Marechal Sem limite de pavimentos

Marechal Rondon se credencia a receber edifícios cada vez mais altos

Revisão do Plano Diretor prevê aumento do potencial construtivo em uma mesma área. Ao invés de edifícios com no máximo dez andares, o que é observado atualmente, quando aprovada a nova lei, município estará autorizado a receber prédios de 15, 20, 40 andares ou mais, sem limite de pavimentos (Foto: Joni Lang/OP)

A revisão do Plano Diretor de Marechal Cândido Rondon, em tramitação na Câmara de Vereadores, prevê o aumento do potencial construtivo em uma mesma área. Com isso, ao invés de edifícios com no máximo dez andares, o que é observado atualmente, se aprovada a lei, o município estará autorizado a receber construções de prédios de 15, 20 ou 40 andares, por exemplo, ou sem limite de pavimentos, podendo abrigar arranha-céus.

Conforme o secretário municipal de Coordenação e Planejamento, Reinar Seyboth, o Plano Diretor aprovado no ano de 2008 possui delimitação de área mais localizada ao centro, prolongando-se em direção ao Bairro Botafogo, sendo possível verticalizar com até dez andares. “Na revisão foi estabelecida mudança do parâmetro principal onde se aplica a densidade que vai haver naquela região. Ampliou-se a área de atuação com número maior de pavimentos em áreas de baixa, média a alta densidade, portanto mais áreas podem ser verticalizadas. O principal balizador será o número de habitantes por hectare, sendo 1,2 mil moradores na zona de alta densidade, zona de média densidade com 400 habitantes por hectare”, explica.

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Segundo ele, no caso da zona de alta densidade, que exige em torno de 1,2 mil habitantes por hectare e tem área de dez mil metros quadrados, para um terreno de mil metros quadrados será permitido cerca de 120 habitantes. “Se dividirmos por três, que é o número médio por família, chegamos a 40 famílias ou então 40 unidades habitacionais em um mesmo edifício. Se for prédio de dez andares fica liberado construir quatro apartamentos por andar ou então se quiser um apartamento por andar, chegando a 40 pavimentos neste caso. Não existe mais limitação do tamanho de construção, mas quanto maior o potencial construtivo maior será a área a disponibilizar para fazer esta construção. A revisão do Plano Diretor facilita e amplia o potencial construtivo”, frisa Seyboth. Assim sendo, observa, poderão ser construídos edifícios muito altos, sem limite de andares desde que sejam respeitadas as exigências.

 

Secretário de Coordenação e Planejamento, Reinar Seyboth: “O principal balizador será o número de habitantes por hectare, sendo 1,2 mil moradores na zona de alta densidade e zona de média densidade 400 habitantes por hectare” (Foto: Joni Lang/OP)

 

SEGURANÇA

O corretor de imóveis Edemar Wollstein, da Edemar Imóveis, diz que de alguns anos para cá inúmeros construtores investiram na verticalização. “Nós entregamos quatro edifícios, com total de 84 apartamentos e 20 salas comerciais. O último foi o Edifício Pasetti, com duas salas comerciais e seis andares com três apartamentos, ou seja, 18 apartamentos. Cada apartamento tem duas vagas de garagem”, conta, informando que outro edifício que construiu recentemente foi o João Paulo, ao lado da Matriz Católica.

Ele ressalta que hoje boa parte de seus clientes leva em conta o quesito segurança na hora de adquirir um imóvel. “No caso de viagem é só fechar a porta e fica tudo resolvido”, comenta.

A tendência, de acordo com Wollstein, é aumentar a construção de prédios em Marechal Rondon, considerando que os loteamentos estão cada vez mais distantes. “São vários edifícios em construção e a possibilidade é subirem mais (ficarem mais altos)”, menciona.

O empresário revela que momentaneamente vai parar com a construção de edifícios. “Não tem como competir em termos de acabamento final. Entregamos apartamentos com qualidade diferenciada, o que não é observado em muitos condomínios. Então, após atendermos o cliente de elite, agora vamos parar com a construção de edifícios. Quem sabe daqui algum tempo voltamos, mas, agora, vamos focar nos loteamentos”, expõe.

 

Corretor de imóveis Edemar Wollstein: “A tendência é aumentar a construção de prédios, uma porque os loteamentos estão cada vez mais distantes e o pessoal quer mais comodidade. No caso de viagem é só fechar a porta e fica tudo resolvido” (Foto: Joni Lang/OP)

 

EDIFÍCIO MISTO

Na opinião do engenheiro civil Pedro Haag e do arquiteto Jonatan Schug, da Incorporadora Haag & Schug, a verticalização é uma tendência sem volta.

Eles contam que estão construindo edifícios em Marechal Rondon, Quatro Pontes e Toledo. Em Marechal Rondon, trata-se de um edifício na Rua Sete de Setembro, em frente à Loja da Cercar, no centro, com projeção média de 15 pavimentos, sendo a maior parte destinada à habitação e a menor parte a salas comerciais.

“Se analisarmos de dez anos para cá aumentou consideravelmente a quantidade de prédios construídos”, pontua Haag.

Schug avalia que atualmente o município tem cerca de 15 edifícios com dez pavimentos. “Com a revisão do Plano Diretor, será determinado número de habitantes em uma área geográfica e com isso podem ser construídos edifícios com mais pavimentos, obedecendo a questão dos zoneamentos, então no centro a possibilidade é de 1,2 mil habitantes por hectare”, salienta o arquiteto.

Tanto Haag quanto Schug apontam como vantagens de residir em prédios a proximidade de supermercados, bancos, restaurantes, farmácia, hospital, entre outros estabelecimentos comerciais que fazem parte do cotidiano das pessoas. “Segurança e comodidade são as principais questões que fazem com que as pessoas optem por apartamentos, sendo que há edifícios com atrativos, como piscina, sala de jogos e academia”, observa Schug.

 

Engenheiro civil Pedro Haag e o arquiteto Jonatan Schug: “Segurança e comodidade são as principais questões que fazem com que as pessoas optem por apartamentos, sendo que há edifícios com atrativos” (Foto: Joni Lang/OP)

 

INVESTIMENTO MENOR

De acordo com o coordenador do Núcleo de Imobiliárias da Associação Comercial e Empresarial (Acimacar), Roberto Thomé (Beto), a aquisição de um apartamento exige menor investimento do que se a pessoa fosse adquirir uma casa em uma área nobre. “Você acaba fracionando o custo do terreno e de morar em uma região privilegiada. Por exemplo, o preço vai para cima se uma pessoa comprar terreno para construir casa em uma localização de prédio. A despesa diminui e é possível morar em uma localização privilegiada, centralizada, perto de pontos de referência, como supermercado, escola, banco. Quem opta por morar em prédio abre mão de espaço de casa como jardim, tem menos privacidade, mas, por vezes, não vai precisar usar o carro”, exemplifica.

Beto diz que a verticalização está atrelada ao aumento da população das cidades e porque o deslocamento de um ponto ao outro neste caso se torna mais distante. Ele comenta que, embora Marechal Rondon tenha aproximadamente 53 mil habitantes, foi registrada uma “explosão” em número de edifícios. “Observamos que quando os filhos crescem e vão estudar fora muitos casais abrem mão da residência para morar em um prédio. Se for viajar, basta fechar a porta do apartamento e pronto”, pontua.

Por outro lado, Beto aponta que por se tratar de cidade pequena é comum as pessoas terem preferência por morar em casas. “Especialmente quem vendeu sua propriedade rural e veio para a cidade. Essas pessoas procuram morar em casas. No caso das residências, os moradores organizam a manutenção do lote, quintal ou jardim antes da noite e principalmente nos fins de semana, quando nos prédios é o condomínio quem gere essa questão e o morador tem tempo livre”, compara o representante do Núcleo de Imobiliárias.

 

Coordenador do Núcleo de Imobiliárias da Acimacar, Roberto Thomé (Beto): “Quando os filhos crescem e vão estudar fora muitos casais abrem mão da residência para morar em um prédio. Já quem vende sua propriedade rural e vem para a cidade procura morar em casas” (Foto: Joni Lang/OP)

 

(Foto: Joni Lang/OP)

 

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