A pandemia fez com que muitas pessoas começassem a fazer certas coisas pela primeira vez. Algumas iniciaram ioga e cursos on-line. Outras optaram por aprender ou aperfeiçoar os dotes culinários e praticar jardinagem. E para afastar a solidão proveniente do isolamento social, muita gente passou a ter em casa a companhia de um animal doméstico.
Uma pesquisa apresentada pela Comissão de Animais de Companhia (COMAC), Radar Pet 2021, apontou que o número de animais de estimação nos lares brasileiros aumentou cerca de 30% durante a pandemia. Ligado ao Sindicato da Indústria Veterinária, o estudo demonstrou ainda que 23% dos tutores adotaram/compraram pets pela primeira vez.
Os números mantêm o Brasil entre os maiores mercados pet do mundo. O país ocupa o 3º lugar do ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos (1º) e da China (2º).

DEMANDA MAIOR
As clínicas veterinárias de Marechal Cândido Rondon perceberam o aumento desta demanda. Na Clínica Veterinária do Ari a procura por cães, gatos e roedores aumentou 25% na pandemia, segundo o médico-veterinário Paulo Henrique Giesel.
“Notamos também um aumento na procura por atendimento clínico. Acredito que com o isolamento e o ficar mais em casa fizeram com que as pessoas se tornassem mais atentas aos seus pets”, analisa.
Giesel acredita que esta época do ano é um momento propício para colocar um novo membro na família. “É um momento de alegria e satisfação pessoal pelo término do ano e um bichinho de estimação é um ótimo presente para as crianças”, pontua.

COMPRA E ADOÇÃO EM ALTANa Clínica Veterinária Formighieri também houve um aumento significativo nos negócios. Em média, antes da pandemia, o local tinha em torno de cinco ou seis cães semanalmente disponíveis para compra ou adoção.
Atualmente, não tem nenhum. “Foi um acréscimo de quase 300%”, revela o sócio-proprietário Bruno Formighieri. “Com a pandemia, pais e filhos ficaram com mais tempo disponível em casa, então era preciso uma ocupação, uma interação para gastar a energia física e mental”, expõe.
Na veterinária os cães representam quase 90% das adoções, seguido de felinos e roedores, como porquinhos da índia e hamsters. “São cachorros de todas as raças e portes”, pontua.

AMOR PELOS BICHOS
Ana Paula Gaspareli, “mãe” de Dudi, um spitz alemão anão, conta que seu marido Maurício sempre quis ter um cachorro pretinho. “Já tínhamos a Mya e agora temos o Dudi, que, além de fazer companhia para ela, trouxe uma imensa alegria para nós e para minha filha, Mariana. Com eles, ela aprende sobre cuidados com os animais, a ter responsabilidade, a dar e receber carinho e amor”, menciona.

A pequena Mariana com o Dudi, que foi adquirido pela família Gaspareli durante a pandemia: spitz alemão anão tem sido uma ótima companhia para a família (Foto: Divulgação)
Carin Regina Wachholz também adotou um pet durante a pandemia. Ela já tinha cachorro, mas sempre quis ter um gato. No entanto, tinha medo que os dois juntos não fossem dar certo. Até que a sua filha, Gabriela, serviu de lar temporário de uma gatinha em Toledo e trouxe o bichinho para Marechal Rondon em um fim de semana. “Eu me apaixonei imediatamente. Quando eu era adolescente morava no sítio e tínhamos vários bichos, mas quando vim para a cidade tive apenas cachorro”, recorda ela, que colocou o nome da gatinha de Jasmine.
Jasmine fica dentro de casa e é a companheira de todo momento de Carin. “Eu brincava um pouco com as cachorras, mas gosto de abraçar e dar carinho o tempo todo e agora faço isso com a Jasmine”, ressalta, acrescentando ainda que ensinou a gatinha a beber água na torneira da pia do banheiro. “Ela é a dona do pedaço”, resume.

MAIOR ATENÇÃO
Com as pessoas em casa, os donos de pets começaram a observar mais as ações dos seus bichinhos. Foi possível perceber a rotina e comportamentos diferenciados, além de aumentar a higiene dos animais. “Cirurgias, exames de rotina, de sangue e a procura pelo atendimento clínico tiveram um aumento significativo”, relata Formighieri.
Na parte da estética animal, ele destaca que banho e tosa animal aumentaram 30%. “Antes da pandemia os donos traziam os animais para tomar banho, em média, a cada 20 dias. Hoje isso acontece semanalmente”, comenta.
O consumo de produtos também aumentou. Para curtir mais os pets, equipamentos e guias para passear tiveram uma grande procura. “Entre 20% e 30%, junto com brinquedos e acessórios para a interação animal, neste quase dois anos de pandemia”, conta.
O veterinário chama atenção para esta época de fim de ano. “Neste período de férias há muitos abandonos e fugas. Muitas pessoas viajam e acabam deixando os animais sozinhos ou com algum conhecido. Pelo novo ambiente, muitos deles acabam fugindo”, observa Formighieri, lembrando que cães e gatos não são brinquedos. “Os animais são seres vivos e têm sentimentos. Vamos ser responsáveis”, destaca.
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