Marechal

Nova realidade

O Hospital Municipal Dr. Cruzatti, de Marechal Cândido Rondon, avança mais um passo em busca de uma saúde de qualidade para a população rondonense. Ele, que desde fim de junho realiza partos, agora conta com mais um serviço à disposição dos rondonenses: as cirurgias eletivas.

A nova realidade para o hospital foi anunciada pelo prefeito Marcio Rauber, durante coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (08). Conforme ele, há duas semanas o hospital já vem realizando as cirurgias eletivas na área de ginecologia e obstetrícia.

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Ao longo da coletiva, Rauber destacou que quatro procedimentos cirúrgicos já foram feitos, como cirurgias de curetagem, cauterização e gravidez ectópica (quando o embrião está se desenvolvendo fora do útero). Outros 12 procedimentos cirúrgicos estão agendados para este mês, entre eles laqueadura, perineoplastia, curetagem, histerectomia vaginal e abdominal e sling.

Com a realização das cirurgias eletivas, o município acaba com o fato de pacientes rondonenses terem que se deslocar para outras cidades em busca desse tipo de atendimento. Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde, 74 pessoas aguardam para uma cirurgia de laqueadura desde 2014 e outras 86 esperam, desde 2015, por cirurgias eletivas na área de ginecologia. “Nos comprometemos que iríamos oferecer para toda a população cirurgias eletivas no nosso Hospital Municipal. Ainda não temos condições estruturais para oferecer todos esses serviços, isto é, todos os tipos de cirurgias eletivas, mas já começamos e pretendemos intensificar ainda mais esses trabalhos”, frisou Rauber.

Conforme ele, das 12 cirurgias que estão agendadas para este mês, cinco serão feitas pelas empresas contratadas para realização de partos e as outras sete serão realizadas pelos profissionais de carreira do município.

 

Números

De acordo com a secretária de Saúde, Marciane Specht, há 86 pacientes em fila de espera para cirurgias eletivas da especialidade de ginecologia e obstetrícia no município. “Temos pacientes aguardando desde 2015 para fazer a realização de procedimentos de retirada de útero, miomectomia, períneo, entre outros”, relata.

Ainda conforme Marciane, a pasta está seguindo de forma rigorosa a fila de espera para os procedimentos cirúrgicos. “Os pacientes são convocados pelo setor de agendamento. Após receberem a ligação, eles devem se dirigir à Secretaria de Saúde para receber as devidas orientações sobre o início das tratativas dos procedimentos cirúrgicos. A primeira consulta é realizada com o médico cirurgião, que avalia e solicita exames necessários. Depois, o caso passa pelo anestesista para a classificação do risco cirúrgico e, caso necessário, é solicitada a avaliação do cardiologista. Após essas avaliações, o paciente terá o agendamento e, em seguida, a realização da cirurgia”, explica a secretária, emendando: “Eu imagino que para aqueles que já estão há dois ou três anos esperando para realizar uma cirurgia, receber a ligação informando que poderão dar início ao procedimento cirúrgico será de extrema satisfação”.

Marciane destacou ainda que a nova realidade do Hospital Cruzatti foi conseguida sem aumento do quadro de funcionários e sem um significativo aumento de custos. “Pelo contrário, geramos uma economia de tempo e de dinheiro em relação ao transporte e à hospedagem de pacientes em outros municípios”, afirma.

 

Equipe especializada

O diretor do Hospital Dr. Cruzatti, Wesley Giovani Stantowtz, explica que as cirurgias eletivas de ginecologia e obstetrícia são basicamente voltadas ao público feminino e consistem em procedimentos que podem aguardar um momento adequado para serem realizadas. “Não é uma cirurgia de emergência, que oferte risco ao paciente. São procedimentos como retirada de útero, que chamamos de histerectomia, a ligadura de trompas, conhecida como laqueadura, ou seja, cirurgias que as mulheres diretamente precisam”, explica, acrescentando: “Procedimentos obstétricos são, por exemplo, partos e cesarianas. Os ginecológicos, por sua vez, são problemas que demandam cirurgia e não podem ser tratados apenas do ponto de vista clínico”.

Stantowtz reitera que os procedimentos são realizados por uma equipe médica de ginecologistas contratada pela Secretaria de Saúde, além de médicos ginecologistas de carreira do município. “Nós temos uma equipe médica contratada, com médicos ginecologistas habilitados, além de médicos ginecologistas e obstetras de carreira, que são concursados na prefeitura. Além disso, os anestesistas que já trabalham no município e prestam o serviço há muito tempo fazem parte da equipe. Sem dúvida, todos são habilitados e aptos a realizar os trabalhos adequados nessas situações”, garante.

Em se tratando do centro cirúrgico do hospital, o diretor assegura que o mesmo está bem montado e equipado. “Ele apenas não estava sendo usado antes porque não tínhamos equipe para isso. Entretanto, agora ele está operante e com uma equipe completa de anestesistas e cirurgiões”, menciona, assegurando que com o retorno de um dos médicos ginecologistas, que está de férias, as cirurgias terão uma maior sequência.

 

Leitos

Entretanto, um problema pontuado pela administração municipal, bem como pela direção do hospital municipal, diz respeito à quantidade de leitos disponíveis. “Atualmente temos 20 leitos e precisamos fazer uma rotação, pois as cirurgias são eletivas e devemos escolher o melhor momento para que estes sejam direcionados a essas cirurgias, visto que nosso maior foco é o internamento clínico de urgência e emergência”, enfatiza Stantowtz, que complementa dizendo que a falta de leitos está sendo administrada. “Fazemos rotinas de alternância para que assim possa ter leitos suficientes para oferecer mais esse serviço à população. Contudo, precisamos, sim, deixar leitos reservados àquelas mulheres que passaram por cirurgias”, expõe.

 

Zerar filas

Questionado sobre quando será possível zerar a fila de espera para as cirurgias eletivas, o diretor do Hospital Municipal disse que a demanda é autogerada. “Existia uma demanda reprimida, pois mulheres que precisavam desse serviço e aqui não conseguiam acabavam recorrendo a outros lugares e municípios. No entanto, a partir do momento em que abrimos as portas e começamos a fazer isso aqui no nosso município, com certeza aparecerão mais casos que necessitarão do nosso trabalho”, diz Stantowtz, acrescentando: “Portanto, a partir do momento em que o serviço está em funcionamento, certamente vão aparecer mais pessoas para a realização dessas cirurgias”.

 

Após anos, chegou a hora

Depois de quatro anos de espera e com seis filhas, a diarista Jane Golombieske, de 38 anos, finalmente fará a tão esperada cirurgia de laqueadura. “Já queria ter feito após o nascimento da minha terceira filha, mas, na época, o médico disse que eu era muito nova e somente agora vou conseguir fazer”, comemora a rondonense.

Jane já realizou todos os exames necessários e acredita que depois do dia 20 passará pelo procedimento. “Quando soube que ia fazer, fiquei com um pouco de medo, mas quero muito fazer porque sei que é o melhor para a minha saúde”, declara.

A rondonense diz que nem imaginava conseguir a cirurgia. “Um dia me ligaram dizendo que era para realizar os encaminhamentos pois iria fazer a laqueadura. Como a cirurgia particular é muito cara, estou muito feliz em conseguir realizar ela aqui no município e de forma gratuita”, ressalta Jane.

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