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Marechal Entrevista ao O Presente

“O colapso do sistema de saúde é uma possibilidade muito próxima”, avalia diretor do Hospital Rondon

Para o diretor-técnico do Hospital Rondon, região Oeste está vivendo o pior momento da pandemia de coronavírus. Segundo ele, a população, não sem razão, cansou das restrições, contudo, deve voltar a focar nos cuidados já tão debatidos. Para o médico, vacinação é uma peça importante nesse “quebra-cabeça” (Foto: Joni Lang/OP)

A região Oeste do Paraná está vivendo o pior momento da pandemia de coronavírus. A afirmação é do diretor-técnico do Hospital Rondon, anestesista Eduardo Seyboth. “No início, sofremos pressão por ser uma doença nova, com protocolos novos, enfim, tudo novo. Tivemos que aprender e nos adaptar. Mas até então, não tínhamos sofrido com leitos lotados e dificuldade para atendimento e encaminhamentos desses pacientes”, ressalta.

A previsão de um mês de janeiro complexo para o setor de saúde, na opinião do médico, pode, sim, se confirmar, caso os cuidados e as medidas restritivas sejam deixados de lado, em partes, nas confraternizações em família, nas visitas entre parentes e nas viagens neste período de Natal e ano novo. “A população, não sem razão, cansou um pouco de tudo isso. Mas, infelizmente, teremos que voltar a prestar mais atenção aos cuidados já tão debatidos”, destaca.

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Em entrevista ao O Presente, Seyboth explica como o Hospital Rondon tem lidado com o aumento expressivo no número de casos confirmados de Covid-19 em Marechal Cândido Rondon e região, o que culmina em mais atendimentos e internamentos. Ele revela, inclusive, uma novidade: foi liberada temporariamente a instalação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). “A princípio é um total de dez leitos de UTI. É o número que vamos trabalhar, em virtude de questões logísticas”, informou.

Conforme o diretor-técnico do Hospital Rondon, o colapso do sistema de saúde, tanto público quanto privado, é uma possibilidade muito próxima. Para ele, a vacinação é uma peça importante nesse “quebra-cabeça”. Confira.

 

O Presente (OP): Desde outubro, os casos de Covid-19 começaram a aumentar significativamente na região, bem como os casos ativos tiveram um salto. Como o Hospital Rondon está lidando com a alta demanda? Está conseguindo dar conta dos atendimentos e internamentos, considerando que o Grupo Sempre Vida, atualmente, atende muitos conveniados de Toledo e região?

Eduardo Seyboth (ES): De fato houve um crescimento no número de casos de Covid-19, o que causou uma pressão no sistema de saúde que ainda não tinha sido vivenciada em nossa região. No início, sofremos pressão por ser uma doença nova, com protocolos novos, enfim, tudo novo. Tivemos que aprender e nos adaptar. Mas até então, não tínhamos sofrido com leitos lotados e dificuldade para atendimento e encaminhamentos desses pacientes. Essa realidade imposta para a nossa região, mesmo trazendo estresse e ansiedade intensa para todos, está sendo também um momento de intenso desenvolvimento. No Hospital Rondon, com o plano de contingenciamento desenvolvido em conjunto com toda a equipe técnica, estávamos preparados para escalonar os leitos de acordo com a necessidade. Portanto, estamos conseguindo atender os nossos pacientes de forma bastante adequada, com muita confiança, segurança e um feedback maravilhoso. Atualmente, estamos conseguindo atender pedidos de vaga da região inteira, chegando, inclusive, até Cascavel.

 

OP: O hospital segue com uma ala específica para atendimentos de casos de Covid?

ES: Sim. Essa é uma necessidade imposta pelas autoridades, visto a impossibilidade de misturar os pacientes suspeitos/confirmados de Covid com os demais pacientes, em virtude do alto potencial de transmissão do vírus.

Diretor-técnico do Hospital Rondon, anestesista Eduardo Seyboth: “Estamos conseguindo atender os nossos pacientes de forma bastante adequada, com muita confiança e segurança. Atualmente, inclusive, estamos atendendo pedidos de vaga da região inteira, até mesmo de Cascavel” (Foto: Joni Lang/OP)

 

OP: Há profissionais específicos para essa ala?

ES: Teremos médicos específicos para a ala, 24 horas por dia, em regime de plantão. Além de ser uma ala de internamento com muita demanda, a norma que regulamenta a instalação de UTIs preconiza tal regime. Portanto, é o que vamos seguir, visando o melhor e mais seguro atendimento para o paciente. O número total de médicos que vão compor a escala eu não sei, mas agradeço a prontidão e a celeridade dos meus colegas, que imediatamente, mesmo antes da formatação das UTIs, estiveram disponíveis e prontos para auxiliar nessa difícil e estressante tarefa.

 

OP: Há informações que foram disponibilizadas cerca de dez UTIs para o Hospital Rondon. Isso confere?

ES: Sim. A princípio é um total de dez leitos de UTI. É o número que vamos trabalhar, em virtude de questões logísticas. Tivemos uma reunião com a Secretaria de Saúde do município e com a Vigilância Sanitária, solicitando a liberação temporária de leitos de UTI, especificamente para atendimento de pacientes com Covid aqui no hospital, entendendo que já vínhamos prestando cuidados a pacientes graves e casos complexos há um bom tempo. Na sequência, após verificação conjunta com a 20ª Regional de Saúde, do local e da capacidade técnica instalada, obtivemos essa liberação.

 

OP: Ao todo, hoje, o Hospital Rondon tem quantos leitos disponíveis para atendimento a pacientes com Covid? Quantos para internamento e quantos de UTI?

ES: Temos 15 leitos disponíveis na ala Covid, sendo dez deles reservados para atendimento de pacientes críticos e outros para internamentos “de enfermaria”, aqueles casos considerados menos graves. Nesses leitos de enfermaria é possível alocar mais de um leito, fazendo isolamento de corte, caso haja necessidade, ampliando um pouco mais a capacidade de internamento.

 

OP: Desde que a pandemia começou, você avalia que o cenário atual é o mais grave até o momento, considerando a realidade do Hospital Rondon, em termos de atendimentos e internamentos?

ES: Sem dúvida nenhuma, esse é o pior momento da pandemia para a nossa região e para todo o país.

 

OP: Quantos atendimentos, em média, são feitos por dia no Hospital Rondon de pessoas com suspeita de Covid e pacientes já com a doença e que por algum motivo precisam de internamento?

ES:  Desde o início da pandemia, no Hospital Rondon, foram atendidos 2.666 pacientes com síndrome respiratória. Destes, foram notificados como suspeitos 1.361 pessoas. Internamos 100 pacientes na ala Covid e destes, 67% com diagnóstico de Covid confirmado. Dez pacientes necessitaram de ventilação mecânica. De “bate-pronto” não sei o número exato de atendimentos no pronto socorro, mas sei dizer que a demanda é alta. Desses pacientes que procuram atendimento, uma grande parte acaba sendo em decorrência da Covid ou de alguma síndrome respiratória.

 

OP: Como você, enquanto médico, avalia essa onda crescente de número de casos de Covid-19 na região e em especial em Marechal Rondon? É grave? Preocupante?

ES: Preocupa, sim. Claro que preocupa. É uma doença grave, que pode causar danos irreversíveis. Até o óbito. Por enquanto, ainda temos atendimento e capacidade de internar os pacientes, mas essa capacidade está diminuindo a cada dia. São internamentos demorados, complicados, com muitas intercorrências. Não sabemos ainda quem e quando as complicações e desfechos ruins vão acontecer. Alguns meses atrás, a gente ouvia falar de um conhecido de um amigo que estava internado com Covid. Hoje, provavelmente, alguém da sua roda mais íntima já foi infectado ou teve sérios problemas decorrentes dessa doença. Atualmente, tenho falado que a Covid “tem cara”, “tem nome”. A gente precisa se cuidar, respeitar as medidas de controle epidemiológico para que a disseminação desse vírus seja decrementada e as coisas comecem a voltar ao normal.

 

OP: Fala-se muito que as pessoas em geral cansaram da pandemia e que agora, neste fim de ano, com Natal e ano novo, os cuidados e as medidas restritivas serão deixados de lado, em partes, nas confraternizações em família, nas visitas entre parentes, viagens, o que pode ocasionar um janeiro muito complexo para o setor de saúde. Você acredita que isso realmente pode acontecer, inclusive em Marechal Rondon?

ES: Acredito sim, mas torço muito para que não aconteça. A população, não sem razão, cansou um pouco de tudo isso. Mas, infelizmente, teremos que voltar a prestar mais atenção aos cuidados já tão debatidos.

 

OP: Se acontecer, o setor de saúde local pode entrar em colapso? Ou ele já está em colapso?

ES: O colapso do sistema de saúde é uma possibilidade muito próxima. Atingimos 100% de ocupação dos leitos no sistema público. No sistema privado, a mesma coisa. Tenho recebido ligação e pedidos de vagas, inclusive de Cascavel, para internamento aqui.

 

OP: Qual é a projeção que vocês trabalham para daqui em diante?

ES: Vamos continuar seguindo nosso plano de contingência, as orientações e a legislação vigente, com o objetivo de entregar a melhor qualidade possível de atendimento para todos os usuários do nosso sistema.

 

OP: O Hospital Rondon está preparado para o que pode estar por vir?

ES: Tenho certeza que sim. Toda a equipe do hospital, operacional e assistencial, está muito atenta e é muito competente para a resolução de problemas. Nosso corpo clínico tem capacidade técnica e competência para lidar com esse problema. Além da capacidade das pessoas que fazem o Hospital Rondon ser o que é e prestar o serviço que presta, fizemos investimentos em equipamentos, rede de gases, monitores, ventiladores, enfim, tudo aquilo que é necessário para que a população tenha segurança quando necessitar dos nossos serviços.

 

OP: Você acredita que a vacinação vai acontecer logo, que ela vai ser a solução ou que ainda vai demorar muito tempo até tudo normalizar, se é que é possível dizer que ainda voltaremos ao normal?

ES: Acho que sim. A vacinação é uma peça importante nesse “quebra-cabeça”. Mas mesmo com ela, teremos que passar mais um período com cuidados específicos, visto que o plano de vacinação contempla a imunização das pessoas em grupos e de forma escalonada.

 

OP: Na sua opinião, ela deveria ser obrigatória?

ES: Eu acho muito importante, mas vou deixar essa questão da obrigatoriedade e tudo o que isso implica para o Supremo (Tribunal Federal) decidir.

 

O Presente

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