Empresários rondonenses do ramo de microcervejarias esperam um fim de ano de melhora nas vendas na comparação com o que foi observado de março a meados de julho, quando houve queda na comercialização de chope em virtude da pandemia do coronavírus, que gerou cancelamento de eventos com público tradicionalmente realizados em Marechal Cândido Rondon e microrregião.
Apesar das novas medidas restritivas anunciadas recentemente pelo Governo do Paraná, assim como o decreto publicado no último dia 05 pela prefeitura rondonense, que visam conter o avanço da Covid-19, os sócios-proprietários da Alken Bier e da Haus Bier, microcervejarias de Marechal Cândido Rondon, acreditam que o mês de dezembro será positivo quando levado em consideração o ano de 2020.
Eles destacam aquecimento nas vendas e apostam que as confraternizações familiares em pequenos grupos, dentro do que é permitido, darão fôlego ao setor. Outra questão apontada por eles é o risco de desabastecimento ou falta das principais marcas de cerveja no mercado, o que deve gerar uma espécie de corrida pelo chope. Com isso, as perdas do ano podem ser amenizadas pela maior procura pelo produto nesta reta final de 2020.

Haus Bier está preparada para vender até 50 mil litros neste mês, mas expectativa é de que não chegue a ser comercializado tudo isso (Foto: Joni Lang/OP)
QUEDA DE 60%
O sócio-proprietário da Haus Bier, Vitor Giacobbo, afirma que este ano foi atípico por causa pandemia. “Muitas confraternizações não vão acontecer e na região houve muito problema, então vai reduzir a venda. Esperávamos uma recuperação em novembro e dezembro, sendo este o mês que mais vende, porém novembro não aconteceu o que era aguardado e vendemos menos do que ano passado. A gente entende, porque as pessoas não fazem aglomerações, reuniões e nem festas. A venda no varejo, picada, está normal, pois as pessoas deixam de sair para um evento e consomem em casa, então vai nos ajudar um pouco, mas por mais que tentemos não vamos bater a meta do ano passado”, menciona.
Segundo ele, de março até o mês de julho houve queda de 60% nas vendas devido aos eventos cancelados. “Atendíamos bailes, festas de igreja e outros eventos, mas o cancelamento fez cair bastante a venda. Nós acreditávamos que de outubro em diante teria uma recuperação, e de fato subiu um pouco por causa do calor e porque foi liberado atendimento aos restaurantes e às pessoas, mas não teve a mesma venda que nos anos anteriores”, expõe.

Sócio-proprietário da Haus Bier, Vitor Giacobbo: “Existe o fato de que grandes empresas de cerveja devem registrar falta de produto e isso pode nos favorecer. Acreditamos que no Natal e Ano Novo vai haver grande corrida por produto, o que vai gerar falta de equipamento para atender a todos” (Foto: Joni Lang/OP)
ESTRATÉGIAS
Giacobbo revela que foram usadas várias estratégias para atingir o cliente e uma que ajudou bastante foi a venda de chope em garrafas pet dois litros. “O varejo ajudou, mesmo assim, na soma geral, os eventos que compravam 200 ou 500 litros ou encerramento de ano nas empresas, isso tudo não vai acontecer e não vemos possibilidade nesse sentido. Inclusive devido ao decreto dos últimos dias no Paraná a gente precisa se preparar em caso de não conseguir vender o que pretendia, ou seja, vai ter que aguardar o ano que vem para uma melhora mais significativa”, analisa.
O empresário comenta que a média em dezembro desde 2017 era comercializar 50 mil litros de chope, tanto que Natal e Ano Novo tinha falta de produto para atender a clientela. “Este ano estamos preparados, temos matéria-prima, chope, mas o começo não mostra que vamos chegar lá. Vamos trabalhar, torcer, contudo a impressão é de que não vamos alcançar esta venda”, prevê.
Segundo ele, existe o fato de que grandes empresas de cerveja devem registrar falta de produto. “Isso pode nos favorecer por sermos locais. Estamos apostando nisso, pois no caso de refrigerante a entrega não ocorre no prazo, então se isso acontecer com a cerveja, vamos vender um pouco mais”, comenta.
O sócio-proprietário da Haus Bier alerta para o risco de falta de equipamento, no caso chopeira, para quem deixar para a última hora. “Há procura e venda, bem como em eventos restritos, com poucas pessoas, mas a questão é que as microcervejarias atendem um número limitado, então pode faltar equipamento (chopeira). Não vale a pena comprar mais máquinas porque em janeiro a venda volta ao normal, ou seja, reduz. Para Natal e Ano Novo terá uma corrida por produto e vai faltar equipamento para atender”, adianta.
Em relação aos tipos de chope, a Haus Bier trabalha com pedidos em maior volume no cristal, lager e puro malte. A possibilidade é do cliente comprar chope em garrafas pet dois litros, assim como nos barris de dez, 15, 20, 30 e 50 litros. “A faixa de preço praticada é de R$ 7,80 o litro nos volumes grandes e menores na média de R$ 8 o litro. Também temos tele-entrega com horário de atendimento ampliado até as 22 horas de segunda a sexta-feira”, informa.

Alken Bier ampliou produção de chope e também está pronta para atender a clientela com bastante produto neste fim de ano (Fotos: Divulgação)
IMPACTO INICIAL
O sócio-proprietário da Alken Bier, instalada no distrito de Porto Mendes, Bruno Konieczniak, diz que a expectativa de venda para este final de ano se mantém como nos anos anteriores: em alta. “Sempre falta chope no Natal e Ano Novo e depois começa a normalizar, então neste período de festas vende mais bebida do que o normal”, relata. “Durante os meses de março e abril, devido à pandemia, houve queda em torno de 60% das vendas”, cita, reconhecendo que a baixa na comercialização se estendeu mais algum tempo, porém em menor escala. “Acredito que pelo calor da região no verão, que é muito quente, vamos vender bem, então a previsão é sair muito chope mesmo”, aposta.
VAI FALTAR
Konieczniak menciona que embora o fim de ano seja de aumento nas vendas de chope, não é possível comparar com anos anteriores, pois está anormal devido à pandemia. Todavia, as datas neste ano devem beneficiar as vendas. “Natal e Ano Novo caem numa sexta-feira, o que pode nos ajudar porque os clientes pegam uma litragem maior do que ano passado, quando dia 25 e 1º foram numa quarta-feira, então agora as pessoas vão confraternizar sexta, sábado e domingo. Daqui alguns dias vamos encerrar os pedidos porque não teremos capacidade de atender mais, ou seja, vai faltar chope”, revela, otimista.
Ele diz que não consegue fazer uma projeção de média de litros produzidos ao ano, pois em 2019 foram trocados os equipamentos, tendo sido fabricado mais chope neste ano. “Houve um salto muito grande. Acho que o aumento deve ser de 20% a 25% no período de fim de ano”, projeta.
Conforme ele, em torno de 90% dos pedidos são via encomenda e a partir de 07 de setembro foi observada falta de chope. “Temos tele-entrega na fábrica em Porto Mendes, em Mercedes e interior e em Marechal Rondon no Multifesta, então valor e orçamento devem ser vistos com eles”, expõe.

Sócio-proprietário da Alken Bier, Bruno Konieczniak: “Natal e Ano Novo caem numa sexta-feira, o que pode nos ajudar porque os clientes pegam uma litragem maior. Pelo que tenho reparado nos próximos dias vamos parar os pedidos porque pode faltar chope”
TIPOS DE CHOPE
O empresário declara que desde o começo da pandemia observou-se pedidos com menor litragem de barris, porque as pessoas consumiam em casa.
Segundo Konieczniak, do mês de março em diante há produção de estilos mais encorpados para um clima mais ameno. “Já no verão o pilsen é o mais consumido. Hoje temos três estilos definidos: pilsen, märzen bier e schwartzbier, que ano que vem vamos retomar a produção novamente. Vendemos chope em barris de dez, 20, 30 e 50 litros. Hoje o chope está mais em alta por causa da praticidade e pelo custo mais acessível em relação à cerveja de garrafa”, finaliza.
O Presente