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Nova modalidade criminosa via WhatsApp deixa rondonenses em alerta

calendar_month 18 de maio de 2021
9 min de leitura

As mentes criminosas nunca se cansam de inovar para cometer crimes contra usuários de aplicativos de mensagens. Para tentar concretizar mais golpes, os criminosos virtuais mudam de estratégia constantemente.

O WhatsApp é uma das ferramentas tecnológicas preferidas dos brasileiros. É raro encontrar uma pessoa que não possua o aplicativo instalado no smartphone. Dê olho no grande número de usuários, os criminosos utilizam amplamente o app para aplicar golpes. A mais recente modalidade praticada via WhatsApp tem tirado o sossego em Marechal Cândido Rondon.

Não se trata da já conhecida clonagem do perfil do usuário, quando os golpistas contactam o próprio usuário para conseguir o código de segurança, tiram o acesso do smartphone da vítima e ficam com os contatos. Neste caso, o usuário percebe que teve o celular invadido e pode alertar seus contatos, o que não acontece nesta versão golpista, o que deixa muitas pessoas ainda mais expostas.

Na nova modalidade criminosa, os estelionatários utilizam fotos das vítimas ou seus parentes obtidas em redes sociais, porém, a imagem é usada em um número de contato diferente.

Os bandidos mandam mensagens de texto para amigos das vítimas relatando uma situação de emergência, inventam alguma história para justificar a troca de número e solicitam a transferência de uma quantia em dinheiro para resolver o suposto problema.

Com a intenção de socorrer o amigo ou parente, muitas pessoas atendem prontamente o pedido, a fim de ajudar. Quando se dão conta, percebem que caíram num golpe.

 

Boletins de ocorrência

Segundo o delegado da Polícia Civil de Marechal Rondon, Rodrigo Baptista Santos, o número de boletins de ocorrência (BO) deste tipo de golpe tem aumentado no município. “Ao menos dois registros são feitos por semana com relatos deste tipo de crime”, destaca.

Para o delegado, possivelmente o número de casos é maior, pois muitas vítimas não registram o ocorrido. “É importante fazer o registro. Não precisa nem vir na delegacia, pode ser de forma on-line através do site da Polícia Civil”, orienta.

O delegado explica que o golpe não precisa ser concretizado para a vítima fazer o registro do crime. “A pessoa deve fazer um boletim de ocorrência de tentativa de estelionato para registrar o fato”, menciona.

De acordo com ele, é importante que as pessoas registrem mesmo quando os criminosos não conseguem efetuar o golpe para que a polícia consiga fazer o monitoramento dos casos. “Quando se reúne muitos dados de um número ou uma pessoa, conseguimos fazer uma operação, até mesmo com a delegacia especializada em crimes cibernéticos”, ressalta.

Delegado Rodrigo Baptista Santos: “Assim que perceberem que foram vítimas do golpe, as pessoas devem registrar um boletim de ocorrência imediatamente e comunicar ao banco o ocorrido para pedir o cancelamento da operação” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Quase vítima

Ao mesmo tempo que as redes sociais oferecem aos bandidos informações das vítimas para a prática criminosa, elas também podem ajudar os usuários a se defender dos golpistas.

Nos últimos dias uma série de relatos de tentativas de golpe foram publicadas por rondonenses em redes sociais, como forma de alertar amigos e pessoas próximas.

O rondonense Arlen Güttges foi um deles. O empresário tentou avisar seus contatos assim que percebeu que poderia ser vítima de estelionatários.

Güttges conta que recebeu uma ligação de seu pai que perguntou se estava precisando falar com ele, pois havia recebido uma mensagem que supostamente seria sua, em um aparelho celular da empresa da família. “Falei para ele que não era eu porque não tenho este contato da loja”, comenta.

Conforme Güttges, o número que enviou a mensagem a seu pai era desconhecido e assim que perceberam que se tratava de um golpe, tentaram entrar em contato, mas as tentativas foram frustradas. “Tentamos ligar, mas dava sempre fora da área de cobertura, contudo, aparecia on-line no WhatsApp e estava usando uma foto minha que foi tirada da internet, provavelmente do Facebook”, relata.

O empresário diz que além do seu pai, outros parentes próximos também receberam mensagens falsas pedindo dinheiro em seu nome. “Sempre aquela velha história de pedir dinheiro emprestado e que no dia seguinte vai colocar o valor novamente na conta”, descreve.

Ele pontua que nenhuma das ações dos criminosos tiveram sucesso e que procurou a polícia, onde foi orientado a avisar todos seus contatos a respeito da tentativa de golpe. “Ficou muito claro que as nossas vidas estão completamente expostas nas redes sociais. Nunca passou pela minha cabeça que isso pudesse acontecer”, lamenta.

Arlen Güttges: “As publicações nas redes sociais devem ser direcionadas apenas para amigos. Muitas vezes tornamos isso público e estas informações acabam caindo em mãos erradas” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Todo cuidado é pouco

Outra pessoa que quase foi vítima do novo golpe foi uma dona de casa de 76 anos, que preferiu não se identificar. Ela conta que recebeu uma mensagem no WhatsApp no último dia 07 e que não se atentou ao número, apenas à foto, que era da sua filha. “O cumprimento era o habitual da minha filha, como ela sempre escreve todas as vezes que me chama pelo WhatsApp”, comenta.

A mensagem dizia que a filha necessitava de uma ajuda, de um dinheiro emprestado, porque precisava pagar uma pessoa até o meio-dia e que não tinha como ir ao banco, e que devolveria o dinheiro no outro dia, assim que conseguisse passar no banco.

Como era perto do meio-dia, a rondonense respondeu para a “filha” que emprestaria o dinheiro sim, mas que conversaria sobre o assunto na hora do almoço, já que ela almoça em sua casa durante a semana. “Como não entendo dessas transações digitais, não teria como fazer a transferência. Mas se soubesse, eram grandes as chances de eu ter transferido o dinheiro”, relata.

Ela conta que assim que teve a oportunidade de conversar com a filha, perguntou se ela havia pedido dinheiro emprestado, e a resposta foi negativa. “Foi aí que caiu a ficha”, enaltece.

Depois de ter percebido que se tratava de um golpe, a dona de casa, juntamente com a filha, foi verificar seu celular. “Era um prefixo 11, de São Paulo, e as mensagens que a pessoa havia enviado já tinham sido apagadas. Possivelmente, como viu que a coisa não daria certo, que eu não ia fazer o depósito, desistiu do golpe”, considera. “Nós, idosos, muitas vezes temos mais dificuldade em perceber que é um golpe. E também tem a questão que com frequência eles inventam novas formas de enganar. O jeito é desconfiar de tudo”, acrescenta.

A rondonense conta ainda que há poucos dias recebeu uma ligação no telefone fixo, ocasião em que uma pessoa se identificou como sua filha, estava chorando e relatava que havia sofrido um acidente e precisava de dinheiro. “Foi meu neto que atendeu e na hora percebeu que seria um golpe, então desligou. Nem deixou a pessoa se estender”, descreve.

Dona de casa de 76 anos foi uma das vítimas de tentativa de golpe na semana passada, em Marechal Rondon: “Precisamos ter cuidado o tempo todo e desconfiar de tudo” (Foto: Ana Paula Wilmsen/OP)

 

Caiu no golpe

Uma outra vítima que preferiu não se identificar não teve a mesma sorte. Há cerca de um mês também recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de alguém se passando por seu irmão que alegava ter mudado de número e precisava transferir valores para algumas contas, no entanto, ele não tinha mais limite para aquele dia.

O rondonense diz que acreditou na conversa do estelionatário porque a foto usada pelo criminoso era a mesma usada pelo seu irmão. O golpista também pediu para ele adicionar o novo número, que, inclusive, segundo a vítima, tinha o prefixo 45. “Depois conversando com o delegado ele disse que existem chips de celular em que é possível colocar o DDD que a pessoa quiser, algo que eu não sabia”, comenta.

Segundo o rondonense, ele transferiu cerca de R$ 35 mil ao suposto irmão. Ao perceber que se tratava de um golpe, conversou com o gerente da sua conta bancária e conseguiu bloquear as transferências. Porém, ele também havia realizado um pagamento instantâneo via PIX no valor de R$ 3 mil para uma conta fraudulenta e esse valor a vítima não conseguiu recuperar. “Muitas vezes é tanta correria que não dá tempo de parar o que estamos fazendo para ligar e confirmar se realmente é seu parente. É terrível saber que foi enganado,” lamenta.

 

Dinheiro de volta

De acordo com o delegado, quando a vítima realiza transferências bancárias para a conta de criminosos as chances de reaver o dinheiro junto a instituições financeiras são grandes. Mas quando a vítima faz um PIX, o estorno do valor é bem mais difícil. “Nestes casos a chance de recuperar o dinheiro é praticamente zero”, enfatiza.

 

Onde os criminosos conseguem as informações

São muitas as estratégias dos estelionatários para ter acesso às informações das pessoas. No entanto, recentemente uma delas ganhou destaque quando milhões de brasileiros tiveram seus dados vazados no submundo da internet. Isto alimentou consideravelmente os subsídios para os criminosos que não perdoam nem mesmo quem já morreu, pois o número atingido pelo vazamento foi maior que o de habitantes do país atualmente.

 

Dark web

A dark web é uma área na internet não acessível por navegadores padrão, como Google Chrome ou Firefox. Ela requer softwares, configurações ou autorizações específicas para o acesso, contudo, é onde qualquer tipo de informação pode ser encontrada.

Por vezes é na dark web que os golpistas conseguem as informações através da compra de banco de dados vazados e começam a realizar as tentativas, e muitas delas acabam dando certo.

Além de compra de banco de dados, o próprio usuário acaba repassando algumas informações de maneira voluntária.

 

Phishing

Para cometer os crimes eletrônicos, os criminosos utilizam mensagens aparentemente reais, conhecidas como “Phishing”, ou seja, o golpista joga uma isca em algum portal, por exemplo, com algo que chame a atenção da vítima, que, muitas vezes, acessa o link falso e informações confidenciais, como nome de usuário, senha e detalhes do cartão de crédito, caem nas mãos dos falsificadores.

 

Fique atento

O delegado da Polícia Civil de Marechal Rondon orienta a população para sempre desconfiar quando alguém próximo da família pede dinheiro usando outro número de contato. “Não fique só trocando mensagens. Se atente a não fazer de forma automática o que a pessoa pede”, evidencia.

Segundo ele, o ideal é tentar falar pessoalmente com a pessoa ou ligar para a casa ou no local de trabalho para confirmar o envio da mensagem. “Ligue e confirme antes de fazer qualquer depósito para evitar esse tipo de golpe”, ressalta.

 

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