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Marechal

Os desafios da mobilidade urbana

Mirely Weirich/OP
Mesmo com redução de acidentes após intervenções significativas no centro de Marechal Rondon, problemas com congestionamentos, falta de vagas para estacionar e o tráfego de caminhões são os desafios quando o assunto é trânsito

Investimentos em pavimentação e sinalização nas vias do centro da cidade e na assistência emergencial em saúde. O que esses dois setores distintos de Marechal Cândido Rondon podem ter em comum? Aparentemente, muito mais do que os cidadãos imaginam.

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No fechamento de outubro do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), a frota de veículos cadastrados no município bateu as 39.739 unidades. Entre automóveis, motocicletas, caminhões e caminhonetes, apesar de nem todos estarem em circulação, a possibilidade de o município fechar o ano próximo dos 40 mil veículos abre janela para a discussão de como será o futuro do trânsito no município de 51.306 mil habitantes.

Para o comandante interino da 2ª Companhia do 19º Batalhão de Polícia Militar de Marechal Cândido Rondon, 1º tenente Jimmy Cajuhy Carlesso, apesar de o tráfego da cidade não ser caótico e não apresentar dificuldades de locomoção aos usuários, o desafio constante da PM está em fazer com que a população utilize o trânsito de forma segura. A nossa maior preocupação é a segurança e, quando olhamos os números relativos ao trânsito em Rondon, vemos que a maior preocupação está relacionado a acidentes com envolvimento de motociclistas, afirma.

Em 2016, dos 303 acidentes registrados pela 2ª Cia, 143 envolveram motocicletas e deixaram pelo menos uma vítima ferida. Isso é quase metade da totalidade das ocorrências e um número extremamente alto. Essa estatística está quase beirando o dois para um: a cada dois acidentes, um envolve um motociclista e o deixa ferido, destaca Carlesso.

Na visão do comandante interino, as adequações realizadas no trânsito rondonense são bem-vindas a partir do momento que aumentam a segurança do tráfego, porém, o principal anseio da Polícia Militar é conscientizar os motoristas de que eles precisam tomar cuidado com motociclistas, ciclistas e pedestres e, especialmente ao motociclista, de que ele corre um sério risco. O trânsito depende da população, somos nós como motoristas e pedestres que fazemos o trânsito e nós que temos a responsabilidade de cuidar da nossa segurança e também dos outros que estão neste meio, ressalta.

 

Mortes evitadas

Optar por utilizar o cinto de segurança, obedecer a legislação de trânsito, parar na preferencial, não avançar no sinal vermelho e andar dentro do limite de velocidade são ações simples citadas pela autoridade policial que podem evitar mortes no trânsito dentro da cidade. Na cidade ninguém precisa morrer no trânsito. Em um acidente de avião ou com outro tipo de aeronave, muitas vezes, acontece uma falha que foge ao controle do ser humano e não se tem o que fazer. Quando estamos em uma rodovia e um motorista de um caminhão ou de um ônibus perde o controle e vem para cima do nosso veículo, muitas vezes não se tem o que fazer, mas dentro da cidade está totalmente dentro do nosso controle, compara Carlesso.

De acordo com o policial, se os condutores tomarem os cuidados aprendidos na autoescola, caso ocorra algum acidente a gravidade, sem dúvida, será menor. Uma colisão entre dois veículos dentro de uma cidade como Rondon não deixa vítimas se todo mundo dentro do carro estiver com cinto. A chance de que alguém se machuque é pequena e teremos danos materiais apenas, reafirma. Mas, se eu negligencio a

minha segurança de alguma maneira, deixando de usar o cinto, de observar o limite de velocidade ou utilizando o celular enquanto dirijo, potencializo esse risco porque vou sofrer um acidente andando mais rápido, vou bater em um veículo em uma velocidade maior e, se tiver alguém sem cinto em um dos veículos, a chance de se machucar é grande, diz.

O comandante interino exemplifica citando casos de acidentes graves em que vítimas foram ejetadas para fora do veículo ou colidiram com a cabeça em alguma estrutura do carro, o que agrava bastante a situação dos envolvidos. Pelo nosso grande desafio ser a conscientização, a Polícia Militar faz um trabalho constante de prevenção com campanhas educativas durante o ano, além do trabalho de coerção e repressão, fiscalizando infrações de trânsito com o objetivo de forçar as pessoas a cumprirem a lei, ressalta.

Neste ano, por exemplo, foram lavradas 132 notificações em Marechal Rondon de pessoas dirigindo sem possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH), ou seja, motoristas que não são aptos a estarem conduzindo veículos e desconhecem a legislação de trânsito. Se há um motorista dirigindo sem estar habilitado, é claro que existe uma chance muito grande dele se envolver em um acidente, machucar alguém ou matar alguém. São 132 pessoas dirigindo em nossa cidade sem a aptidão para dirigir, sem condições de dirigir, e isso é muito grave, pontua.

Outra infração que chama a atenção pela gravidade da conduta, menciona Carlesso, está na falta do uso do cinto de segurança. Talvez a nossa população não tenha tido a infeliz experiência de estar em um local de acidente, mas a nossa atividade nos obriga a isso e é horrível chegar em uma acidente e encontrar pessoas machucadas ou mortas e perceber que ela morreu ou se machucou gravemente porque estava sem o cinto, e você vê a pessoa ao lado no mesmo carro sem nenhum arranhão porque estava usando o cinto. Ou, ainda, chegar no local e ver o pai e a mãe vivos e a criança morta porque estava sem o cinto, destaca.

Só neste ano também quase 50 pessoas foram notificadas por avançar no sinal vermelho. Porém, afirma o policial, há tantas outras que não foram multadas, pois estas foram circunstâncias em que o policial verificou e lavrou a notificação. Infelizmente as pessoas só mudam sua conduta depois de terem experimentado de perto a possibilidade de morrer ou se machucar gravemente, completa.

 

Intervenções necessárias

Com a adaptação da população às últimas mudanças significativas no trânsito rondonense, que contemplaram a implantação de rotatórias e mudança de sentido e preferencial em diversas vias do centro, o secretário de Segurança e Trânsito, Fabrício Salviano, afirma que, além da melhora na dinâmica do deslocamento para os motoristas, a redução dos acidentes – que chegou a passar da casa dos 60%, segundo a PM – também culminou na economia em assistencialismo emergencial para casos de acidentes de trânsito na Unidade de Saúde 24 Horas. Ao passo que a conscientização dos motoristas aumenta e o índice de acidentes diminui, o número de vítimas no trânsito também reduz, o que é bastante positivo para a saúde do município, assim como para a melhora do tráfego, afirma.

Apesar de enaltecer que as intervenções receberam críticas por parte dos usuários, os reflexos positivos foram maiores, como a maior agilidade para quem cruza a cidade nas vias de acesso rápido – como Bombeiros, Samu e Polícia Militar – e a dinâmica permitida pela implantação das rotatórias. Neste ponto ainda precisamos trabalhar algumas campanhas educativas, porque vemos que ainda falta conhecimento de alguns condutores sobre como funciona esse mecanismo e de quem é a preferência em uma rotatória, explica Salviano.

 

Municipalização do trânsito

Mesmo com certa melhora na trafegabilidade, em momentos pontuais como dias de chuva e horários de pico os motoristas rondonenses já experimentam as dificuldades da mobilidade urbana com congestionamentos que chegam a 200 metros e, diariamente, a interminável busca por vagas de estacionamento no centro da cidade.

Para Salviano, à medida em que se aumenta o número de veículos automaticamente fica tudo mais devagar. Hoje todo mundo tem pressa. Muitas vezes não será possível conseguir a vaga em frente ao estabelecimento que quer ir e terá que colocar o veículo a 100 ou 200 metros longe, mas é preciso que todos tenham a consciência de que Rondon não é mais uma cidade pequena como todo mundo acha, tanto é que vemos essa frota de veículos elevada. Mesmo não sendo esses 39 mil veículos que rodam na cidade, é preciso entender que a tendência é cada vez mais aumentar o número de veículos e a população precisa se conscientizar de que vivemos em outra época, ou seja, não podemos querer estacionar como estacionávamos há dez anos, comenta.

Com a documentação encaminhada ao Conselho Estadual de Trânsito do Paraná (Cetran) para aprovação da municipalização do trânsito – procedimento que poderá regulamentar inclusive a Zona Central de Tráfego (ZCT), que estabelece os horários de carga e descarga no centro – o secretário de Segurança e Trânsito diz que haverá possibilidade da implantação do estacionamento pago, de responsabilidade do Poder Público. Hoje o Cetran, em todas as cidades acima de 50 mil habitantes, está tentando buscar a municipalização do trânsito para que o município tenha autonomia, a fim de melhorar a mobilidade urbana, especialmente porque o município sabe qual a sua necessidade e consegue estudar de melhor forma o impacto das alterações do trânsito, esclarece.

Salviano considera que, caso implantado após estudos, o estacionamento pago poderá amenizar o problema de estacionamento no centro, tendo em vista a rotatividade de vagas que proporciona, porém, a medida ainda não resolverá totalmente o problema.

Outro fator que poderia colaborar, cita, seria os donos dos terrenos vagos utilizarem esses espaços para estacionamentos – quando de acordo com as normas estabelecidas pelo município -, mas a abertura de estacionamentos particulares vai do interesse do proprietário. Outra opção também seria a população usar outros meios de locomoção. Marechal Rondon é uma cidade plana e já temos diversos ciclistas no município, então para amenizar ainda mais o problema de vagas mais uma alternativa seria, quando possível, utilizar a bicicleta, complementa.

Anel Viário e Contorno Oeste em 2017

Ainda que considere o trânsito rondonense bom, o prefeito eleito para a gestão 2017/2020, Marcio Rauber, destaca que quando o assunto é trafego a necessidade de evolução é constante. É preciso buscar sempre equipamentos, recursos, conhecimentos e legislação para que o tráfego nas vias públicas melhore. Talvez hoje o que de mais importante precisa acontecer é a educação do nosso usuário, do motorista, motociclista, ciclista e do pedestre. Todos nós precisamos sempre melhorar o nosso conhecimento com relação ao uso das vias públicas, todos precisam estar muito bem educados e sempre acompanhar as evoluções que o trânsito necessita e que são implantadas na cidade, afirma.

Rauber avalia que Marechal Cândido Rondon já apresenta problemas de mobilidade urbana, especialmente no centro da cidade quando se fala em estacionamento, além de pequenos engarrafamentos que incomodam a população, que não está acostumada a enfrentar trânsito e levar mais de um minuto para andar uma quadra. Para resolver essa questão do estacionamento precisamos nos reunir com a Associação Comercial e Empresarial (Acimacar) e empresários que ocupam os prédios comerciais do centro para que encontremos no futuro a melhor solução para isso. Vamos buscar ferramentas e equipamentos que nos façam ao longo dos quatro anos melhorar as condições de trafegabilidade na cidade, inclusive passando por um secretário de Segurança e Trânsito que tenha conhecimento técnico na área, reafirma, dizendo que, apesar de já existirem nomes cogitados para ocupar a pasta ainda não há nenhum definido.

Assim que o município cresce e precisa se adequar às regras de cidades maiores, ainda há problemas antigos que precisam ser resolvidos para melhorar o fluxo de veículos no centro, como, por exemplo, o desvio de caminhões pelo Anel Viário, desativado pelas más condições que apresenta há anos.

De acordo com Rauber, embora seja uma obra necessária, o Anel Viário não resolve o problema do tráfego de caminhões no centro, mas somente diminui. Do frigorífico à Vila Gaúcha e da Reveral ao portal continuaria existindo esse tráfego, ou seja, simplesmente tiraríamos os caminhões de uma determinada parte do centro. Contudo, essa é uma obra importante para que a gente busque recursos e a faça. Já contatamos deputados estaduais e federais e vamos buscar recursos porque queremos que essa obra seja realizada ainda em 2017. Vamos fazer todos os esforços para que se consiga isso, menciona.

O prefeito eleito destaca que uma possível solução definitiva para tirar o tráfego de caminhões – exceto daqueles que demandam de carga e descarga dentro da cidade do centro -seria a obra do Contorno Oeste. De acordo com Rauber, em conversa recente com o governador Beto Richa houve a garantia de que em 2017 o Paraná terá um volume de dinheiro grande para investimento e ele espera poder contemplar já no próximo ano esta obra em Marechal Rondon. Levamos para o governador os inúmeros estabelecimentos, avenidas, ruas, creches, escolas e o problema de som que os caminhões proporcionam especialmente nesses locais, prejudicando o processo de ensino e aprendizado. Ele se mostrou sensível e, segundo o governador, já era uma vontade disso ter sido feito no passado, mas houve a crise econômica que assolou nosso país e também o Estado. Porém, de acordo com ele, as finanças do Estado estão controladas e será possível investir em 2017, afirma.

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