Marechal "O Presente nas escolas"

Com 36 anos de história, Colégio do Campo de Margarida é destaque no setor educacional rondonense

(Foto: O Presente)

“O Presente nas escolas”

Lançado recentemente, o projeto “O Presente nas escolas” tem a finalidade de aproximar leitores e internautas do contexto escolar, envolvendo professores e alunos de instituições públicas e particulares de Marechal Cândido Rondon, oportunizando espaço para pontos de vista e exposição de temas atuais e pontuais voltados à educação.

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A cada semana há a participação de um educandário. Nesta semana é a vez do Colégio Estadual do Campo Margarida. Confira!

 

Localizado no distrito rondonense de Margarida, o Colégio Estadual do Campo Margarida tem como diretora Dorotea Barbosa Krummenauer. A entrevista desta semana contou com a participação da professora de Português Márcia Vorpagel Serschon e da aluna Natieli Jaqueline Assmam, que estuda no 3º ano do Ensino Médio

Distante a 14 quilômetros do centro de Marechal Cândido Rondon, o Colégio Estadual do Campo Margarida oferta os ensinos Fundamental e Médio, atendendo 156 alunos, divididos em sete turmas. Em dezembro, a instituição completa 36 anos de funcionamento.

“Nesses quase 36 anos muito foi feito, e se hoje o colégio é o que é, é porque houve o constante apoio da comunidade e dos pais”, destaca a diretora Dorotea Barbosa Krummenauer. “Depois da criação da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) esse apoio ficou ainda maior, refletindo em uma valorização ainda maior para com o colégio”, afirma Dorotea.

Ela conta que hoje o colégio faz parte da vida da comunidade de Margarida, mas nem sempre foi assim. “Algum tempo atrás tivemos várias situações de vandalismo, com vidros quebrados. Em 2015, vândalos atearam fogo no depósito de merenda, episódio que deixou a comunidade escolar muito triste. Foi a partir daí que sentiu-se a necessidade de valorizar o colégio. Quando eu cheguei à direção, em 2016, começamos a trabalhar neste sentido e se hoje temos essa valorização foi porque todos ajudaram. Foram momentos de festividades, de rifas, concursos e campeonatos para conseguirmos arrecadar dinheiro e investir no educandário”, aponta.

 

PARCERIAS IMPORTANTES

Segundo Dorotea, nesse processo de valorização do colégio, algumas parcerias foram fundamentais. “Em 2016, 2017 e 2018 conseguimos parceria com os Rotarys da cidade, sendo que o Rotary Guarani adotou nossa escola na parte da biblioteca. Hoje temos uma biblioteca com mais de quatro mil exemplares”, relata. Mais tarde, o Rotary 25 de Julho apresentou uma proposta ao colégio para a arrecadação de lacres solidários. “De 2017 para 2018, com essa arrecadação de lacres, tivemos a implantação de fibra ótica em todo o nosso colégio”, acrescenta, ressaltando que a meta de arrecadação foi atingida em menos de um mês.

Outra parceira do Colégio Margarida é a Copagril. Desde 2016, um projeto de futsal encabeçado pela empresa foi implantado no educandário e atualmente atende em torno de 70 crianças com aulas duas vezes por semana. “Onde estariam essas crianças hoje, nesses dois dias? Elas vêm, treinam, ficam na escola, fazem a tarefa, almoçam e ficam à tarde, ou vice-versa, depende do turno em que estuda”, enaltece a diretora.

Ela destaca ainda o apoio recebido dos agentes educacionais e professores. “Estamos todos em sintonia. Passamos a maior parte do tempo da nossa vida dentro dessa escola então nada melhor do que juntar forças e ideias para deixar esse espaço melhor e mais agradável aos nossos alunos”, salienta, reforçando que a participação dos pais e famílias é essencial para o sucesso no funcionamento das atividades do colégio.

Diretora Dorotea Barbosa Krummenauer: “Nesses quase 36 anos de história muito foi feito, e se hoje o colégio é o que é, é porque houve o constante apoio da comunidade e dos pais”. (Foto: O Presente)

 

Ensino-aprendizagem

Professora da disciplina de Português, Márcia Vorpagel Serschon atua como docente desde 2008. Ela conta que, além do Colégio de Margarida, também leciona em outras duas instituições estaduais na sede rondonense e diz que há diferença em dar aula em uma escola na cidade e uma escola do campo. Segundo Márcia, como o Colégio Margarida possui um número menor de alunos, com turmas menores, consegue-se fazer um atendimento mais individualizado. “Isso facilita o processo de ensino e aprendizagem”, garante.

Para tornar o ensino e a aprendizagem mais atrativos, a professora usa da criatividade em sala de aula. Um dos projetos desenvolvidos por ela é o café literário. Márcia explica que o projeto é dividido em trimestres e os alunos precisam ler livros com um número pré-determinado de páginas, sendo que nesse trimestre ela direcionou para livros exclusivamente da literatura brasileira. Após realizarem essa leitura, os alunos devem apresentar a obra em forma de seminário. No dia da apresentação, organizam um café de confraternização enquanto expõem seus trabalhos. “Eles trazem café e lanche, vamos até a praça, eles sentam em círculo e enquanto apresentam tomam café”, comenta.

O colégio também desenvolve projetos em contraturno escolar com os sextos e sétimos anos, oferecidos em parceira com o Sesc, a partir dos quais é trabalhado o letramento em Língua Portuguesa e Matemática. “Esses projetos são essenciais para que os alunos tenham um melhor desempenho em sala de aula”, considera a professora.

 

CADA VEZ MAIS CONECTADOS

Quando o assunto é tecnologia, Márcia menciona que os alunos estão cada vez mais conectados e emergidos em um mundo tecnológico, que envolve aplicativos, aparelhos eletrônicos, entre muitos outros equipamentos. O celular, pontua, já faz parte da vida de praticamente todos os adolescentes nas escolas.

Segundo ela, os professores estão tentando inserir essas tecnologias em sala de aula. “Eu vejo o uso do celular em sala de aula como uma ferramenta. Nós não podemos mais proibir, mas sim ensinar os alunos a utilizá-lo de forma que possam ampliar seus conhecimentos”, enaltece.

Conforme a professora, cada turma tem um grupo no WhatsApp, o que, garante, facilita a troca de materiais e o envio de atividades extras e on-line. “A comunicação também ficou mais fácil, pois aproximou os professores dos alunos”, avalia.

Em contrapartida, Márcia expõe que ainda não há conscientização por parte de alguns alunos quanto ao uso adequado do celular. “Algumas vezes acaba prejudicando porque muitos adolescentes têm a questão dos jogos. De vez em quando você vê eles com o celular em sala de aula tentando jogar”, lamenta.

Quando estas situações acontecem, a docente diz que chama a atenção dos alunos para que eles entendam que o celular deve ser usado de forma sadia em sala de aula. Quando o comportamento se repete, Márcia conta que retém o aparelho durante a aula.

 

VARIANTES LINGUÍSTICAS

Outro aspecto abordado pela professora refere-se à linguagem adotada pelos adolescentes. A internet, com seus códigos e expressões, tomou conta do vocabulário e da escrita deste público, e isso reflete na escrita dos alunos. “Explico que as gírias, abreviações e outros termos que eles utilizam nas redes sociais podem ser utilizados, sim, porém, em sala de aula e para outras situações existe outra linguagem, e nós precisamos nos apropriar dessa linguagem formal”, comenta. “Como você vai prestar um vestibular e se valer de uma linguagem informal, coloquial, com gírias? Então, procuro fazer eles perceber a necessidade do uso da linguagem padrão”, amplia.

 

PREPARAÇÃO AO ENEM

Ano a ano o Colégio Estadual do Campo Margarida tem obtido desempenho notável no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), destacando-se entre os colégios públicos de Marechal Rondon. Isso, na opinião de Márcia, é fruto de um trabalho diferenciado realizado com o propósito de aproximar os alunos dos vestibulares e do próprio Enem. “Temos os simulados, que são trimestrais, com questões objetivas. A partir deste ano eles podem ser feitos pelo celular mesmo. O simulado contabiliza como uma nota daquele trimestre, como uma avaliação, sendo 70 pontos das questões objetivas e 30 pontos da redação”, menciona.

A diretora Dorotea reforça: o resultado faz parte de uma caminhada. “Os alunos que obtiveram nota boa no Enem do ano passado vêm desde a pré-escola, da escola municipal, com professores empenhados, com metodologias diferenciadas”, enumera. “Credito esse resultado à equipe pedagógica, porque foi a pedagoga, junto com um grupo de professores, que lá atrás começou com um projeto de leitura, de interpretação, e cada professor com metodologias diferentes. A cada ano os professores foram melhorando, e eu acho que isso é muito importante, bem como, acima de tudo, o comprometimento deles e dos alunos também”, evidencia.

Professora Márcia Vorpagel Serschon: “Explico que as gírias, abreviações e outros termos que os alunos utilizam nas redes sociais podem ser utilizados, sim, porém, em sala de aula existe outra linguagem, a formal, e nós precisamos nos apropriar dela”. (Foto: O Presente)

 

FUTURO MELHOR

Com 17 anos, Natieli Jaqueline Assmam, aluna do 3° ano do Ensino Médio, sempre estudou no Colégio Margarida. Para ela, estudar em Margarida é agradável. “O colégio é tranquilo e bem estruturado. Acho o ambiente bem harmonioso. Também gosto muito dos colegas. A professora de Português auxilia bastante nas questões de vestibular, redação, literatura, coisas que eu gosto bastante”, avalia. Todavia, ela diz sentir falta de apoio psicológico para os alunos.

Para a estudante, a escola é a porta de entrada para um futuro melhor. Em 2020, ela pretende cursar Direito.

Natieli Jaqueline Assmam, aluna do 3° ano do Ensino Médio: “Estudar em Margarida é agradável. O colégio é tranquilo e bem estruturado. Acho o ambiente bem harmonioso. Também gosto muito dos colegas”. (Foto: O Presente)

 

DECISÃO DIFÍCIL

A decisão não foi fácil. Natieli conta que estava dividida entre os cursos de Direito e Psicologia, que são duas áreas que ela gosta muito, mas como há a oferta de Direito em Marechal Rondon, ela optou por prestar vestibular para este curso. “Fazendo pesquisas na internet acabei descobrindo que me identifiquei bastante com o Direito. Fiz alguns testes vocacionais. A escola nos levou para feiras de profissões, onde também haviam testes vocacionais, os quais apontaram para esse caminho”, relata a aluna.

 

NOVA ROTINA

Natieli está bastante animada com os planos reservados para o ano que vem. “O ambiente da faculdade vai trazer uma rotina totalmente diferente, com colegas e professores diferentes. Acho que será um período de transição, que vai ser meio difícil no início, mas depois eu vou me acostumar e vai dar tudo certo. Quando entramos na escola também não estamos acostumados e depois nos ambientamos com tudo”, aponta.

 

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