Após vivenciar uma fase de recuperação no segundo semestre do ano passado, as agências de turismo, em geral, estão novamente enfrentando dificuldades. O motivo é conhecido: a nova onda de Covid-19 e a variante ômicron.
Em Marechal Cândido Rondon, a demanda por pacotes de viagem vinha crescendo, tendo um aumento expressivo nos últimos meses, mas também acabou freada. “A nova onda impactou, sim. Depois do ponto ápice da Covid estávamos numa crescente demanda, em um período mais tranquilo e com as vendas aquecidas. Mas, de repente o cenário mudou”, conta a sócia-proprietária da agência de viagens Cristur, Cristiane Vanzella Padalino.
Ainda assim, as expectativas são positivas. “Ao que parece, o prognóstico da Covid é a redução no número de casos, já que a maioria da população está optando pela vacinação. A expectativa é que as pessoas voltem a procurar o setor turístico. É notável que todos estão bem otimistas, buscando informações e solicitando orçamentos. Estão bem confiantes”, observa.
Desde janeiro as companhias aéreas nacionais e internacionais voltaram com as medidas pré-pandemia, bem como a indústria hoteleira, que também retornou com multas de cancelamento ou alteração de data, conforme antes da “era Covid”. “Por isso, orientamos que as pessoas tenham ciência a respeito das penalidades dos cancelamentos atuais. Obviamente os indivíduos que tenham sido infectados neste meio tempo até a viagem, ou que tenham o atestado positivo de quarentena, são excluídos de taxas de cancelamento, mas também podem arcar com a diferença de tarifa ao remarcarem uma nova data”, expõe empresária.
Ela ressalta que a agência faz a venda de pacotes para clientes que estejam totalmente vacinados, tendo em vista que a maioria dos destinos solicita o cartão de vacinação atualizado. “É a realidade atual. Todos os que têm interesse em fazer viagens devem estar vacinados para não passarem por nenhum transtorno”, frisa.
Sobre o percentual de cancelamento de viagens, a empresária menciona que é mínimo, se comparado ao mesmo período do ano passado, quando as taxas na agência atingiram 100%. “Devido ao alto índice de vacinação os clientes estão mais seguros. Estamos tendo poucos cancelamentos. Quem compra os pacotes é porque realmente quer viajar”, pontua.

Viagem de mudança
Se viajar para tirar férias neste período implica em certo desgaste, fazer mudança então é um processo mais difícil ainda, principalmente quando é para outro país. Jaciclea Reis, juntamente com os filhos, saiu de Marechal Rondon para morar em Ravenna, na Itália. “Foi um processo muito difícil. As passagens ficaram com os preços altíssimos. Tivemos que ficar por 15 dias em um hotel em um outro país para cumprir a quarentena e fazer vários testes PCR até chegar ao destino final”, lembra.
Jaciclea embarcou primeiro, no dia 07 de março de 2021, para poder deixar tudo preparado para os filhos. “Como não estava liberada a entrada para turismo e nem nada na Itália, tivemos que pedir um certificado de residência, inscrições escolares e pagar por um seguro saúde”, menciona ela, que embarcou em São Paulo, passando por Frankfurt (Alemanha), fazendo a quarentena em Tirana (Albânia) até chegar à Itália.
Depois que as documentações estavam corretas, os filhos embarcaram de São Paulo, fazendo conexão na Turquia, Croácia, onde cumpriram a quarentena, Eslovênia e depois Itália. “Com a família inteira é bem mais complicado. Tiveram que passar por dois países, pois os brasileiros não podem chegar diretamente na Itália, devido à alta taxa de contaminação por Covid. Durante a viagem fizeram mais exames, que deram negativos, para poder mostrar para a polícia que monitora a fronteira”, relata.
O Presente