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Marechal

Marechal Rondon registra primeiro caso de picada de escorpião

 

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Escorpião que picou a rondonense de 12 anos; espécie ainda está sendo analisada

As altas temperaturas e as frequentes chuvas registradas em Marechal Cândido Rondon desde o começo do ano são os principais fatores responsáveis pela proliferação de insetos e o aparecimento de escorpiões na cidade. Tanto é que o município registrou seu primeiro caso de picada de escorpião na semana passada.

Conforme informou um familiar da vítima, Rafaela Eduarda Kolln Scherer, de 12 anos, estava na casa da avó, na noite da última quarta-feira (08), quando foi picada pelo escorpião. Rafaela foi até a cama da avó para lhe dar boa noite e, ao descer do móvel, pisou no animal. Com fortes dores no local da picada, a menina foi levada às pressas para o hospital, onde recebeu a aplicação de soro. Rafaela ficou internada no Hospital Rondon e recebeu alta na última sexta-feira (10).

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Primeiro caso notificado

Segundo a fiscal sanitária Thais Gonçalves Borges, esse foi o primeiro caso de picada de escorpião notificado no município. Foi o primeiro exemplar que trouxeram para a Vigilância Sanitária e também o primeiro causador de acidentes, declara. Ela conta que o escorpião responsável pela picada já foi enviado para laboratório em Curitiba para a identificação da espécie, contudo, acredita-se tratar de um Tityus serrulatus (escorpião amarelo) ou um Tityus stigmurus.

A fiscal sanitária explicou que, diferentemente do escorpião preto, espécie encontrada com frequência pelos rondonenses, as espécies Tityus serrulatus e Tityus stigmurus não fazem reprodução sexuada, ou seja, não precisam de um macho e uma fêmea para se reproduzir. Estamos encontrando muitos escorpiões pretos porque eles estão na época de reprodução. Eles vivem sobre folhas, cascas de árvores e saem para reproduzir, por isso são vistos com mais frequência, explica.

 

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Local da picada do escorpião

 

Reprodução

Os escorpiões Tityus serrulatus e Tityus stigmurus se reproduzem por partenogênese; não precisam necessariamente de um óvulo fecundado. Se um escorpião tiver alimento necessário, ele mesmo botará os ovos e, após a fecundação, dará origem a novos escorpiões. Por exemplo, daqui a um mês, a partir desse único escorpião, irão surgir, pelo menos, de 14 a 18 novos filhotes, expõe a fiscal sanitária.

Um escorpião da espécie Tityus serrulatus se reproduzindo em condições favoráveis, com abrigo, alimentação e água, pode chegar a aproximadamente seis milhões de filhotes em um ano, relata Thais. Ainda segundo ela, o tempo que leva desde a fecundação do óvulo até o nascimento do escorpião é de 14 dias.

 

Perigo

Após a adolescente ter sido picada, equipes da Vigilância Sanitária rondonense foram até a residência e a população do entorno relatou que ultimamente estão aparecendo muitos escorpiões desta espécie. A residência onde a menina foi picada se localiza na área central da cidade e, de acordo com a fiscal sanitária, pode haver mais de um ninho de escorpiões naquela região, visto que mais pessoas encontraram o animal. Os relatos mais comuns são de escorpiões encontrados dentro das residências e nos pátios, conta Thais. Eles se alimentam principalmente de baratas e se abrigam, preferencialmente, sobre telhas, madeiras, ou seja, lugares onde eles podem se esconder embaixo. Tanto que é recomendado que madeiras e tijolos sejam armazenados em pé ou em cima de paletes, pois esses são os lugares preferidos dos escorpiões, informa.

 

Preocupação

Em recente matéria produzida pela reportagem de O Presente já havia sido abordada a preocupação por parte de rondonenses que estavam encontrando com frequência escorpiões pretos em suas residências. À época, a Vigilância Sanitária informou que não havia sido percebido aumento na demanda de notificações e reclamações quanto ao aparecimento de aracnídeos.

 

Procedimentos médicos

Thais orienta que uma pessoa vítima de picada de escorpião deve imediatamente ser levada a um hospital, onde passará por avaliação de um médico que pedirá a classificação de caso, com base nos sintomas do paciente, podendo ser leve, moderado ou grave. A partir disso, será realizada a aplicação do soro antiescorpiônico e quantas ampolas serão necessárias.

O caso de Rafaela foi classificado como moderado e, segundo a família da adolescente, não havia soro disponível no hospital, visto que o mesmo não é armazenado em estoque. Não temos o soro disponível no município, ele fica na 20ª Regional de Saúde, em Toledo, que controla a distribuição. Mediante solicitação do médico, o soro é liberado”, menciona a fiscal sanitária. No caso da adolescente, um motorista do próprio hospital foi até Toledo, onde o soro foi fabricado e, posteriormente, trazido para aplicação na paciente.

 

Orientação

De acordo com ela, a Vigilância Sanitária pede para que as pessoas que encontrarem escorpiões não passem veneno comum. Os escorpiões têm oito pulmões, e eles conseguem fechar sete e ficar respirando somente com um. Além disso, o veneno comum é irritante para o escorpião e não letal. Sendo assim, ele sai de onde está para procurar abrigo onde não há veneno, ou seja, dentro das residências, destaca. Ela ressalta ainda que, nestes casos, o escorpião vem bem mais agressivo e a chance de acidente (picadas) é maior.

 

Cuidados

Alguns cuidados podem ser tomados visando evitar acidentes com escorpiões, como verificar cuidadosamente calçados, roupas, toalha e roupas de cama antes de usá-los; limpar periodicamente ralos de banheiro, cozinha e caixas de gordura; manter camas e berços afastados, no mínimo, dez centímetros da parede; evitar que lençóis toquem no chão; fechar frestas nas paredes, móveis e rodapés para que não sirvam de esconderijo para os escorpiões; usar telas nas aberturas dos ralos, pias e tanques.

Em geral, os escorpiões gostam de lugares com lixo e entulhos, por isso é recomendada a limpeza de quintais, jardins, terrenos baldios e ao redor das residências; evitar a formação de ambientes favoráveis ao aparecimento dos escorpiões como restos de obras, materiais de construção e terraplanagem, que possam deixar acúmulo de entulho, superfícies sem revestimento, umidade etc; colocar o lixo em sacos plásticos fechados para evitar baratas e outros insetos; mudar, periodicamente, de lugar materiais de construção que estejam armazenados e lembre-se de proteger as mãos com luvas grossas na realização do trabalho; retirar de paredes e muros plantas ornamentais densas, arbustos e trepadeiras; eliminar fontes de alimento para os escorpiões (baratas, aranhas, grilos e outros pequenos animais invertebrados); evitar a prática de queimadas em terrenos baldios, pois desalojam os escorpiões, entre outros animais; e manter jardins e gramados aparados e bem cuidados.

 

Recomendações em caso de acidentes

– Lavar o local da picada com água e sabão e encaminhar a vítima para o serviço médico mais próximo (preferencialmente levando o animal que causou o acidente para identificação de suas características).

– Nos acidentes considerados leves, a pessoa apresenta inchaço, vermelhidão, calor e pelos eriçados no local da picada. Nos casos moderados, somam-se sintomas como vômitos, náuseas, hipertensão e taquicardia. Os acidentes graves podem provocar vômitos intensos e frequentes, muita sudorese, agitação, aumento ou diminuição da frequência cardíaca, arritmias, contrações musculares, edema e choque.

– É indicado uso de soro antiescorpiônico para tratar os acidentes.

– Não é aconselhável usar veneno para combater os escorpiões, porque o desalojamento temporário pode favorecer a dispersão dos focos e o aumento da população do animal.

– De hábitos noturnos, os escorpiões costumam se esconder durante o dia sob cascas de árvores, pedras, tijolos, troncos podres, madeiras empilhadas, fendas, muros e porões, além de locais onde se acumula o lixo doméstico. São mais ativos durante os meses quentes do ano,  mas em épocas de muita chuva podem sair em busca de abrigo em áreas secas e residências.

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