Dentro do prazo estabelecido pelo edital de eleições sindicais, apenas uma chapa foi inscrita para a sucessão de diretoria no Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon. A eleição está marcada para 25 de janeiro de 2019, sendo que a posse oficial acontece no dia 26 de fevereiro e o início oficial da nova gestão no dia 27. O novo mandato segue até 26 de fevereiro de 2022.
De acordo com o atual presidente do Sindicato Rural, Valdemar Eduardo Kaiser, a eleição em um sindicato é burocrática e exige muitos aspectos. No dia 08 deste mês foi lançado o edital de eleições, que colocava o prazo de 15 dias para o registro de chapas. “Além disso, o estatuto diz que as chapas inscritas precisam estar completas, com 15 ou 16 pessoas. E nesse período nós tivemos o registro de apenas uma chapa. Com isso, fizemos a publicação dessa chapa e a partir de agora (ontem) temos os cinco dias de contestação”, explica Kaiser.
O atual presidente diz que não esperava a inscrição de outra chapa porque avalia ser difícil montar uma chapa para a eleição em um sindicato. “E pessoas doarem seu tempo para trabalhar em prol dos outros não é algo mais tão fácil. Normalmente apenas se houver uma contrapartida de ganhos. Mas isso não acontece, é preciso se doar ao trabalho, por isso pensávamos que teria apenas uma chapa”, comenta Kaiser, que continua na diretoria do sindicato, contudo, nesta eleição na função de vice-presidente.
Ele ressalta a importância de os associados se organizarem a partir de agora para participar do processo de eleição em janeiro. “Nós precisamos da participação maciça dos associados no dia 25 de janeiro”, enfatiza.
Longa jornada
Atuando como associação coletiva, com natureza privada, voltada para defender e incrementar os interesses coletivos profissionais e empresariais, os Sindicatos Rurais são, há décadas, a voz das comunidades rurais. Muito além das defesas classistas, as entidades sindicais dedicam-se a variadas missões, desde melhorias infraestruturais, como estradas, escolas, postos de saúde e eletrificação, até planos de incentivo à produção e programas de qualificação profissional.
Frente à presidência do Sindicato Rural de Marechal Rondon pelo período de oito mandatos de três anos e de um como vice-presidente, Kaiser tem ampla jornada de conhecimento sobre essa realidade. “Muitos foram os trabalhos desenvolvidos em prol da classe rural. Fechamos uma convenção coletiva de trabalho, após muitas reuniões e trabalhos, que ofereceu um norte e assim conseguimos terminar com ações trabalhistas sobre horas-extras”, exemplifica Kaiser. “Além disso, atuamos forte fazendo a retaguarda do produtor, lutando pelos seus direitos, e quando percebemos que ele (produtor) estava desamparado na questão da saúde, começamos a trabalhar com convênios para oferecer essa assistência”, completa.
O principal objetivo do sistema sindical rural é a defesa dos direitos, reivindicações e interesses do produtor rural, independentemente do tamanho da sua propriedade ou do ramo de atividade. “Eu vejo que o sindicato tem uma importância grande para fazer o serviço de defesa da agropecuária e de todas as demais atividades rurais. Se não fosse a área sindical, muitas coisas seriam difíceis para o produtor”, afirma Kaiser.
Em um município predominantemente agrícola, como é o caso de Marechal Rondon, ele avalia o Sindicato Rural como fundamental para a defesa do produtor rural, tento em vista que através dele as reivindicações e problemas que surgem na agricultura local são levadas para a segunda instância, em Curitiba. “E então são tomadas as devidas providências, visando à resolução”, pontua.
Ciente de ter cumprido seu papel, Kaiser revela deixar o mandato com a consciência tranquila. “Como produtor, eu sei o que é a vida rural, e com isso fiz o que precisava ser feito em defesa das reivindicações apresentadas”, declara.
Nova direção
Conforme a única chapa inscrita, a presidência passa ser responsabilidade de Edio Luiz Chapla, que nas duas gestões anteriores atuou como conselheiro fiscal efetivo e suplente, respectivamente.
Chapla diz ser gratificante ver o presidente do sindicato preocupado com a classe, referindo-se ao seu antecessor, e afirma que um dos seus objetivos é dar continuidade aos trabalhos já realizados. “Debatendo assuntos que hoje estão em pauta, junto com as entidades ligadas ao agronegócio, queremos dar continuidade no que ele conquistou e o que ainda podemos conquistar”, destaca.
O futuro presidente, que tem toda a família atuando no setor agropecuário e, por consequência, conhecimento em todas as atividades dessa área, revela que há menção de novos projetos, mas que ainda não estão estruturados. “Com o decorrer do tempo vão surgir muitas questões a serem debatidas, com o foco em sempre ajudar o produtor rural”, comenta.
Chapla enaltece que não há interesses individuais por detrás da diretoria e afirma que a única preocupação é com o agricultor. “A defesa visa a totalidade, para que o agronegócio tenha um bom desenvolvimento”, frisa.
Conforme ele, o sindicato rondonense não vive somente da contribuição sindical, que a partir do próximo ano não será mais obrigatória. “Hoje prestamos serviços para o produtor, sempre buscando coisas a mais. Dessa forma vamos conseguir fazer uma boa gestão”, analisa.
Questionado sobre o interesse em encabeçar uma chapa, Chapla diz que nunca teve obsessão em ocupar um cargo que estivesse ligado à defesa de um grupo, mas que essa oportunidade surgiu após conversas com pessoas de dentro e fora do sindicato. “Eu quero deixar meu legado, assim como o Valdemar, não por vaidade, mas, sim, pela defesa da classe agropecuarista”, enaltece.
Conhecimento do agronegócio
Com relação às pessoas que compõem a diretoria para a nova gestão, Chapla garante que procurou montar uma chapa na qual todos os integrantes estivessem ligados ao agronegócio. “Minha convicção é de que isso vai conseguir contribuir para o coletivo do agronegócio”, expõe, acrescentando: “A diretoria é composta por pessoas conhecedoras da causa, diretamente ligadas às atividades rurais individuais de cada um. Com isso, elas discutem sabendo da realidade e das causas reivindicadas”.
Na visão do futuro presidente, sendo produtor rural, há o conhecimento dos anseios, mas sem buscar o individual e sim o coletivo de todas as classes. “O sindicato, juntamente com a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), por meio das comissões específicas, discutem pautas de interesse do produtor rural, pois há coisas que vão além da porteira das propriedades e só se consegue resolver em grupo”, menciona.
Nova diretoria do Sindicato Rural
Presidente
Edio Luiz Chapla
Vice-presidente
Valdemar Eduardo Kaiser
Secretário
Cevio Alberto Mengarda
Tesoureiro
Gianmarco Stoef
Suplentes da diretoria
Ricardo José Kemfer
Ademir Luis Griep
Valdemar Luiz Schaefer
João Wochner
Conselho Fiscal
Gelso Kroessin
Cesar Luiz Petri
Vilmar Fulber
Suplentes do Conselho Fiscal
Leandro Ricardo Vivian
Jonas Leocir Vorpagel
Renato Gorgen
Delegado Representante
Edio Luiz Chapla
Suplentes de Delegado Representante
Gianmarco Stoef
Valdemar Eduardo Kaiser
Cevio Alberto Mengarda
Entraves ao desenvolvimento
Kaiser é hoje também o vice-presidente do Núcleo Regional dos Sindicatos Rurais do Oeste do Paraná (Nurespop) e, segundo ele, Marechal Rondon está bem colocado no agronegócio. A maior dificuldade, no entanto, seria a distância dos portos, fator que trava o desenvolvimento das exportações. “A nossa ferrovia não está funcionando como deveria, então o custo de exportação é o grande entrave à nossa pecuária, tendo em vista que estamos muito distante de Paranaguá”, avalia, garantindo que a questão da exportação e seus custos ainda será debatida pelo sindicato junto à Faep.
Chapla também elenca outros problemas ligados à infraestrutura, como estradas e rodovias. “Estamos em um polo agropecuário muito grande, que é a região Oeste, transformamos grãos em carne, mas ao mesmo tempo o custo é caro para colocar para fora do país. Por isso, vamos brigar também pela questão dos pedágios, que tira o dinheiro do produtor. A cadeia é ligada e alguém sempre precisa pagar a conta, e geralmente é tirado do produtor”, expressa.
Além disso, ele espera que com o novo governo federal, a partir de 2019, haja desburocratização dos procedimentos também no âmbito rural. “Vamos discutir junto à Faep, cooperativas e empresas ligadas ao agronegócio para que juntos desenvolvamos ações para desburocratizar questões que envolvam o agronegócio”, enfatiza.
Administração da empresa rural
No plano central do agronegócio está o trabalhador do campo, que se esforça arduamente em prol de melhores resultados na produção. Apesar dessa grande importância, o produtor rural no Brasil enfrenta muitos desafios e precisa estar preparado para vencer o futuro com confiança. “Hoje o produtor precisa se preocupar com a administração do seu negócio, pois ele está com uma empresa em mãos. Empresa esta que às vezes movimenta mais e melhor que uma urbana, e para que seja bem administrada precisamos dar as orientações para o desenvolvimento de um bom trabalho”, enaltece Kaiser, destacando que o produtor rondonense está buscando efetivamente esclarecer suas dúvidas e saber dos seus direitos.
Por conta disso, ele frisa que um trabalho importante que também terá continuidade são os treinamentos. “Somos agentes do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e realizamos os cursos nos municípios de Marechal Rondon, Quatro Pontes, Mercedes, Pato Bragado e Entre Rios”, informa.
A agropecuária brasileira tem hoje um nível elevado de sofisticação de suas operações, novas carreiras e novos perfis profissionais. “Por isso é importante dar os treinamentos e assim a nova geração da agricultura estar aperfeiçoada, com condições e conhecimentos para administrar as novas tecnologias do campo”, finaliza.
O Presente