Chuva com granizo assusta e causa estragos em lavouras de Marechal Rondon. Região Oeste associa condições para tempestades – temperaturas altas e umidade -, inclusive por conta da proximidade com o Lago de Itaipu

Moradores da zona rural de Marechal Cândido Rondon foram surpreendidos, na tarde de domingo (28), por mais uma chuva acompanhada de rajadas de vento, que chegaram a 83 quilômetros por hora, além de grande quantidade de granizo.
A tempestade com granizo chegou lentamente por volta das 16 horas e atingiu uma faixa que se estende entre os distritos de Porto Mendes e Iguiporã, principalmente na Linha Flor de Maio.
Lavouras de milho, mandioca e soja, cultura predominante atualmente, foram afetadas pelas pedras que caíram incessantemente por cerca de cinco a dez minutos, segundo os moradores da região que passaram a manhã de segunda-feira (29) contabilizando os prejuízos nas lavouras.

ESTRAGO NA SOJA
Um dos produtores que tiveram a área de terra atingida pelo granizo foi Olavo Dresch, morador de Iguiporã.
Segundo ele, a chuva de pedras causou estragos, principalmente nas lavouras de soja, e assustou bastante devido à quantidade de granizo. “Começou com um pouco de chuva e de repente o vento virou e vieram as pedras. Foi muito barulho que deixa a gente até meio amedrontado”, afirma.

No local é possível ver muitas vagens de soja que foram arrancadas pelas pedras jogadas no solo. “O jeito agora é esperar uns dias para avaliar melhor o estrago e passar um adubo folhear para tentar recuperar mais rápido possível”, menciona.
O agricultor Gervásio Kappes possui 3,5 alqueires plantados com soja no distrito de Iguiporã, outra área na Linha Flor de Maio e uma terceira em Pato Bragado, a única que não foi atingida pelo granizo de domingo. “Aqui em Iguiporã foi a mais atingida pelas pedras”, expõe.
O produtor mora na região há mais de 30 anos e conta que nunca viu uma chuva de granizo com tanta intensidade. “Nesses anos todos que moro aqui nunca vi tanta pedra”, frisa Gervásio.
De acordo com o rondonense, ainda é cedo para avaliar o prejuízo causado pela tempestade nas lavouras de soja, mas o ocorrido deve representar perda no fim do ciclo. “Acho que vai prejudicar, porque quebrou por cima toda a planta e não sei se continuará crescendo”, comenta.
O produtor relata que as lavouras de soja possuem seguro agrícola contra esse tipo de fenômenos natural. “Já acionei o seguro para ver com o banco como vai ficar essa situação”, afirma.
Além das áreas plantadas com soja, ele possui outras lavouras com milho, que também foram bastante castigadas pelas pedras.

PERDA TOTAL
Em 14 anos cultivando fumo em sua propriedade na Linha Flor de Maio, o agricultor Laurí de Souza diz que essa foi a terceira vez que a produção é afetada por chuvas com granizo. “Essa foi a pior tempestade com pedra que caiu nesses anos todos que moro aqui”, destaca.
A área plantada é de 1,5 hectare e, segundo ele, foi totalmente destruída pelo granizo. “Foi perdido praticamente tudo. As perdas devem chagar a quase 100%”, lamenta.
De acordo com Souza, a empresa a qual a lavoura de fumo está vinculada fornece seguro da área plantada com a cultura. “Avisei a empresa sobre o que aconteceu e eles devem vir para avaliar nos próximos dias. Nesse tipo de situação o pagamento do seguro é realizado conforme o número de folhas quebradas”, revela.
Outra cultura bastante prejudicada pela chuva de granizo na propriedade do Laurí foi a mandioca. “Tenho uma área com quatro hectares com mandioca que foi totalmente desfolhada pelas pedras”, expõe.
O produtor aguarda agora a visita do engenheiro agrônomo para avaliar a área cultivada com a raiz e que foi atingida pela chuva de granizo. “Vai ter prejuízo também, mas um pouco deve se recuperar melhor do que a soja”, ressalta.
A presença do profissional de agronomia também servirá para ver o que pode ser feito para minimizar as perdas nas lavouras de mandioca. “Talvez tenhamos que passar fungicida para não entrar doenças nas plantas”, menciona.

SALVA PELO SOMBRITE
As lavouras de hortaliças, legumes e verduras costumam ser as mais prejudicadas pela queda de granizo durante tempestades como a ocorrida no fim de semana em algumas localidades rurais de Marechal Rondon.
O agricultor Jaime Luiz Pilger cultiva vegetais em uma área de seis mil metros quadrados em Iguiporã, próximo ao trevo de acesso a Pato Bragado, região também atingida pela chuva com granizo.
O que salvou o produtor de ter um grande prejuízo no fim de semana foi a tela de sombreamento que cobre toda a extensão da horta. “Foi muita pedra em pouco tempo. Se não tivesse o sombrite teria acabado com tudo”, menciona.
Jaime conta que o volume de pedra foi tão grande que foi preciso cortar a tela nos locais onde o granizo se acumulou. “Tivemos que cortar o sombrite para não termos problema na estrutura”, completa.

AVALIAÇÃO PROFISSIONAL
De acordo com o engenheiro agrônomo da Agrícola Horizonte, Cristiano da Cunha, todas as culturas sofrem danos com a queda de granizo, porém o que determina o tamanho do estrago é a intensidade da tempestade e a fase em que cada cultura se encontra. “Dependendo da fase o dano pode ser irreversível, parcialmente reversível ou até mesmo totalmente reversível em algumas situações”, explica.
Em relação à soja, ele detalha que os danos causados nas lavouras atingidas pelo granizo podem ser revertidos quando a cultura se encontra na fase inicial de enchimento das vagens. “Mesmo derrubando as vagens, a planta emite novas floradas que se tornarão novas vagens”, ressalta.
Porém, segundo Cunha, é importante observar o estrago causado em toda a estrutura da planta. Ele aponta que se a planta de soja teve a haste principal cortada pelo granizo, o prejuízo pode aumentar em função da falta de condições para continuar se desenvolvendo. “Ela vai emitir galhos dos nós que estiverem abaixo do ponto que foi decepado, mas esses galhos não são suficientes para dar condições dessa planta ter a mesma produtividade que daria sem uma condição de granizo”, ressalta.

De acordo com o profissional, o período reprodutivo é a fase em que o granizo pode representar maior dano e, consequentemente, maior perda aos agricultores em função da planta já ter passado por um longo período vegetativo, quando ocorreu o crescimento de hastes, galhos e folhas. “Essa é a fase de maior perca na soja, pois a planta guarda energia para a partir do momento em que entrar no estágio reprodutivo, transloque toda essa reserva armazenada para os grãos”, revela.
Em relação ao milho, Cunha declara que a cultura também sofre com esse tipo de intempérie devido à queda das folhas, uma vez que a planta é totalmente dependente da fotossíntese para enchimento de grãos. “Quando perde essa área foliar, a planta não tem condição de transformar os fotoassimilados em açúcares e fazer o enchimento de grãos”, explica.
O Presente