pela Associação Comercial rondonense no final do ano, a exemplo de outras épocas, teve boa aceitação. “O intuito da Acimacar é motivar o consumidor a saldar sua dívida, que não é boa nem para ele e nem ao comerciante. A campanha oferece facilidades de negociação mais assimilada ao consumidor, possibilitando exclusões, ou seja, fornece bom resultado por sensibilizar o inadimplente a iniciar o ano sem preocupações. Dezembro foi o mês com mais baixas em todo ano, o que se deve à campanha. Nossa ideia é promover, seja anualmente ou nos momentos considerados especiais, facilidades nas negociações para o consumidor resolver essas questões”, salienta.

 

DIMINUIÇÃO

Dois mil e dezoito foi um ano de diminuição nos índices em relação a 2017, o que é observado nas consultas, nos registros e nas baixas (exclusões). “Isso acontece porque o empresário sente o reflexo da crise econômica de 2015, que responde por longo tempo, ou seja, 2016, 2017 e 2018 são consequências da crise que teve auge em 2015. O número de consultas indica que em 2018 houve leve baixa na busca da concessão do crédito e da mesma forma se reflete nos registros e na exclusão. Se estamos em crise concedemos menos créditos, também é natural que haja menos registros e menos exclusões, até porque a renda do consumidor continua limitada, sem expectativa de aumento ou de melhorias”, analisa.

Conforme Berndt, um dos fatores que justifica a baixa na concessão é que ela se torna mais cautelosa, uma vez que estabelecimentos, bancos, empresas e comércios tomam cuidado maior na hora de conceder crédito. “Por outro lado, com renda limitada o consumidor não busca esse crédito com a mesma intensidade de momentos econômicos de desenvolvimento, assim como apresenta maior dificuldade na quitação de suas dívidas devido à falta de perspectiva de melhora de renda e devido à realização mensal de uma renda menor”, expõe.

 

SAFRA VAI IMPACTAR

Berndt entende que pelo fato de Marechal Rondon contar com empresas e indústrias ligadas ao setor do agronegócio, o município vai sentir imediatamente o impacto da quebra na safra de soja devido à estiagem. “É normal que seja assim porque as empresas e indústrias têm vínculo forte com o agronegócio, no entanto as expectativas apontam para o maior crescimento da economia. A economia se divide em ciclos de alta e de baixa e hoje estamos saindo de uma crise, então as perspectivas econômicas mostram que 2019 será um ano de aumento da economia, PIB (Produto Interno Bruto), geração de emprego e melhores expectativas econômicas tanto ao empresário quanto ao consumidor. Entendo que isso reflete no consumo e na concessão de crédito, e no momento que temos expectativas melhores de consumo, as empresas passam a investir mais, o consumidor se empolga e compra mais”, avalia.

Segundo ele, a breve queda na inflação em 2018 é um indício de que 2019 será de desenvolvimento, PIB com leve melhora, o que contribui para condições de bom patamar de desenvolvimento neste ano. “Isso determina melhorias e estímulo à concessão de crédito, fazendo com que o consumidor busque aquecer a economia”, prospecta.

Embora não seja expressiva, nos últimos anos foi observada evolução no que diz respeito à diminuição de registros no SPC, bem como de valores. “Não se trata de um dado positivo, mas reflete a condição macroeconômica que existia. Se atualmente o número de inadimplentes e os valores são menores, isso se deve à concessão mais rígida de crédito por parte das empresas e porque diante da crise o consumidor refletiu, pois com a falta de expectativa de melhora o cidadão adquiriu consciência sobre suas finanças quando analisados períodos de auge econômico em que o consumidor estava mais empolgado”, ressalta.

 

RESPONSABILIDADE

Concessão e tomada de crédito fazem parte da rotina de todo cidadão economicamente ativo, portanto quanto mais consciente a tomada de crédito, mais saudável vai ser, enaltece o diretor da Acimacar. “Inadimplência prejudica o empresário, que não desenvolve sua empresa, e o consumidor, que se compromete com juros, taxas e negação de novos créditos”, destaca.

A orientação, pontua ele, é de que as empresas cuidem ao conceder crédito, adotando uma política saudável à empresa e ao consumidor, baseada na segurança legal para evitar inadimplência. “O empresário tem papel fundamental de orientar o consumidor na empolgação do consumo do crédito, pois tem conhecimento da renda e até onde esse consumidor pode ir ao adquirir parcela ou crédito, por isso a responsabilidade de permitir que seja feita concessão de maneira saudável, prevenindo a inadimplência, garantindo à empresa o recebimento e ao consumidor assegurar o patrimônio, que é a habilitação ao crédito”, reforça.

Berndt salienta que o crédito saudável ao consumidor ocorre quando é realizado de forma planejada. “A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recomenda que o nível de endividamento saudável não deve superar 35% da renda mensal do consumidor, portanto o acesso e a tomada de crédito conscientes são as principais orientações ao consumidor”, finaliza.

 

 

 

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