Marechal Taxa de natalidade

Nascem mais meninos do que meninas em Marechal Rondon

(Foto: Eduardo Neuberger)

Enquanto algumas coisas voltaram “ao normal” com a amenização dos números da Covid-19, alguns índices seguem oscilando devido aos efeitos da pandemia. Exemplo disso é a taxa de natalidade – número de nascidos vivos em determinado intervalo de tempo e lugar -, que sofreu e ainda sofre implicações depois de períodos de isolamento social e medidas de prevenção ao coronavírus.

No Brasil, o número de nascimentos foi decrescente nos últimos seis anos e, segundo o Portal da Transparência do Registro Civil, esse movimento se intensificou com a pandemia. Antes da pandemia, havia 15 mil brasileiros a menos nascendo por ano desde 2017, diminuição que passou para 30 mil bebês/ano depois de 2020.

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Em 2017, nasceram 2,82 milhões de brasileiros, número que chegou a 2,81 milhões em 2019. Um ano depois, com a pandemia, cerca de 2,65 milhões pessoas nasceram no Brasil, chegando a 2,62 milhões em 2021. “É preciso deixar claro que o Brasil ainda cresce, nascem mais pessoas do que morrem. Nós temos um crescimento populacional ainda, mas está bem lento. É uma tendência mundial e o Brasil está também nessa lista com uma baixa natalidade. Isso já acontecia antes da pandemia, mas sem dúvidas foi intensificado pela crise sanitária”, disse o vice-presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), Luis Carlos Vendramin Júnior.

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Índice estável em Marechal Rondon

Em Marechal Cândido Rondon, no entanto, o índice não apresentou tantas oscilações. No município, a taxa de natalidade se manteve estável mesmo na pandemia. “O número de nascimentos na última década, em Marechal Rondon, se mantém entre 700 e 800 ao ano. Pode-se afirmar, inclusive, que existe uma estabilidade”, pontua a registradora civil do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais rondonense, Thaís Bosio Cappi.

Em 2018, 792 nascimentos foram registrados em Marechal Rondon, 746 em 2019, 765 em 2020 e 763 em 2021. Considerando os primeiros trimestres dos últimos anos em Marechal Rondon, em 2022 houve 192 registros de nascimentos, menos do que em 2021 (222). No 1º trimestre de 2018, foram registrados 188 rondonenses, 198 em 2019 e 183 em 2020.

 

Bebês da pandemia

Ao O Presente, Thaís diz que o único desvio expressivo do índice médio aconteceu em dezembro de 2020, quando 52 rondonenses foram registrados. “Na sequência, o primeiro trimestre de 2021 apresentou uma alta considerável de nascimentos, chegando a 82 registros no mês de março. A partir desse período, os números voltaram à média”, expõe, emendando que esses bebês foram gerados durando o período em que vigoraram as medidas mais restritivas de isolamento social. “Ainda havia muita incerteza sobre a doença e não existiam vacinas disponíveis”, relembra.

 

Meninos x meninas

Com exceção do ano de 2021, o número de nascimentos do sexo masculino tem sido superior ao do sexo feminino em Marechal Rondon. “A prevalência também se observa no Paraná (75.343 meninos e 70.852 meninas) e no Brasil (1.368.892 meninos e 1.304.680 meninas), conforme dados relativos a 2020 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, destaca a registradora.

 

Tendência de municípios interioranos

Ela avalia que a tendência de estabilidade na taxa de natalidade possivelmente se repetiu em outros municípios interioranos. “Atribuo isso à manutenção de uma certa ‘normalidade’, pois, embora tenham sido adotadas medidas de isolamento, não tivemos lockdowns severos. Além disso, grande parcela da população trabalha no comércio e no setor de serviços, que mantiveram as atividades durante a pandemia, bem como na agricultura. Com isso, numa avaliação leiga, talvez os níveis de incerteza e percepção de uma crise não tenham atingido os munícipes com tanta intensidade a ponto de adiar os planos de gerar um bebê”, considera.

Registradora civil do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais rondonense, Thaís Bosio Cappi: “O número de nascimentos na última década, em Marechal Rondon, se mantém entre 700 e 800 ao ano. Pode-se afirmar, inclusive, que existe uma estabilidade” (Foto: Divulgação)

 

Pandemia posterga, mas não suspende planos de aumentar a família

Carolina e Giovani Glitz tornaram-se papais durante a pandemia. Segundo os rondonenses, os planos de engravidar chegaram a ser postergados devido à Covid-19, mas, depois de avaliar a situação, eles mudaram de ideia e a família acabou aumentando. A pequena Olívia, filha do casal, veio ao mundo no dia 04 de março deste ano, no Hospital Rondon.

“Tínhamos uma viagem à Holanda marcada para abril de 2020 e depois dela queríamos engravidar. Devido à pandemia não viajamos e, por isso, adiamos os planos para 2021. As passagens foram remarcadas para início do ano passado, mas não pudemos ir novamente. Em fevereiro de 2021 vimos que a pandemia estava se prolongando muito e decidimos não esperar mais para tentar um bebê”, conta Carolina ao O Presente.

Agora, a família se prepara para viajar com a pequena Olívia, mas está escolhendo outro destino.

Rondonenses Carolina e Giovani Glitz com a pequena Olívia, nascida 04 de março deste ano (Foto: Divulgação)

 

Cenário local

De acordo com a mamãe, os índices epidemiológicos da Covid-19 em Marechal Rondon foram “pesados” na decisão de aumentar a família. “Os números demoraram mais para disparar em Marechal Rondon, diferente de outras cidades, onde a situação estava muito ruim. Aqui o cenário estava mais ameno e isso nos tranquilizou para engravidar, além de saber que a vacina já estava sendo aplicada. Talvez se no começo de 2021 os números aqui estivessem mais altos ou se eu morasse em uma cidade com um quadro pior de casos de Covid-19 não teria tido coragem de engravidar”, expõe a rondonense, que teve a doença no início deste ano enquanto estava grávida, mas já estava vacinada e não teve problemas com a gestação.

Olívia Glitz (foto acima) é uma entre os 136 bebês nascidos no Hospital Rondon entre janeiro e abril de 2022 (Foto: Divulgação)

 

Hospital Rondon e Hospital Municipal

Olívia Glitz (foto acima) é uma entre os 136 bebês nascidos no Hospital Rondon entre janeiro e abril de 2022. No primeiro quadrimestre de 2021, em comparação, houve 152 nascidos na instituição hospitalar.

Somente no Hospital Municipal Doutor Cruzatti, desde 2017, já foram registrados 1.651 nascimentos.

 

O Presente

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