Com uma trajetória em diferentes cargos na Associação Comercial e Empresarial de Marechal Cândido Rondon (Acimacar), a empresária Carla Rieger Bregoli está se preparando para assumir um desafio ainda maior: a presidência da entidade.
Indiferente à nova data da eleição para escolha da futura diretoria, a qual foi adiada em abril em virtude da pandemia de Covid-19, a rondonense pretende colocar seu nome à disposição para comandar a Acimacar. “Existe todo um preparo. Conheço os projetos e a instituição. Acredito muito na Acimacar e tenho buscado me preparar para quando for a hora eu estar na presidência. É uma caminhada e um projeto que em 2021, de repente, nos levará a estar à frente da Acimacar”, enaltece.
Em entrevista ao O Presente, a atual 1ª vice-presidente da Associação Comercial falou das dificuldades dos gestores e líderes em encontrar um equilíbrio entre a saúde e a economia e discorreu sobre os desafios dos empresários rondonenses, que enfrentam pela terceira vez o fechamento do comércio. “Teremos tempos difíceis pela frente, assim como temos agora. Enquanto empresários, teremos de buscar nos diferenciar”, ressalta. “É uma situação muito difícil. Precisamos ter resiliência, empatia, força e motivação para se reinventar. A Acimacar vai seguir fazendo tudo o que puder, sempre. Que não venha um novo fechamento, que nos deixem trabalhar. Todos somos essenciais”, destaca.
A líder empresarial, que é ligada ao ramo de farmácia e do agronegócio, também opinou sobre o que espera do período pós-pandemia e em relação ao legado que esses tempos inéditos irão deixar à sociedade. Confira.
O Presente (OP): Estamos vivendo um ano atípico, com situações inéditas. Inevitavelmente, a pandemia de coronavírus trouxe uma série dificuldades. Todo mundo, de alguma maneira, acabou sendo atingido. Há muitas opiniões divergentes – principalmente entre aqueles que defendem seguir as orientações dos órgãos de saúde e aqueles que desaprovam as restrições impostas por entenderem que a economia não pode parar -, além de intrigas políticas, o que torna tudo ainda mais delicado. Qual avaliação você faz deste cenário?
Carla Rieger Bregoli (CRB): Nós vivemos um ano totalmente atípico, diferente, nunca visto no mundo, e precisamos nos adequar. Devemos zelar pela saúde, mas não podemos esquecer da saúde econômica da cidade, da sociedade e principalmente das empresas. Acredito que se a gente cuidar, colocar em prática as normas sanitárias, fazer o isolamento e ir ao comércio somente quando precisar, vamos conseguir segurar, que é o que tem acontecido em Marechal Rondon. Desde o início estamos fazendo o correto e por isso temos poucos casos em nosso município.
OP: Os gestores dos Estados e municípios têm enfrentado muitas dificuldades em encontrar um equilíbrio entre a saúde e a economia. Temos exemplos próximos, como prefeitos e até mesmo líderes empresariais na região sofrendo certo desgaste em função das medidas restritivas adotadas e que, na maior parte das vezes, nem foram determinadas por eles. Como você vê essa situação?
CRB: É um momento delicado. Nós precisamos seguir os decretos que vêm de cima, então seguimos a hierarquia. Penso que os gestores estão em um momento difícil, assim como toda a sociedade, comerciantes, aqueles que precisam ficar isolados. Prefeitos, governadores e o presidente precisam zelar pelo todo e a responsabilidade é muito grande. Todos estão tentando fazer dar certo, agora o preço a ser pago não se sabe.
OP: Os decretos publicados desde o mês de março têm causado muita polêmica, principalmente porque limitam o funcionamento das atividades consideradas não essenciais. Marechal Rondon, por exemplo, já enfrentou por três vezes o fechamento do comércio. Como toda essa situação impactou e vai seguir impactando o município?
CRB: Estamos sentindo os impactos disso. Temos empresas que fecharam e pessoas que foram demitidas. O futuro, não sabemos o que vai acontecer. Estamos novamente em uma quarentena de isolamento e de fechamento, com os mesmos ramos fechados. Como dizer que são atividades não essenciais? Tudo o que o decreto determina em termos de prevenção foi feito, mas acredito que esses impactos vamos sentir muito tempo ainda.
OP: Você é farmacêutica e empresária no ramo de farmácia, um dos setores que, em tese, não foi impactado, pelo contrário, conseguiu ver suas vendas ampliarem neste período pelo fato de muitas pessoas buscarem se automedicar visando aumentar a imunidade para se prevenirem da Covid. Isso confere?
CRB: Tivemos redução muito grande no número de pessoas consultadas, pois elas deixaram de ir para hospitais, clínicas e até mesmo à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), e isso reflete na farmácia. Tivemos um aumento significativo na procura por determinados produtos, mas de uma forma geral, com menos pacientes e menos receiturários, as vendas não aumentaram, elas diminuíram.
OP: Por pertencermos a uma região que tem como base o agronegócio, você acredita que sofreremos menos prejuízos que muitos outros municípios?
CRB: O agro é o que sustenta, fomenta e está fazendo com que a economia do Brasil vá bem. Na nossa região estamos sentindo os impactos da pandemia e vamos seguir sentindo, mas o agro vai impulsionar e fazer com que retomemos antes. A cadeia produtiva de uma forma geral vai fazer a diferença e sustentar nossa economia, assim como tem sido todo ano em nossa região. Somos fortes por isso.
OP: Você acredita que as vendas e a economia em si vão se fortalecer rapidamente, depois desses contratempos todos, ou ainda haverá um tempo grande até a recuperação?
CRB: O que temos ouvido falar e o que vemos é que vai um bom tempo para se recuperar. Enquanto empresários, teremos de nos reinventar, buscar nos diferenciar. Teremos tempos difíceis pela frente, assim como temos agora. Vamos ter que buscar ainda mais campanhas, fazer essa junção de associação e comunidade, enfim, dos poderes como um todo, para podermos sair o quanto antes desses tempos difíceis. Algumas pessoas falam em muitos anos, contudo, é difícil dimensionar, prever. O que esperamos é que a recuperação aconteça o mais breve possível.
OP: A eleição da nova diretoria da Acimacar aconteceria em abril, mas foi adiada em virtude da pandemia. Há alguma novidade neste sentido. Está sendo avaliada uma nova data?
CRB: Todos os anos no dia 07 de abril acontece a troca de diretoria. Neste ano, num primeiro momento, pensamos como poderíamos fazer essa troca, mas, diante de uma normativa que determinou que todas as associações permanecessem com seus integrantes nas diretorias até 30 de outubro, adiamos a eleição. Após essa data vamos analisar como vai ocorrer.
OP: Indiferente de definição de data, quando for marcada a eleição, você vai colocar seu nome à disposição para concorrer à presidência da Acimacar?
CRB: Tenho uma caminhada na associação, estou à frente (em diretorias) há oito anos. Estive à frente (da organização) do Prêmio Marechal, fui a vice-presidente do Comércio, então estou me preparando. É um momento bem especial, um desafio na minha vida. Gosto muito do associativismo e acho que a nossa região é diferenciada por essas forças e essas pessoas que fazem a diferença dentro da sociedade. É uma caminhada e um projeto que em 2021, de repente, nos levará a estar à frente da Acimacar.

1ª vice-presidente da Acimacar, Carla Rieger Bregoli: “Acredito muito na Acimacar, em nossos projetos e tenho buscado me preparar para quando for a hora eu estar na presidência. Preparado a gente tem que estar e a caminhada vai ensinar também aquilo que eu preciso aprender” (Foto: Joni Lang/OP)
OP: Tem sido praxe na Acimacar nos últimos anos os vices de uma gestão assumirem a presidência da gestão seguinte. Você se sente preparada para comandar a entidade?
CRB: Assumi a 2ª vice-presidência no primeiro ano do presidente Gerson (Froehner), em abril de 2017, fui 2ª vice dois anos e quando o Ricardo (Leites de Oliveira) assumiu a presidência assumi a 1ª vice-presidência. Existe um preparo. Conheço os projetos e a instituição. Acredito muito na Acimacar e tenho buscado me preparar para quando for a hora eu estar na presidência. Preparado a gente tem que estar e a caminhada vai ensinar também aquilo que eu preciso aprender. Quem esperava uma pandemia em 2020, um ano em que todo mundo dizia que seria excelente? Os gestores, as pessoas que estão à frente das associações, das prefeituras, do governo, da presidência, todos estão tendo que aprender. Temos que ter empatia, pensar no outro, e isso a Acimacar tem muito claro porque juntos somos fortes. Essa associação, essa junção de pessoas, esse buscar sempre o melhor para os associados, para a sociedade, para a cidade eu acho que faz muita diferença. Me preparo e busco esse preparo todos os dias, não pensando somente na presidência, mas como indivíduo em si, de evoluir e se tornar um ser humano melhor. A gente busca todos os dias ser melhor e buscar o melhor.
OP: Se eleita, você será a terceira mulher a estar à frente da Acimacar, por sinal, uma entidade bastante significativa para Marechal Rondon e referência em nível de Estado por sua expressiva representatividade. O que isso, desde já, representa para você?
CRB: São desafios. Nós tivemos duas grandes mulheres, duas grandes líderes à frente da Acimacar. Me inspiro muito nelas, pois acredito que foram grandes presidentes em momentos diferentes. Com a Úrsula Kaiser não estive tão presente, mas a trajetória da Ana Carolina Seyboth eu acompanhei. É uma mulher que me inspira muito. Quando somos sustentados por pessoas que estão do nosso lado não sentimos o peso da cadeira. A diretoria da Acimacar sempre dá suporte ao presidente, os funcionários também, e temos colaboradores fantásticos na associação. A Acimacar é a maior associação per capita do Estado e por que não dizer do Brasil. Uma entidade de muita representatividade e com muitos projetos. Não dá para dizer que (assumir o cargo) é um peso, porque acredito que estarei com uma boa diretoria e com pessoas que com a trajetória da Acimacar, com seus cinquenta e dois anos, nos apoiam.
OP: Há anos você participa de diretorias de conselhos e cargos na Acimacar, está à frente da organização de eventos importantes, como o Prêmio Marechal. Agora, está a um passo de se tornar presidente da entidade. Isso não a estimula a posteriormente vislumbrar um envolvimento com a política?
CRB: Não. São coisas distintas. Hoje me preparo para ser uma boa presidente, para exercer o cargo à altura da associação comercial. Quando estamos à frente de um cargo numa associação, temos que ser apartidários, apolíticos, vamos dizer assim, sempre pensando a favor dos grandes projetos, das coisas boas para a nossa sociedade. É isso que vamos buscar e apoiar.
OP: Seu pai sempre foi bastante envolvido com a política, mais no passado do que atualmente, inclusive chegou a ser prefeito em Pato Bragado. Nem a experiência vinda de casa, neste sentido, lhe estimula a pensar a entrar na vida pública?
CRB: Tive um grande líder na vida pública. Meu pai é um homem que inspira, muito correto, fico feliz pela trajetória dele. Foi por muitos anos vereador e depois prefeito de Pato Bragado. Gosto muito da política, mas hoje não é o meu foco. Nós precisamos participar da política, a comunidade precisa se envolver, assim como os grandes líderes. Isso faz com que a nossa sociedade vá melhor. Então, vivencio, mas não vislumbro nada em relação à política. Hoje, com a representatividade que a Acimacar tem, nós conseguimos fazer aquilo que alguns políticos fazem, ou seja, estar ao lado de bons projetos e buscar aquilo que a sociedade procura, fazendo Marechal Rondon melhor. Esta é a minha bandeira, não uma bandeira partidária, mas, sim, Marechal Cândido Rondon. Amo esta cidade e busco fazer por ela aquilo que é melhor sem vínculos políticos.
OP: Como você avalia o andamento da Campanha Retoma Marechal, que momentaneamente foi paralisada e será reiniciada em breve? Atingiu seus propósitos até aqui?
CRB: A Campanha Retoma Marechal é o desejo da retomada de Marechal Cândido Rondon, da economia, do comércio, enfim, de fazer a roda girar novamente. Serão R$ 80 mil em vales-compras, um estímulo significativo. Tivemos seis sorteios e teremos ainda mais nove. Com a paralisação momentânea devido ao novo fechamento do comércio, os sorteios seguirão até agosto. Nos sorteios, vemos muitos cupons, e isso mostra que as pessoas estão comprando, o que nos deixa muito felizes.
OP: Enquanto líder empresarial, o que você diria aos empresários rondonenses, que nesse momento de comércio fechado pela terceira vez enfrentam dificuldades, muitos até demitindo…
CRB: É uma situação muito difícil. A Associação tem feito de tudo. Buscamos a reabertura do comércio, solicitamos para que esse decreto (que vigorou até terça-feira, 14) não durasse tantos dias, inclusive enviamos ofícios ao governador, vice-governador e alguns políticos. Tomamos providências neste sentido, assim como a Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná) e a Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná). Me coloco todos os dias ao lado desses empresários e vejo que precisamos ter resiliência, empatia, força e motivação para se reinventar, pois vamos precisar muito disso. É difícil você estar com sua empresa fechada e as contas vencendo. Desejo força para esses empresários e digo que a Acimacar vai seguir fazendo tudo o que puder, sempre. Inclusive, hoje, já nos antevendo, estamos buscando caminhos caso um novo decreto venha a ser divulgado. Nós não podemos pedir que a lei não seja cumprida, pois ela precisa ser obedecida. E isso, infelizmente, torna as coisas muito difíceis. Que não venha um novo fechamento, que nos deixem trabalhar. Todos somos essenciais.
OP: O que esperar da fase pós-pandemia?
CRB: Acho que após a pandemia vamos viver algo muito melhor. Não é um novo normal, será um novo diferenciado. Nós estamos diferentes hoje e queremos conseguir passar por essa pandemia sem perder nenhum familiar ou ente querido. Os negócios, a saúde financeira, isso tudo nós vamos correr atrás. O que estamos passando vai servir de lição para entender que precisamos todos os dias buscar algo novo, que a qualquer momento nossa vida pode mudar muito. Vamos precisar de muita força de vontade, de muita determinação e de muita flexibilidade. Penso que passaremos a entender de forma mais profunda o quanto precisamos uns dos outros.
OP: Que legado esses tempos inéditos que estamos vivendo vai nos deixar?
CRB: Acredito que é olhar o outro com um olhar diferente. A gente precisa ser mais humano, ver que precisa do outro, que juntos somos fortes, que lutamos por um mesmo propósito. No dia a dia acabamos esquecendo de algumas coisas e agora, deixando a vida agitada de lado, vivemos muito mais em família, tivemos a oportunidade de se olhar, se conhecer muito mais como pessoa. Com a saúde mental, física e psicológica em dia, vamos ter muito trabalho no futuro.
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