Outubro é marcado por ser um mês de conscientização em relação ao autocuidado visando o diagnóstico precoce do câncer de mama. As campanhas que são realizadas anualmente e mobilizam a sociedade já surtem efeitos positivos em Marechal Cândido Rondon, pois o número de óbitos tem diminuído gradativamente.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, em 2019 seis mulheres atendidas via Sistema Único de Saúde (SUS) morreram em decorrência da doença. No ano seguinte foram quatro óbitos e, em 2021, até a presente data, um. “Tivemos uma queda nesses números e isso é extremamente importante”, ressalta a secretária Marciane Specht.
No entanto, a pandemia trouxe momentaneamente reflexos negativos, pois muitas mulheres tiveram receio em buscar as unidades de saúde para realizar os exames preventivos. “No ano de 2019 tivemos 1.316 exames de mamografia realizados no município. Em 2020, com todo o advento da pandemia que ainda vivemos, tivemos a realização de 780 exames de mamografia. Em 2021, até agosto na apresentação do 2º quadrimestre, tivemos 569 exames realizados. Ainda temos um quadrimestre em que buscaremos essas mulheres, em especial na campanha Outubro Rosa. Então, esses números tendem a se elevar. No entanto, temos conhecimento de que, provavelmente, não vamos conseguir atingir a meta dos anos anteriores pré-pandemia”, admite.
Conforme a secretária de Saúde, Marechal Rondon disponibiliza mensalmente 180 exames para o diagnóstico do câncer de mama, o que atende à demanda local. A novidade é que o Estado está liberando dentro das cotas da 20ª Regional de Saúde de Toledo um aumento de 30% para o mês de outubro, novembro e dezembro.
“Como é sabido que a população feminina de forma geral costuma buscar mais atendimento em outubro e as clínicas credenciadas não vão conseguir atender toda a demanda do mês, o Estado fez esse aporte de 30% a mais nas cotas. Para Marechal Rondon, e acredito que para os demais municípios que compõem a 20ª Regional de Saúde, é de grande valia. As clínicas têm uma capacidade limitada, então poder fazer os agendamentos até o mês de dezembro é extremamente importante para o município em termos de organização, mas também para os prestadores de atendimento à população”, argumenta.
A chefe da pasta lembra que o Ministério da Saúde preconiza a realização de mamografia no SUS às mulheres que tenham entre 50 e 69 anos, que deve ser refeita a cada dois anos quando não é identificada alteração no último exame. “As agentes comunitárias e a equipe do posto de saúde vão fazer o acompanhamento dessas mulheres. É feita a abordagem do exame de mamografia e seu encaminhamento junto à realização do preventivo”, informa.
Maior acesso
A paciente que busca a mamografia já sai da unidade de saúde do seu bairro com o exame agendado. A medida integra o planejamento da atenção primária em levar a saúde para mais perto da população, expõe Marciane.
De acordo com ela, em diagnóstico realizado ainda em 2017 ficou demonstrado que este vínculo entre paciente e unidade de saúde auxilia para que haja maior adesão a consultas e exames. “Dessa forma, propiciamos também àqueles que mais têm dificuldade em relação ao deslocamento para ir até o centro, isso tanto para as Estratégias Saúde da Família (ESF) da sede quanto dos distritos de Margarida e Porto Mendes. Foi um avanço”, comemora.
Como forma de incentivar as mulheres, durante todo o ano estão disponíveis agendamentos de mamografia e do preventivo, inclusive para realização de exames aos sábados. “Fizemos as estratégias em horário estendido de final de tarde, sabendo que as mulheres saem do trabalho após as 18 horas e podem facilitar o acesso ao posto, bem como no fim de semana. Algumas unidades, dependendo da sua população, já fizeram a abertura para atendimento no domingo de manhã. Isso mais uma vez demonstra a responsabilidade do Poder Público. Ao dar acesso à unidade básica de saúde, estamos prestando uma saúde com qualidade por oferecer um horário diferenciado. Isso faz com que nossa população entenda o compromisso da saúde rondonense com a população”, declara.
Preventivo
Em relação ao preventivo, o Ministério de Saúde orienta que seja realizado na faixa etária de 25 a 64 anos, pelo menos a cada três anos se o último exame não apresentar alterações. “É preciso dizer que, em 2019, foram 2.582 exames realizados; em 2020, 1.587 exames; e, em 2021, até agosto, 1.721 exames. Se olharmos o contexto de realização de exames preventivos e mamografia, mais em especial quando olhamos mamografia e óbitos por câncer de mama na nossa série histórica, apesar de termos tido em 2020 uma queda na realização de exames, estamos tendo a recuperação gradativa dessas mulheres que estão voltando às unidades básicas de saúde”, menciona Marciane, frisando que os dados são atrelados especificamente ao SUS e não incluem os exames feitos por meio de convênio ou particular.
Outubro Rosa
Ao avaliar os números da série histórica ao longo dos anos, ela entende que, enquanto sociedade, as ações voltadas ao Outubro Rosa têm cumprido e contribuído para o papel de prevenção de doenças e prevenção de saúde. “A união de esforços faz com que esse resultado esteja demonstrado em números. A queda destes dados é extremamente importante e demonstra que o papel da sociedade e da administração municipal, por meio do nosso prefeito Marcio Rauber, que nos orienta nas ações de prevenção a sempre buscar e atingir a população e o produto-fim, que é a saúde. Isso se cumpre quando observamos a queda nos óbitos. É um dado extremamente importante e mostra o papel sendo cumprido ao longo dos anos”, reforça.
Autoexame
Marciane diz que o autoexame é aconselhado a ser feito uma vez por mês, preferencialmente após o período menstrual. “O autoexame deve ser feito no sentido anti-horário para identificação principalmente de nódulos. Na apalpação pode haver a identificação de nódulos tanto na mama quanto na região axilar. Também há a inversão do mamilo, que pode ser um indicativo, e as questões relacionadas à perda de líquido ou substância do mamilo. São sinais de alerta. Quando a mulher identifica algum deles deve procurar o médico. Orientamos sempre que a porta de entrada é o posto de saúde”, detalha.
Quando há a constatação de que a paciente está com câncer de mama, ela é encaminhada para um dos dois hospitais de referência que atendem o município: a Uopeccan e o Ceonc, ambos de Cascavel. Nestas instituições especializadas no tratamento de câncer são feitos exames e, a depender do caso, radioterapia, quimioterapia e procedimento cirúrgico.
Atualmente, há em torno de 960 pacientes de Marechal Rondon, entre sexo masculino e feminino, sendo atendidos no Ceonc e na Uopeccan.
Outros tipos de câncer
Outra informação relevante é que o número geral de óbitos por algum tipo de neoplasia apresenta redução no município. Na série histórica, em 2019 houve 102 óbitos, em 2020 foram 182 óbitos e em 2021, com dois quadrimestres fechados, são 82 óbitos. “Percebemos uma redução de óbitos por algum tipo de câncer em Marechal Rondon”, salienta a secretária rondonense.

Secretária de Saúde de Marechal Rondon, Marciane Specht, com a coordenadora da Atenção Primária em Saúde, Raquel Rech: “Percebemos uma redução de óbitos por algum tipo de câncer em Marechal Rondon” (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)
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Fatores genéticos podem predispor a maiores chances de ter câncer, mas não são determinantes
O médico do Setor de Regulação da Secretaria de Saúde de Marechal Cândido Rondon, Rafael Mauro Dias, afirma que os fatores genéticos podem predispor a maiores chances de desenvolver determinado tipo de câncer. Porém, ele frisa: não são determinantes. “Indivíduos podem desenvolver a doença com ou sem eles (fatores genéticos). A descoberta do câncer ou de lesões precursoras pode se dar ainda através de exames de rastreamento (screening) em grupos mais suscetíveis, como acontece, por exemplo, no caso da mamografia e do exame de preventivo (citopatológico do colo do útero)”, diz.
De acordo com o profissional, características ou predisposições genéticas que aumentam a chance de desenvolver determinados tipos de câncer podem ser hereditárias. “É importante entender o que significa ‘hereditário’ nesse contexto. Seria uma condição genética transmitida para a próxima geração que aumentaria o risco de câncer”, esclarece.
O surgimento de um câncer em determinado órgão pode ser influenciado por fatores externos (como tabagismo, hábitos alimentares, exposição solar excessiva, outras radiações, toxinas, vírus etc) e internos (hormônios, alterações imunológicas, fatores genéticos). “A causa inclusive pode ser a combinação deles diante da exposição conjunta. Geralmente provocam dano celular repetitivo que demanda renovação/reparo repetitivo até acontecer o ‘erro’, em que se perde o controle sobre o crescimento celular e temos o aparecimento do câncer”, explica o médico.
Cuidados
Dias reforça alguns cuidados que podem ser tomados como forma de prevenir alguns tipos de câncer. “Peço que as pessoas se conscientizem e parem de fumar. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o tabagismo está fortemente associado ao câncer. De cada 100 pacientes que desenvolvem a doença, 30 são fumantes. O fumo é responsável por 90% das mortes por câncer de pulmão”, destaca.
Ele acrescenta sobre a importância dos pais vacinarem os filhos (meninos e meninas) contra o papilomavírus humano (HPV). “Tem surgido muita fake news contrária à vacinação. É preciso vacinar. A infecção pelo HPV é a grande responsável pela ocorrência de câncer de colo do útero e pode ainda acometer outras regiões (vagina, ânus, pênis, orofaringe e boca). Este câncer é um dos tipos mais evitáveis”, revela, emendando: “A vacina contra o HPV é o meio mais eficaz na prevenção do câncer do colo de útero. Ela é gratuita e está disponível no SUS nas faixas etárias estabelecidas pelo Ministério da Saúde”.
Para concluir, o médico lembra da importância de alimentação e hábitos de vida saudáveis. “São essenciais”, encerra.
O Presente