Quem chega de motorhome não procura apenas um lugar para estacionar. Procura água, segurança, localização, regras claras e uma estrutura mínima que permita parar por alguns dias sem improviso. É justamente esse tipo de demanda que começa a colocar Marechal Cândido Rondon no radar de um turismo discreto, mas crescente nas estradas brasileiras: o dos viajantes sobre rodas.
Um vídeo publicado no TikTok pelo perfil Milhasemfamília ajuda a mostrar esse movimento. (Clique aqui) Hospedada com motorhome no Lago Municipal de Marechal Rondon, a viajante apresenta a estrutura encontrada no local e chama atenção para pontos práticos que fazem diferença para quem vive na estrada: ponto de água, espaço para parada, proximidade com a área central e um entorno que reúne pista de caminhada, gramados, árvores e até a presença de animais como pássaros, quatis e capivaras. A impressão transmitida no vídeo é direta: Marechal Rondon aparece como uma parada organizada e agradável para quem está em deslocamento.
Turismo crescente
A percepção encontra eco em quem conhece bem esse tipo de viagem. Morador de Marechal Rondon e adepto do motorhome, Daltro Fiori afirma que a adaptação da cidade acompanha um movimento observado em várias regiões do país. “Na verdade, muitas cidades no Brasil inteiro estão adequando espaços para receber esse pessoal”, relata.
Segundo ele, a área próxima ao módulo esportivo, ao lado de onde tradicionalmente se instala o circo, também está sendo pensada para esse público.
“Parece que ali vai ser uma parada. O motorhomeiro chega de todo o Brasil, de onde vier, até do mundo inteiro. Já vi gente de outros países. Eles chegam, encostam, vai ter um QR Code, fazem o cadastro e daí ele pode ficar três dias”, diz.
Regras
No entendimento de Fiori, a regulamentação é o ponto que pode fazer a diferença para que a iniciativa funcione bem. “Vão regulamentar, vai ficar bom”, resume. Para ele, limitar o tempo de permanência é uma forma de garantir rotatividade e evitar distorções no uso do espaço público.
“Lá em Porto Mendes também tinha que fazer isso. Tem gente que fica três, quatro meses porque é tudo de graça. Infelizmente, tem os que se aproveitam. Mas, se ficar assim dois, três dias, sem pagar nada, fica bom. Se todas as cidades tivessem isso, o cara podia largar e viajar o mundo inteiro”, brinca.
A fala ajuda a colocar o tema em perspectiva. Em cidades turísticas, um dos principais desafios é justamente equilibrar hospitalidade e regra. O modelo de permanência curta tende a funcionar melhor porque amplia a rotatividade, evita ocupações prolongadas e permite que mais viajantes utilizem a estrutura. Para o município, isso representa circulação de pessoas e consumo distribuído em mercados, restaurantes, padarias, postos de combustíveis e comércio local.
Estrutura consolidada
No caso de Marechal Rondon, há ainda um componente estratégico. O município já tem em Porto Mendes um polo conhecido de lazer e turismo ligado ao lago de Itaipu. Em março desse ano, o distrito sediou o 5º Encontro de Motorhomes, promovido pela prefeitura. Isso cria uma combinação interessante entre dois perfis de parada: o viajante que busca apoio urbano, próximo do centro e de deslocamento fácil, e o turista que prefere permanecer em uma área mais voltada ao descanso e ao contato com a água.
Entra na rota
Marechal Rondon começa a compreender essa lógica. Ao investir em pontos de apoio e sinalizar uma possível regulamentação para a permanência desses veículos, o município se aproxima de uma tendência já visível em várias cidades brasileiras: a adaptação da estrutura pública para receber o turista sobre rodas sem improviso e sem desordem. No turismo sobre rodas, a cidade não entra na rota por acaso. Entra quando oferece condição de parada.
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