Marechal Cândido Rondon tem aproximadamente 53 mil habitantes, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e população economicamente ativa de 31.768 cidadãos. Desse total, 5.315 rondonenses iniciaram 2020 inadimplentes, tendo seus nomes inscritos junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Associação Comercial e Empresarial (Acimacar), ou 16,73% da população apta a trabalhar. O valor em termos de inadimplência soma R$ 4.846.451,87, dos quais R$ 4.616.745,49 em duplicatas e outros R$ 229.706,38 em cheques. Em números totais, o “ticket médio” de cada devedor é de R$ 911,84.
De acordo com o vice-presidente de Informações Cadastrais e Proteção ao Crédito da Acimacar, Eduardo Berndt, o comportamento no decorrer de 2019 foi muito parecido com o de 2018 em termos de consultas ao SPC. “No início de 2019 esperávamos ampliação no número de consultas e aumento na concessão de crédito em índice maior do que o concretizado, mas houve queda de 2,6%, baixando de 8.569 consultas em 2018 para 8.352 no ano passado. Contudo, chama atenção o fato de o segundo semestre ter tido mais consultas no varejo, o que significa a retomada do consumidor pelo crédito, ou seja, breve aquecimento”, declarou ao O Presente.
Berndt diz que se o consumo do segundo semestre do ano mantivesse a onda do primeiro semestre o resultado de 2019 terminaria bem abaixo dos números de 2018. “Isso prova que os economistas estavam certos ao falar que o segundo semestre de 2019 seria de crescimento, embora não tenha sido tão vislumbrado. Eu tinha uma expectativa para todo o ano, mas, de qualquer forma, o desempenho foi positivo”, comenta.
REGISTROS
Conforme o vice-presidente de Informações Cadastrais e Proteção ao Crédito da Acimacar, foi observada queda de 16,74% no registro de novos devedores no SPC em Marechal Rondon, reduzindo de 502 para 430 o número de CPFs incluídos. “Atribuo esta baixa considerável a dois fatores. O primeiro é que o consumidor com restrição financeira fica alerta, toma mais cuidados e aos poucos adota o entendimento de fazer um consumo seguro. Outro fator é que na crise o empresário se torna mais antenado na concessão de crédito, delimitando exigências maiores e vendendo menos a prazo por não ter disposição de correr riscos, o que faz com que sejam gerados menos registros no sistema”, ressalta.
Como administrador, Berndt acredita que os dois fatores andam juntos. “As empresas precisam de maior segurança para evitar a inadimplência e, ao mesmo tempo, o consumidor fica atento e busca uma forma de consumo mais cuidadoso. Isso é muito bom ao empresário, pois em 2019 as nossas empresas terminaram com endividamento 16,74% menor, o que é razoável”, considera.
BAIXAS
Segundo ele, também reduziu o índice de pessoas que deixaram de ser devedoras em Marechal Rondon. Enquanto em 2018 ocorreram 414 baixas do SPC via Acimacar, no ano passado esse número diminuiu para 354, o que representa déficit de 16,95%. “Isso é consequência do que ocorreu em 2015, passou por 2016, 2017 e 2018, pois no ano passado a crise financeira ainda gerou dificuldade às pessoas para quitarem suas dívidas. Ou seja, no momento em que você se propõe tomar crédito consciente para evitar inadimplência sente dificuldade de quitar as dívidas existentes, adiando o pagamento”, expõe.
Apesar de o consumidor tentar segurar sua renda e consumir de forma cautelosa, o vice-presidente de Informações Cadastrais e Proteção ao Crédito da Acimacar menciona que, por vezes, este cidadão também possui dificuldade em pagar suas contas. “Isso mostra que no último ano o rondonense teve dificuldade de quitar suas dívidas já existentes, deixando de honrar seus compromissos”, pontua.

Vice-presidente de Informações Cadastrais e Proteção ao Crédito da Acimacar, Eduardo Berndt: “Os valores devidos em média são pequenos, sendo que em outras regiões as dívidas são maiores, o que significa que o consumidor rondonense é bom pagador e se endivida por dificuldades, não por ter má vontade de pagar suas contas” (Foto: Joni Lang/OP)
RETOMADA
Berndt destaca que em 2019 foi registrada maior geração de empregos no município, comparado a outros anos, sendo que a ampliação de receita faz com que o trabalhador consiga se organizar e pagar suas contas. “Acredito que 2020 será o ano da retomada do crescimento, elevando o desempenho observado já no segundo semestre de 2019, que foi de melhor compreensão em termos de estabilidade econômica, também influenciado pela postura presidencial”, opina.
Para ele, 2020 iniciou com melhores perspectivas de crescimento do que 2019. “Estamos mais tranquilos neste ano para buscar crédito, ao passo em que os empresários também se mostram mais seguros em ousar neste período do que em janeiro de 2019. Justamente por sermos vinculados ao agronegócio nós saímos na frente de outras regiões. Será um grande ano, com melhoria operacional, volta de incentivos às indústrias e às empresas e com o consumidor voltando a buscar crédito”, enaltece.
Mesmo com o atraso no plantio da safra de soja e de alguns desafios, o rondonense entende que o cenário é otimista para este ano. “O agronegócio, assim como a atividade empresarial, vive um ambiente de constante risco, porém esta fase não deve interferir negativamente no comportamento do consumidor no sentido de deixar de pagar a conta ou buscar crédito para efetuar novas compras. Acredito em bons momentos para 2020”, aposta.
ESTABILIDADE
Embora 16,73% da população economicamente ativa de Marechal Rondon esteja inadimplente, o vice-presidente de Informações Cadastrais e Proteção ao Crédito da Acimacar salienta que os rondonenses são privilegiados pelo fato das indústrias estarem ligadas ao agronegócio, o que, entende ele, favorece a estabilidade econômica. “Em qualquer momento de instabilidade financeira as regiões ligadas ao agronegócio são últimas a demitir e as primeiras a readmitir, além de serem as últimas a sentir os impactos das crises econômicas e as primeiras a se levantarem delas”, enfatiza.
Conforme ele, hoje o Brasil tem 23,8% de inadimplentes, todavia em alguns Estados o índice chega a 43%. No Paraná os números também aumentam nas regiões onde não há relação entre empresa, indústria e agronegócio. A região Oeste possui um dos maiores retornos financeiros devido à força do agronegócio, que não para. Além disso, o povo de Marechal Rondon e do Oeste possui característica de cidade pequena, o que interfere no sentimento de responsabilidade e de honrar a palavra”, evidencia.
ORIENTAÇÃO
Apesar do valor total por CPF devedor ser de R$ 911,84, os 11.557 registros no SPC via Acimacar resultam em cerca de R$ 450 em atraso, informa Berndt. “Ambos os casos analisados são negociáveis, de modo que a empresa pode incentivar o consumidor a quitar sua dívida para que ele tenha seu crédito recuperado. Os valores devidos em média são pequenos, sendo que em outras regiões as dívidas são maiores, o que significa que o consumidor rondonense é bom pagador e se endivida por dificuldades, não por ter má vontade de pagar suas contas”, aponta, acrescentando que o SPC existe para evitar que o consumidor não fique superendividado. “Então, é uma maneira de limitar o acesso ao crédito e estimular a pessoa a rever sua condição de consumo, para se reeducar e promover um ajuste financeiro, tendo em vista que é necessário possuir crédito. Em algum momento o cidadão vai buscar crédito, seja de uma instituição financeira, para trocar ou comprar veículo, reformar a casa, ou no varejo para aquisição de utensílio doméstico, roupas ou outros artigos e produtos, e para isso é essencial ter o nome limpo, viabilizando oportunidades de consumo”, relata.
O acesso ao crédito, na opinião do vice-presidente de Informações Cadastrais e Proteção ao Crédito da Acimacar, é um grande patrimônio. “Seja para uma oportunidade ou necessidade”, frisa.
O Presente