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Marechal

Óbitos por Covid-19 diminuem vida útil do cemitério municipal de Marechal Rondon

calendar_month 15 de setembro de 2021
6 min de leitura

As mortes provocadas por Covid-19 aumentaram consideravelmente o número de sepultamentos realizados nos cemitérios rondonenses no último ano. Na pior fase da pandemia no município, apenas no cemitério da sede, três vítimas da doença foram sepultadas em um mesmo dia, além de pessoas que faleceram por outros motivos.

Entre junho e agosto deste ano ocorreram 112 sepultamentos somente no cemitério municipal. No mesmo período de 2018 aconteceram 30 enterros, aumento de 273%. Em 2019 os números foram parecidos com o ano anterior, com 33 pessoas sepultadas, enquanto que no ano passado, já no período da pandemia, 57 enterros aconteceram no mesmo intervalo de tempo, crescimento de 72%.

Durante todo o ano de 2019 foram realizados 129 sepultamentos, enquanto que em 2020 aconteceram 284 enterros, aumento de 120%. Até ontem (09) já haviam sido enterradas dez pessoas no cemitério municipal neste mês de setembro.

 


Secretário de Viação e Serviços Públicos, Jeferson Dahmer: “Muitas das pessoas enterradas no cemitério municipal foram vítimas de Covid-19, mas com o avanço da vacinação no município, consequentemente diminuiu o número de óbitos” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Poucos espaços disponíveis

Recentemente, surgiram comentários, principalmente nas redes sociais, relacionados à vida útil do cemitério da sede municipal. Inclusive, o vereador Moacir Froehlich solicitou informações ao Poder Executivo sobre a existência de projetos para a ampliação do espaço físico do local.

Atualmente, existem disponíveis no cemitério municipal 150 túmulos e nove gavetas. Se for considerada a média diária de enterros realizados no local, as vagas existentes seriam suficientes para mais cinco meses. Entretanto, muitos desses sepultamentos poderão ser feitos em túmulos antigos, o que estenderia a vida útil do cemitério.

 


Prefeitura pretende restituir para o município cerca de 350 túmulos que estão em situação de abandono (Foto Sandro Mesquita/OP)

 

Medidas paliativas

Em entrevista ao O Presente, o secretário de Viação e Serviços Públicos, Jeferson Dahmer, diz que algumas medidas paliativas estão sendo tomadas para minimizar o problema de falta de espaço no cemitério. A principal delas, de acordo com ele, é a ampliação da área utilizando o terreno existente ao lado, pertencente ao município.

A área em questão foi cedida à prefeitura e está localizada ao lado esquerdo do cemitério. O lote possui 14 metros de largura por 330 de comprimento e se estende a partir da Avenida Rio Grande do Sul até a Rua Américo Vespúcio, compreendendo quase toda a extensão do terreno do cemitério.

Com a ampliação, o espaço físico do cemitério municipal aumentará em 4.620 metros quadrados, totalizando 35.220 metros quadrados. Segundo o secretário, após o alargamento, o cemitério contará com mais 400 túmulos e 800 gavetários. Um novo ossário também deve ser construído. “Depois da ampliação, a vida útil do cemitério deve aumentar para mais uns três anos”, prevê.

 


Acontece hoje (10) a abertura dos envelopes referentes ao processo licitatório para a construção de mais 800 gavetários e 400 túmulos no espaço ampliado do cemitério (Foto Sandro Mesquita/OP)

Obras

Conforme o secretário de Coordenação e Planejamento, Alisson Ostjen, a obra para a construção do muro será realizada com recursos do próprio município e custará R$ 255 mil. Ainda segundo ele, o projeto foi desenvolvido em carácter de urgência devido ao baixo número de vagas existentes no cemitério. “Nos programamos para que não ocorra falta de vagas no nosso cemitério”, ressalta.

Ele explica que o primeiro passo será o início da construção do muro que delimitará a nova extensão do cemitério. “A prefeitura já emitiu a ordem de serviço dessa obra e o prazo de execução é de 120 dias a contar a partir da próxima terça-feira (14)”, revela.

De acordo com o secretário, a edificação do muro e a construção dos gavetários e dos túmulos acontecerão simultaneamente, a fim de acelerar a criação de novas vagas no cemitério. “A obra do muro inicia na semana que vem e após o término da licitação dos túmulos e gavetários inciaremos o restante”, comenta.

Ostjen informa que o projeto para a construção dos espaços onde os corpos são depositados também já foi finalizado e a abertura dos envelopes da licitação aconteceu na sexta-feira (10). “O valor máximo previsto para essa licitação é de R$ 809 mil”, relata.

 

Restituição de túmulos

Outra possibilidade para aumentar a quantidade de vagas para sepultamentos no cemitério da sede municipal é a restituição de túmulos abandonados pelas famílias.

Segundo o secretário, hoje existem cerca de 350 espaços em situação de abandono. “Para isso precisamos respeitar todo um procedimento legal, que inclui publicações, o contato com familiares e a delimitação de um prazo para a regularização. É um processo lento que deve se estender por uns dois anos”, pontua.

 


Terreno com 4.620 metros quadrados será usado para ampliar o espaço físico do cemitério municipal: atualmente, existem disponíveis no cemitério municipal 150 túmulos e nove gavetas (Foto Sandro Mesquita/OP)

 

Novo cemitério

De acordo com o secretário de Viação e Serviços Públicos, outra alternativa, porém a longo prazo, é a construção de um novo cemitério na região urbana do município. “Conversamos com a Secretaria de Administração e estamos fazendo um levantamento para a escolha da área onde deverá ser construído”, expõe.

Segundo Dahmer, este é um processo lento, burocrático e que requer uma série de liberações junto a órgãos ambientais para a elaboração do projeto. “As leis ambientais dificultam esse processo. Não é fácil conseguir essas liberações, é bem complicado”, salienta.

 

Verticalização

Atualmente, no cemitério municipal, além dos gavetários individuais, existem os túmulos e em cada um deles há espaço para dois sepultamentos, onde os caixões são colocados sob o solo.

Outra forma para ampliar o número de vagas seria a verticalização dos túmulos, a exemplo de cidades maiores. Dessa maneira seria possível enterrar mais de dois corpos no mesmo espaço. No entanto, conforme Dahmer, a legislação municipal não permite esse tipo de estrutura. “Talvez, futuramente, teremos que rever essa lei por causa da falta de espaço”, entende.

 

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