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Marechal

ONG Arca de Noé registra aumento significativo de casos de abandono e maus-tratos a animais

calendar_month 9 de julho de 2021
4 min de leitura

Se por um lado é notável o aumento da solidariedade entre pessoas em virtude da pandemia, os amigos de quatro patas sofrem cada vez mais com a faceta humana da crueldade. No Paraná, os primeiros cinco meses de 2021 apresentaram um aumento de 111,6% nas denúncias de maus-tratos a animais domésticos, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Passando de 2.298 registros para 4.864 na comparação entre os períodos, o crescimento foi registrado pelo Disque Denúncia 181 da Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Até o momento, o número de casos comunicados neste ano já corresponde a 70% do total registrado no ano passado.

Em Marechal Cândido Rondon, a cada averiguação junto ao Grupo de Amparo e Proteção Animal (Gapa) – Organização Não Governamental (ONG) Arca de Noé os dados indicam um novo aumento nos casos de maus-tratos contra animais. De acordo com a tesoureira Rosemari Lamberti, o município não se excetua da alta na crueldade animal. “Tivemos um aumento significativo nos casos de abandono e maus-tratos neste ano”, relata ao O Presente.

Tesoureira do Gapa – ONG Arca de Noé, Rosemari Lamberti: “Muitos se mudaram ou foram morar com parentes para reduzir custos, houve separações etc. Tudo é motivo para abandonar os animais, infelizmente” (Foto: Divulgação)

 

PROBLEMA FREQUENTE

Ela afirma que, por conta da pandemia e consequente queda no padrão econômico das famílias, o que antes era um aumento registrado em época de férias e no final do ano agora se tornou um problema frequente. “Muitos se mudam ou vão morar com parentes para reduzir custos, houve separações etc. Tudo é motivo para abandonar os animais, infelizmente”, lamenta.

Rosemari menciona que, com cerca de 15 anos de atuação em Marechal Rondon, a ONG esperava números mais animadores, contudo, os casos de maus-tratos não têm diminuído. “Fizemos mais de oito mil castrações, mas os casos de maus-tratos e abandono não cessaram”, evidencia.

A maioria das denúncias de maus-tratos chega diretamente à ONG, de acordo com a tesoureira. “Dependendo do caso resolvemos com uma notificação ou orientação. Quando se trata de algo mais complicado passamos para fiscalização ou até para o BPFron (Batalhão de Polícia de Fronteira) fazer uma visita e orientar. Tudo é resolvido de alguma forma”, afirma.

Grandes e pequenos, com as mais diversas pelagens, os amigos de quatro patas se divertem com visitantes na entidade (Foto: O Presente)

 

TENDÊNCIAS

De acordo com a rondonense, não há como tipificar um perfil de animal que é mais abandonado, contudo, percebe-se algumas tendências. “Até um ano de vida o cãozinho dá mais trabalho e pode ser abandonado por isso. Assim como o ser humano, cães idosos ficam mais dependentes, precisam de mais cuidados e geram custos. Fêmeas, por causa do cio ou prenhes, também são abandonadas, por vezes até com filhotes”, detalha.

Grande parte dos animais recolhidos vem com parasitas, relata a tesoureira da Arca de Noé, uma questão que vem sendo orientada pelos voluntários da ONG. “Muitos casos podem levar à morte do animal. Estamos tratando e combatendo os casos, mesmo que nessa época de inverno diminua a ocorrência”, pontua.

 

RECOLHA E ADOÇÃO

Conforme Rosemari, a Arca de Noé abriga atualmente 220 cães e 15 gatos na sede da ONG e nos mais de 25 lares temporários. “Recolhemos de 35 a 50 animais por mês e, por outro lado, doamos de 20 a 30 cães. Neste primeiro semestre foram adotados cerca de 220 cães e gatos por meio da ONG”, enaltece, emendando que o time de quatro patas consome, mensalmente, cerca de 1,5 mil quilos de ração.

Além do acolhimento, a entidade auxilia os pais de pets que encontram dificuldades com os animais. “Realizamos em média 150 castrações por mês e cerca de 25 cães são atendidos mensalmente em uma clínica conveniada, vítimas de atropelamento, viroses e outras situações”, expõe.

O vasto trabalho é realizado por uma equipe enxuta, comenta ela. “Temos duas funcionárias e uma veterinária contratadas, além de cerca de 20 voluntários que nos ajudam em feiras, atendimentos aos domingos e em promoções para arrecadar recursos”, informa.

 

COMO AJUDAR

Rosemari convida as pessoas a visitarem a ONG e conhecerem de perto os trabalhos realizados. “Precisamos de pessoas que se doem à causa, seja ajudando no trabalho com os animais ou levando cães para passear, visto que alguns ficam presos em canis e precisam de atenção. É possível apadrinhar um cão do abrigo e ajudar nos custos, contribuindo com algum valor, ração, ideias ou sugestões”, diz.

As ações da entidade são divulgadas no www.arcadenoemcr.org.br e a chave Pix da ONG é o CNPJ 08.158.710/0001-56. “As pessoas podem contribuir doando os cupons fiscais”, finaliza.

ONG tem cerca de 220 animais vivendo na sede da entidade e em lares voluntários (Foto: O Presente)

 

ONG Arca de Noé recolhe de 35 a 50 animais mensalmente (Fotos: Divulgação)

 

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