Copagril
Marechal saúde mental

Marechal Rondon tem o maior índice de suicídios da 20ª Regional de Saúde

Foto: Divulgação

As estatísticas dão um alerta para a sociedade de Marechal Cândido Rondon: de acordo com dados da 20ª Regional de Saúde, o município rondonense tem um o maior índice de casos de suicídio registrados anualmente. “De janeiro deste ano até agora, foram registradas 11 ocorrências de suicídios em Toledo e quatro em Marechal Cândido Rondon Em 2018, foram 19 em Toledo e oito aqui. Levando em consideração a proporcionalidade dos dois municípios, sendo que Toledo tem três vezes mais habitantes do que Marechal Rondon, nosso município entre todos os da 20ª Regional de Saúde é o que tem o maior número de casos registrados”, destaca o coordenador do Comitê de Saúde Mental e Enfrentamento à Violência, psicólogo João Paulo Brunelo Miguel.

Falar sobre suicídio já foi um tabu muito maior na sociedade, contudo, o tema ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos, falta de informação e conversa sobre as condições de saúde mental das pessoas.

Casa do Eletricista folha LORENZETTI

Em busca de incentivar o diálogo sobre a prevenção ao suicídio e, especialmente, a valorização a vida, desde 2015 a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e ao Centro de Valorização da Vida (CVV) realizam a campanha nacional do Setembro Amarelo, tendo o dia 10 como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

 

TIRAR O TEMA DA INVISIBILIDADE

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas, dado que indica que a prevenção é fundamental para reverter a situação, garantindo ajuda e atenção adequadas aqueles que precisam. A primeira medida preventiva e que parte em busca de solucionar um problema já considerado de saúde pública é a educação.

É preciso perder o medo de se falar sobre o assunto e para isso o caminho é quebrar tabus e compartilhar informações. Esclarecer, conscientizar, estimular o diálogo e abrir espaço para campanhas contribuem para tirar o assunto da invisibilidade e mudar essa realidade.

A OMS estima que 32 brasileiros se suicidam diariamente. No mundo ocorre uma morte a cada 40 segundos. Aproximadamente um milhão de pessoas se matam a cada ano, todavia, sabe-se que os números são muito maiores, pois a subnotificação é reconhecida. Além disso, os especialistas estimam que o total de tentativas supere o de suicídios em pelo menos dez vezes.

 

AÇÕES LOCAIS

Em Marechal Cândido Rondon, o Comitê de Saúde Mental e Enfrentamento à Violência, ligado às secretarias de Saúde, Assistência Social e Educação, organiza ações para todo o mês de setembro com foco principal em dialogar com a comunidade.

De acordo com o coordenador do comitê, o trabalho terá três ações principais. A primeira delas é entrar em contato com a população por meio da mídia, especialmente nas emissoras de rádio, a fim de discutir dúvidas relacionadas ao suicídio, aos pontos de acolhimento, orientações e práticas de convivência que incentivem a comunicação sobre o tema e a valorização à vida. “Hoje estaremos na Rádio Difusora, a partir das 08h15, e na terça-feira (03) na Rádio Educadora, às 10h30”, informa.

A segunda ação acontece no dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, com a entrega de folders elaborados com base nas informações do Centro de Valorização da Vida, que serão distribuídos em diversos pontos do município, como supermercados, agências bancárias, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e na Associação Beneficente Cristo (Abec). “A terceira ação ainda não tem data prevista para acontecer, mas será realizada no decorrer do mês de setembro, depois do dia 10, que é uma fala do comitê e a entrega de materiais sobre a prevenção ao suicídio e pontos de acolhimento em empresas de Marechal Rondon. Algumas empresas já fizeram esta demanda e outras que tiverem o interesse podem entrar em contato conosco”, menciona Miguel.

 

INFORME-SE

O suicídio é um fenômeno complexo e de múltiplas causas, mas saber reconhecer os sinais de alerta pode ser o primeiro e mais importante passo.

Isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, frases como “preferia estar morto” ou “quero desaparecer” podem indicar necessidade de ajuda. “Quem se mata na realidade tenta se livrar da dor, do sofrimento, que, de tão imenso, parece insuportável”, diz o psicólogo.

Os canais de acolhimento e orientação a pessoas que batalham contra doenças mentais, ideações ou tentativas de suicídio são vários. Em Marechal Cândido Rondon, as Estratégias Saúde da Família (ESF), o Centro Integrado de Saúde (CIS) e o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) são as portas de entrada para quem precisa de apoio. Em casos de alto risco que configuram emergência, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) deve ser procurada.

Para quem está em sofrimento, mesmo que não tenha certeza se precisa de ajuda, o CVV também tem canais que oferecem apoio emocional por meio de chat on-line (www.cvv.org.br/chat/) ou ligando para 188, 24 horas todos os dias, de forma gratuita.

 

O Presente

TOPO