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Marechal

Movimento na rodoviária diminui 86% em Marechal Rondon

calendar_month 16 de abril de 2021
9 min de leitura

Com cerca de 600 metros quadrados de espaço físico e ocupando uma quadra da região central de Marechal Cândido Rondon, a rodoviária municipal recebia de 800 a mil pessoas diariamente e, em virtude da pandemia do coronavírus, viu esse contingente diminuir drasticamente. “No começo, fechamos a rodoviária totalmente por 40 dias, por meio de decreto estadual e municipal. Ao retornar às atividades, o número de pessoas circulando caiu para cerca de 100 a 150 pessoas”, menciona o diretor do local, Oilson Gilnei Tischer (Ticha).

O movimento desde o início da pandemia, segundo ele, caiu cerca de 86% na rodoviária rondonense.

Em termos de embarques, a diminuição foi de cerca de 82%. “Antes da pandemia, havia em torno de 400 embarques diários, em média. Hoje acontecem de 50 a 70 embarques por dia”, compara o diretor.

No que diz respeito aos veículos que utilizavam a rodoviária para embarque e desembarque, o número caiu pela metade. “Tínhamos entre 60 e 70 ônibus por dia. Isso diminuiu bastante e hoje temos de 20 a 30 veículos diariamente”, mensura.

Diretor da rodoviária rondonense, Oilson Gilnei Tischer (Ticha): “O fluxo de passageiros diminuiu gradativamente nesses anos. Contudo, ainda é bastante vantajoso fazer viagens de longa distância de ônibus em virtude do preço dos combustíveis” (Foto: O Presente)

 

DESTINOS MAIS PROCURADOS

Mesmo com menor demanda, Ticha informa que há ônibus disponíveis para todos os destinos. “Para todos os Estados brasileiros e todos os municípios do Paraná. Atendemos também os distritos rondonenses, como Bom Jardim, Porto Mendes, Margarida e São Roque”, enaltece, acrescentando: “Há ônibus diários, outros semanais e alguns têm escala em outros municípios, como Toledo e Cascavel”, detalha.

Os destinos mais procurados na rodoviária rondonense, conforme o diretor, ficam na região Oeste do Paraná. “Quatro Pontes, Cascavel, Foz do Iguaçu, Santa Helena, Missal, Nova Santa Rosa e Guaíra são os lugares com maior demanda de passagens”, comenta.

 

SUSPENSÃO DE LINHAS

Com menos passageiros na plataforma de embarque, muitas empresas de ônibus acabam desestimuladas a ofertar linhas. De acordo com o rondonense, a possibilidade de linhas serem suspensas foge do alcance da rodoviária. “Depende de cada agência e seus critérios de disponibilidade. Atualmente, há linha para todo o Brasil”, reitera.

 

PREÇOS

Questionado sobre o preço das passagens, Ticha diz que os ajustes aconteceram de forma normal neste período pandêmico. “O preço das passagens continua como antes, se manteve e agora conta com ofertas e opções de parcelamento. As empresas oferecem vantagens aos passageiros”, destaca.

 

PERFIL DOS PASSAGEIROS

O perfil dos frequentadores, observa o servidor, é bastante variado. “Jovens usam o transporte rodoviário para se deslocarem até a escola, universidades e para diversão. Adultos se deslocam mais em função de trabalho. Idosos usam os ônibus para passeio. É bem dividido”, aponta.

 

VANTAGENS

Ticha é diretor da rodoviária há quatro anos e nesse período, mesmo antes da ascensão do coronavírus, percebe o movimento cair ano após ano. “O fluxo de passageiros diminuiu gradativamente nesses anos. Contudo, ainda é bastante vantajoso fazer viagens de longa distância de ônibus em virtude do preço dos combustíveis”, considera.

Mesmo diante do movimento visivelmente reduzido, o diretor tem boas expectativas para o futuro. “Acredito particularmente que depois que as pessoas forem vacinadas o movimento volte ao normal. Não vai acontecer rapidamente, mas acredito que com o controle da pandemia as coisas vão melhorar por aqui”, projeta.

 

 

250 MIL A 300 MIL PESSOAS

O secretário de Mobilidade Urbana de Marechal Rondon, coronel Welyngton Alves da Rosa, diz que a rodoviária atendeu prontamente aos decretos relacionados à Covid-19. “Rapidamente se adaptou para que não tivéssemos uma demanda reprimida que prejudicaria as pessoas, mesmo que algumas empresas que prestam serviços ali tenham diminuído drasticamente rotas no auge da pandemia”, pontua.

Por vezes, relata o secretário, a rodoviária esteve com menos funcionários e pessoas, mas sempre atendendo a demanda básica do transporte coletivo, que é considerado essencial. “Nossa rodoviária tem uma circulação aproximada de 250 mil a 300 mil pessoas por ano, tanto embarque quanto desembarque. É um volume grande de pessoas que merece atenção especial”, salienta.

Secretário de Mobilidade Urbana, Welyngton Alves da Rosa: “Até março de 2016 quem administrava a rodoviária municipal era a extinta Codecar. A partir da extinção do órgão e até a presente data não houve alteração nos valores que as empresas pagam de aluguel nem das taxas de embarque” (Foto: Arquivo/OP)

 

VIABILIDADE FINANCEIRA

O movimento menor não interferiu nas finanças da rodoviária, expõe Welyngton. “Ela basicamente se paga com as empresas que trabalham lá; cobram-se as taxas de embarque e a utilização dos guichês pelas empresas que estão no terminal. A rodoviária não dá prejuízo para o município e é bem enxuta financeiramente. A equipe é extremamente reduzida, consegue administrar e atender as demandas do público sem muitos funcionários”, avalia.

 

REAJUSTE NAS TAXAS

Enxuta financeiramente como é, o dirigente da pasta acredita que a situação pode ficar ainda mais favorável à rodoviária com alguns ajustes na administração. “A rodoviária necessita de uma reavaliação da taxa de embarque e do aluguel dos guichês. Até março de 2016 quem administrava a rodoviária municipal era a extinta Codecar (Companhia de Desenvolvimento de Marechal Rondon). A partir da extinção do órgão e até a presente data não houve alteração nos valores que as empresas pagam de aluguel nem das taxas de embarque”, informa.

Segundo ele, uma nova licitação deve ser feita para ajustar a questão. “Será avaliada futuramente uma nova licitação para que esses valores sejam atualizados e que o número de empresas que trabalham ali aumente, melhorando sensivelmente o serviço prestado para a comunidade”, projeta.

De acordo com a administração da rodoviária, 80% dos boxes do local estão ocupados com a administração, empresas de ônibus e lanchonetes.

Autoridades já cogitam mudar a rodoviária de lugar. Avenida Írio Welp seria uma via cogitada para o terminal rodoviário (Foto: O Presente)

 

CHEGADA E DESPACHO DE CONTRABANDO

Recentemente, a rodoviária municipal recebeu a instalação de câmeras de segurança que, conforme o secretário, era uma demanda antiga daqueles que frequentam o local e das forças policiais. “Com o monitoramento eletrônico, evitamos depredações, furtos, roubos e arruaças. Muitas vezes a rodoviária foi utilizada para despacho e chegada de contrabando, descaminho e tráfico de entorpecentes. A polícia necessita desse monitoramento e foi atendida”, enaltece.

 

MELHORIAS FUTURAS

Além da questão de segurança, Welyngton afirma que mais melhorias devem acontecer no local. “Existe um projeto junto à Secretaria de Planejamento para que aconteça a elevação de duas plataformas de embarque e desembarque, atendendo aos ônibus de dois andares que estão chegando na nossa rodoviária e não têm um local adequado. A ideia é também reformar a casa que auxilia os taxistas, oferecendo melhores condições a estes profissionais. Talvez seja até em um novo local, deixando aquela área para embarque e desembarque de passageiros. Isso ainda está sendo estudado. Esses dois projetos já estão em andamento”, assegura.

Uma tendência vislumbrada em grandes centros é a privatização de espaços administrados pelo Poder Público. O secretário garante que não há planos nesse sentido para a rodoviária. “Não há estudos sobre isso, tendo em vista que a rodoviária não é tão onerosa para o município. Ela se paga e fornece um serviço de qualidade para Marechal Rondon”, enfatiza.

Rodoviária municipal foi construída há cerca de 50 anos e há necessidade de modernização do espaço (Foto: O Presente)

 

MUDANÇA DE LOCAL

As quase duas quadras ocupadas com a rodoviária rondonense são localizadas no centro do município, um espaço nobre no aspecto comercial e residencial. “Quando a rodoviária foi construída há 40 ou 50 anos atendia a demanda da cidade e não estava em uma área valorizada como é hoje. A cidade cresceu e envolveu a rodoviária”, expõe.

Segundo o secretário, soluções neste sentido já foram levantadas. “Levamos ao conhecimento dos escalões superiores que deveríamos buscar recursos junto ao Ministério do Turismo, ao Governo do Estado e emendas parlamentares e nos precaver quanto à dotação orçamentária do município para mudanças no local. Devemos tentar fazer uma rodoviária mais moderna e em uma localização diferenciada, como, por exemplo, próximo à Avenida Írio Jacob Welp. Seria um local com fácil entrada e saída da cidade para a BR-163, com destino a Guaíra, Toledo e Cascavel”, exemplifica, acrescentando que a mudança de local é uma necessidade a ser discutida no futuro: “Eu, particularmente, penso que a rodoviária deveria estar em outro lugar, com melhores condições de banheiro, de lanchonetes e guichês mais espaçosos para as empresas que trabalham ali, mas tudo isso demanda orçamento e planejamento. Com certeza em um futuro muito próximo nós concretizaremos isso”, almeja.

 

PARTE OCIOSA

Quem anda pela rodoviária consegue vislumbrar, em um dos extremos da quadra, um amplo espaço que não é utilizado para embarque e desembarque de passageiros. Conforme Welyngton, o local era usado pelos ônibus que atendiam os distritos rondonenses. “Esse transporte tinha um custo elevado e apenas uma pequena quantidade de passageiros usufruía. Em virtude disso, não há mais essas linhas”, relembra, emendando que depois da interrupção da rota parte da estrutura ficou ociosa.

Segundo ele, a legislação proíbe que sejam dadas novas utilizações ao espaço. “A lei que doou o terreno para construção da rodoviária é específica para que o espaço só seja utilizado para finalidade de rodoviária municipal, não abrindo para outros fins. Quem sabe, futuramente, a rodoviária mude de local e o espaço agora ocioso possa atender outras demandas. Realmente, é um espaço ocioso e temos essa preocupação quanto a ele”, finaliza.

Sem as linhas que atendem os distritos rondonenses, parte da rodoviária está ociosa (Foto: O Presente)

 

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