
Está tudo preparado para a 29ª edição da Oktoberfest, que começa hoje (28) em Marechal Cândido Rondon. Realizada desde 1987 no município, a festa inspirada no tradicional evento de Munique, no Sul da Alemanha, contará com apresentações de bandas típicas, desfile alegórico, culinária alemã e – é claro muito chope. A organização está a cargo da Fundação Promotora de Eventos de Marechal Rondon (Proem), Mega Produções e Litoral Eventos, com apoio da For Fun Eventos, Chopp Germânia, Haus Bier e Coca-Cola.
De acordo com o presidente da Proem, Luiz Felipe Cavalcanti de Albuquerque, faltam pequenos detalhes para receber o público que irá prestigiar os três dias festa. Hoje (ontem, 27) faltam apenas alguns detalhes na decoração. As tendas já estão montadas, estamos esperando o pessoal do food truck para instalar seus carros na praça de alimentação, mas a estrutura permanente com as mesas e cobertura já está finalizada, afirma. A decoração do Centro de Eventos Werner Wanderer já está pronta e todos os contratos com as empresas prestadoras de serviço e com as bandas estão assinados. O evento contará com pratos típicos, concurso do chope em metro, muita música e diversão. Será uma grande festa, declara.
Albuquerque esclarece que um dos principais diferenciais deste ano foi a contratação de uma empresa terceirizada para a realização do evento. Segundo ele, além de contribuir com o objetivo de preservar a tradição e a cultura germânica o Poder Público pensou em não usar o dinheiro do contribuinte para uma festa de consumo de cerveja. Mesmo buscando resgatar a tradição, a culinária e a música, a população não vê isso com bons olhos e o foco do município não é investir em eventos festivos com cobranças de ingressos, pelo contrário, o papel do município e da Proem é promover eventos de forma gratuita para a população e sem onerar a folha e os gastos do município, expõe.
Com diversas novidades, atrações musicais e ingressos a valores populares, a organização do evento espera que o público presente seja maior do que nas edições anteriores. A sugestão de ingressos acessíveis foi feita à empresa como forma de tentarmos abranger o máximo de pessoas possível, por isso esperamos nos três dias do evento receber mais de dez mil pessoas, afirma o presidente da Proem.
Além dos ingressos, as demais novidades propostas pela empresa organizadora do evento, como o espaço food truck e as atrações musicais, somam-se para fazer uma programação arrojada. Nosso intuito é atrair o maior número de pessoas possível, de uma forma mais barata para a população e com novidades, tentando fazer esse resgate cultural, frisa.
Albuquerque destaca como o maior diferencial deste ano o modelo de licitação que o município propôs para a realização do evento. Esse ano foi aberto um pregão presencial em que as empresas puderam concorrer para a realização da Oktober e, em contrapartida, passando uma porcentagem para o município sobre o lucro do evento, detalha.
A empresa vencedora foi aquela que ofereceu a maior percentagem, de 54,9% sobre o lucro do evento. Desta forma, o município além de não gastar com a realização da festa tem uma grande possibilidade de ter um bom retorno com a Oktoberfest, pontua.
Blocos
A presença dos blocos é algo tradicional e quem vem ganhando força a cada edição do evento. Neste ano, uma das novidades é que os blocos de toda região se reunirão em um esquenta open bar dentro do Centro de Eventos e todos podem participar, mesmo não sendo participante
de um dos grupos. O open bar será realizado em uma área separada com grades dentro do Centro de Eventos. Além dos blocos da cidade, vemos um engajamento grande por parte dos outros municípios da região, destaca.
Hoje e amanhã (29) o open bar inicia às 18 horas com término às 23 horas, enquanto no domingo (30) será realizado das 16 às 22 horas. O ingresso, disponível nos pontos de venda, para uma noite custa R$ 62, duas noites R$ 102 e três noites R$ 142.
Este ano também está sendo feita a venda de barris de chope no mezanino do Centro de Eventos. Este espaço também será reservado para empresas ou grupos que desejam um ambiente mais tranquilo.
Programação
Hoje a programação será aberta às 18 horas para a concentração dos blocos e praça de alimentação e o espaço food truck, que terá entrada gratuita em frente ao Centro de Eventos. Às 18h30 será realizada a sangria do barril, abrindo oficialmente a Oktoberfest 2016.
A partir das 19 horas as bilheterias serão abertas ao público e o evento segue com o tradicional concurso do chope em metro. A animação hoje fica por conta da Banda Destake e da Orquesta Continental.
Amanhã a festa começa com a abertura da praça de alimentação, às 14 horas, e desfile alegórico às 16h30, com saída em frente ao Centro de Eventos. Conforme a organização, cerca de 350 pessoas devem participar. Além do passeio pelas ruas da cidade os carros alegóricos farão uma parada de 30 minutos na Praça Willy Barth, onde o público presente poderá experimentar o Chopp Germânia e adquirir produtos na Casa do Artesão. A partir das 18 horas será realizada a concentração dos blocos e, em seguida, a programação segue com a animação da banda Sentido Musical e do grupo Vox 3.
No domingo a programação terá início um pouco mais cedo, às 16 horas, com a concentração dos blocos e abertura da praça de alimentação. À noite acontecem as finais do concurso do chope em metro. Quem ficará responsável por animar o público são as bandas Sentido Musical e Destake.
Ingressos
Os ingressos estão sendo comercializados antecipadamente ao valor de R$ 12 para hoje, R$ 22 para amanhã e no domingo a entrada é gratuita. Estes valores serão praticados somente até as 18 horas de cada dia.
Em Marechal Rondon os ingressos podem ser adquiridos no Posto Camilo, na Assemar, Livraria Unixerox e Posto Tonin (saída para Santa Helena), ou ainda pelo site da Ok Ingressos.
Para relembrar
Na conta do fotógrafo rondonense Rafael Sturm, ele já esteve presente em, pelo menos, 20 edições da Oktoberfest, tanto entre 1986 a 1996, quando foi folião em Marechal Cândido Rondon, Blumenau e Rolândia – onde foi um dos fundadores da festa -, quanto auxiliando no evento e servindo chope aos festeiros.
Por ter apenas 16 anos na primeira edição do evento, sua participação foi no tradicional desfile alegórico que movimentava o centro da cidade. Por dois anos desfilei pela loja infantil Bolinha de Sabão, e também participava dos eventos que aconteciam na semana que antecipava a Oktoberfest, o esquenta da festa, rememora. Mas naquela época também havia as festas nas comunidades do interior, onde cada uma tinha sua data específica para a Oktoberfest e o ponto alto era a festa em Marechal Cândido Rondon, complementa.
Na opinião de Sturm, atualmente, ao invés de o município se vangloriar pela quantidade de chope vendido durante a Oktober, o evento é promovido com a tentativa de resgatar a tradição alemã. Nos anos 90 a maioria das lojas tinha vitrine decorada, os funcionários trabalhavam trajados de alemão, íamos para a festa vestidos de alemão, lembra.
Outra diferença que o fotógrafo destaca está na concentração dos blocos. Antigamente, diz ele, os grupos compravam 30 litros de chope e logo no início da festa iam para o salão – ou para a lona de circo como era no início. Há poucos anos, nas concentrações os blocos compram 400 litros cerveja, não é nem chope, e muitos nem chegam a ir para a festa. Não tem mais o espírito da cultura alemã. Eles primavam para ver qual o bloco que ia beber mais, destaca.
Mantendo amizades de outras cidades feitas na Oktoberfest há cerca de 30 anos, o rondonense também comenta sobre as caravanas que vinham em peso para o município. De Foz do Iguaçu chegavam a encostar 16 ônibus. Rondon era uma referência e as pessoas até diziam que aqui não tinha Carnaval, porque pertencia a Santa Helena, mas que tínhamos o Carnaval alemão, que era a Oktoberfest, pontua.
Há alguns anos, as bandinhas também deram vez a estilos musicais populares, como funk e sertanejo, a pedido dos participantes. Pode tocar, mas o mínimo possível para que a tradição seja mantida, opina.
Sturm também destaca que, pela perda de foco da Oktoberfest, o comércio deixou de adotar a decoração típica As lojas começaram a recuar porque eles precisam fazer um investimento para um retorno muito pequeno, expõe. Ele acredita, contudo, que o município pode, sim, resgatar o espírito do evento do passado, porém, será um trabalho demorado. Vejo que já há algumas soluções legais, como a tentativa de trazer os blocos para dentro do salão com a concentração open bar. Poderiam incentivar, por exemplo, quem vier trajado pagar somente meia entrada, por exemplo, avalia.

Rafael (pedalando a bicicleta) esteve presente em, pelo menos, 20 edições da Oktoberfest, tanto em Marechal Cândido Rondon quanto em Blumenau e Rolândia


