Marechal Projeto em andamento

Paróquia de Marechal Rondon vai construir santuário de Nossa Senhora de Aparecida

Milton Becker: “Nosso projeto cresceu e posso garantir que ele sairá do papel. Claro, tudo vai depender da autorização do bispo Dom João Carlos Seneme e do Conselho da Diocese de Toledo. No momento que tudo estiver em andamento, o dinheiro vai aparecer. Já temos muitas promessas de auxílio na parte financeira” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

A Paróquia Sagrado Coração de Jesus – matriz da Igreja Católica de Marechal Cândido Rondon – vai construir um santuário de Nossa Senhora de Aparecida. A revelação é do empresário Milton Becker, membro da diretoria da paróquia. “Vamos construir um santuário para toda a região Oeste do Paraná e o Brasil. Ainda não sabemos se vai ser em Marechal Rondon ou Quatro Pontes, mas com certeza será num local de fácil acesso. Será uma espécie de filial de Aparecida (SP)”, declarou ao O Presente.

Segundo ele, a região nas proximidades da Polícia Rodoviária Federal está entre as mais cotadas para receber a obra por oferecer ótima visibilidade. “Pretendemos adquirir a área até o fim do ano”, comentou.

Casa do Eletricista – NÃO PAGUE AR

Na entrevista, Becker também fez uma avaliação da Igreja Católica sob a liderança do papa Francisco e das consequências da pandemia nas atividades da igreja. Falou ainda sobre a importância do agronegócio para o Brasil virar a página pós-Covid e, como bolsonarista assumido, analisou as ações do governo federal e do presidente da República. “O Bolsonaro provavelmente também será nosso presidente a partir de 2022”, afirmou. Confira.

 

O Presente (OP): O senhor tem uma vida ativa e bastante dedicada à Igreja Católica há muitos anos. Como avalia a Igreja sob a liderança do papa Francisco?

Milton Becker (MB): Eu fui luterano, virei católico quando casei. Me dou muito bem dentro da Igreja Católica, mas sabemos que em todos os segmentos, inclusive na Igreja, existe o mal e existe o bem. Dentro da Igreja Católica o bem é muito maior do que o mal. Tenho uma admiração pelo papa Francisco e tenho uma admiração grande também pelo padre Solano (Tambosi).

 

OP: Houve um episódio, há alguns meses, que repercutiu muito dentro da Igreja Católica, principalmente entre as pessoas que têm convicções políticas diferentes, que foi a audiência do papa com o ex-presidente Lula. Como o senhor avaliou esse episódio?

MB: Na minha opinião, o papa Francisco cometeu um erro. Eu, inclusive, fiquei indignado com essa recepção, mas depois fui informado também que o papa tem que seguir algumas regras. Ele poderia, talvez, não ter recebido o Lula, mas eu sempre falo e repito aquilo que ele mesmo falou: a corrupção não tem perdão. A corrupção é o que mais mata, é o que mais faz pessoas passarem fome. Uma vez que existe um roubo, um desvio de dinheiro público, e esse dinheiro não é dos políticos, ele deixa de ir para a saúde, para a educação e outras coisas. Então, corrupção não tem perdão. Teria perdão se a pessoa que roubou devolvesse esse dinheiro e pedisse perdão, mas isso é praticamente impossível.

 

OP: Em Marechal Rondon há uma liderança que, na opinião de muitas pessoas, contribuiu para o fortalecimento da igreja nos últimos anos, que é o padre Solano Tambosi. Como o senhor avalia a relação dele dentro da Igreja Católica e o que espera no futuro?

MB: O padre Solano é um grande líder. Gosto dele e tenho muito respeito por ele. É aquela pessoa que você pode perceber nas missas que não usa meias palavras. Ele é muito autêntico. Nós fomos privilegiados em Marechal quando ele veio para cá e nós estamos até trabalhando, em certo sentido, pedindo ao bispo para que ele permaneça muito tempo aqui conosco.

 

OP: Há um projeto que prevê a construção de um santuário em Marechal Rondon. Ele continua em pé?

MB: Esse santuário, eu digo com todas as letras, vai sair, sim. Primeiro foi um sonho do padre Solano, depois passou a ser um sonho meu e de toda a nossa diretoria. Num primeiro momento avaliamos se vamos construir o santuário, vamos construir só para um bairro, vamos construir só para Marechal Rondon ou vamos construir para toda a região Oeste do Paraná e Brasil. E decidimos que vamos construir um santuário para toda a região Oeste do Paraná e o Brasil. Nós estamos buscando o local, um local que seja bem visível. Será o Santuário de Nossa Senhora de Aparecida. Será mais ou menos como uma filial de Aparecida. Além do santuário, também queremos construir um centro de ações da Igreja Católica, seja para a realização de cursilho, renovação, para uso dos padres em seus retiros. Então, o projeto cresceu e posso garantir 100% que ele sairá do papel. Claro, tudo vai depender da autorização do bispo Dom João Carlos Seneme e do Conselho da Diocese de Toledo.

 

OP: A área já foi escolhida e o projeto arquitetônico já foi desenvolvido?

MB: Não. A área está sendo buscada. Queremos construir o santuário em um local que seja de fácil visibilidade e que também tenha fácil acesso. Estamos pensando de Quatro Pontes a Marechal. Como vai ter a duplicação da rodovia, temos que ver a questão dos viadutos e da visibilidade. Se vai ser em Marechal ou Quatro Pontes ainda não está definido, mas com certeza será num local de grande visibilidade e de fácil acesso.

 

OP: O local mais propenso para implantação do santuário seria o Morro das Antenas?

MB: No início era, mas tivemos dificuldades ali. Como o padre Solano fala, e eu acredito nisso, quem vai escolher o lugar vai ser Nossa Senhora. Nós já negociamos uma área após a Polícia Federal, em Quatro Pontes, e por alguma razão particular a pessoa desistiu do negócio. Entendi que aquele local não era o que Nossa Senhora queria, mas aquela região, passando a Polícia Rodoviária, do lado direito, daria uma visibilidade ótima. Não importa se for em Marechal ou em Quatro Pontes, porque o santuário não será só para Marechal ou só para Quatro Pontes. Ele será para todas as pessoas. Imagina, os viajantes, as famílias que vão viajar, vão para praia, férias e tiverem um local para parar e fazer uma oração. Os caminhoneiros, que muitas vezes ficam 20, 30 dias sem voltar para casa, se tiverem um local de fácil acesso onde possam fazer uma oração. É mais isso que nós estamos olhando também.

 

OP: Quando começaria esse projeto ou ainda não há um prazo?

MB: Pretendemos adquirir a área até o fim do ano. Quanto ao projeto, quando vai começar e quando vai terminar a gente não sabe. Você sabe a história do Santuário de Aparecida? Longe de querer fazer algo semelhante, mas inicia-se um projeto e esse projeto vai acontecendo, não importa se vai levar cinco, dez ou 20 anos para ficar pronto. E de onde vai sair o dinheiro? O padre Solano sempre fala assim: nós já temos o dinheiro, só que está no seu bolso. Temos uma experiência grande que a nossa comunidade regional é muito generosa. No momento em que tivermos esse projeto em andamento tenho certeza absoluta que o dinheiro vai aparecer, tanto é que nós já temos muitas promessas, inclusive de grandes empresários, que o dia em que iniciar esse projeto eles estarão ali para nos auxiliar na parte financeira.

 

OP: A pandemia mudou a questão da frequência nas igrejas, que passaram a adotar novos métodos para se comunicar com seus fiéis. O senhor acredita que no futuro as igrejas serão menores e as transmissões de cultos, missas e outras celebrações via redes sociais serão maiores?

MB: Fiquei muito triste com a falta de missas presenciais porque entendo que os governantes estão exagerando. O Bolsonaro fala isso, e é a minha ideia também. No Brasil e no mundo vai morrer muito mais gente de pobreza, falta de comida, falta de remédio, até de suicídios do que de coronavírus. Então, vejo com restrição essa questão das missas presenciais. O processo de retorno poderia ter sido antecipado, mas pelas regras municipais e estaduais não foi possível. No momento em que abriu a possibilidade, na liderança do nosso bispo, foram retomadas as missas presenciais, mas estou bem triste porque a frequência está pequena. Apesar da restrição, aqueles espaços que poderiam ser ocupados não estão sendo preenchidos. A pandemia, não sei se no mundo, mas no Brasil e nas igrejas, na minha opinião, causou um esfriamento. A missa via rede social não chega nem 10% de uma missa presencial.

Empresário Milton Becker: “Acredito que a intervenção seria o único caminho para corrigir o rumo do país nesse momento, porque nós sabemos que o Supremo hoje não está fazendo o papel dele, que é só corrigir a Constituição. Ele está administrando. Os ministros viraram um governo e viraram tudo. Isso é inconstitucional” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

OP: A Granja Becker tem conquistado nos últimos anos troféus e colocações de destaque no Prêmio de Melhores da Suinocultura Agriness, um renomado concurso do país. Como foi chegar neste patamar de destaque e o que tem feito para se manter nele?

MB: Há vários fatores que influenciam ser eficiente naquilo que faço. Em primeiro lugar, tem que ser patriota suinocultor. A pessoa que mexe com suinocultura tem que ser persistente, e isso realmente tem acontecido comigo. Quanto às premiações, tem dois sentidos. O primeiro é a satisfação de estar fazendo a coisa certa. O segundo são os meus funcionários, que são responsáveis pelo resultado que estamos tendo na granja. Eu sempre falo que é fácil formar uma granja, o difícil é o material humano para você ter a eficiência.

 

OP: O agronegócio no Brasil vive um momento de expansão, crescimento e afirmação no mercado mundial. Nós estamos na região mais promissora do mundo para a produção agropecuária?

MB: Vou repetir as palavras do Paulo Guedes (ministro da Economia). O Brasil, após a pandemia, vai mostrar o milagre brasileiro. Vai ser o país que vai se recuperar por primeiro, e isso tem muito a ver com o agronegócio e com as pessoas brasileiras também, porque nós entendemos o seguinte: essa pandemia está judiando muitas empresas e muitas pessoas, mas nós temos que entender que estamos produzindo alimentos. O mundo precisa de alimentos, então, com certeza, o Brasil vai ser o país que menos vai sofrer com essa situação. Realmente, estamos em uma região privilegiada: o Oeste, o Paraná e o Brasil.

 

OP: Quem chegou no Oeste do Paraná nas décadas de 60, 70, encontrou uma região que não tinha agropecuária. Hoje, o Oeste é uma região forte do agronegócio. Qual a razão desta transformação, na sua opinião?

MB: Dois fatores. O primeiro são as terras e o clima, mas o mais importante de tudo são as pessoas. As pessoas que migravam do Rio Grande do Sul para cá eram aquelas que acreditavam na nossa região, aquelas que realmente decidiram fazer os investimentos e trouxeram com elas a experiência que tinham. A agricultura e a pecuária foram o que deram, vamos dizer assim, resultado.

 

OP: O senhor acredita que o agronegócio vai ser a grande alavanca de desenvolvimento do Brasil ou que haverá outros segmentos, a partir da política de inovação implementada pelo ministro Paulo Guedes, que irão se destacar?

MB: O agronegócio vai ser responsável por pelo menos 80% da recuperação do país. O Brasil tem capacidade de dobrar a sua produção, tanto na lavoura como na agropecuária. Então, nós, brasileiros, o Brasil como um todo, é que vai suprir a necessidade do mundo.

 

OP: O senhor tem sido cauteloso nas suas recomendações quando questionado a respeito de suinocultura. Por que entende que não é um bom momento para o suinocultor ampliar a sua atividade?

MB: Estamos passando por uma situação crítica mundial e o agronegócio sempre vai ter o seu espaço, mas não é o momento de expansão. O que eu falo para os granjeiros? Procure estruturar a sua granja, procure aumentar a produção e, se for possível, faça uma reserva, porque a gente sabe que existe um grande futuro nisso. Então, não é o momento de fazer investimentos e, sim, de fazer melhorias na propriedade.

 

OP: O senhor nunca foi uma pessoa de se envolver em política partidária e campanhas, mas na última eleição se engajou em prol do então candidato Bolsonaro e até hoje é um grande defensor do governo dele. Qual a sua avaliação do Brasil sob o governo Bolsonaro?

MB: Quando o Bolsonaro surgiu, pela sua simplicidade, honestidade e religiosidade, deu para perceber que ele seria uma pessoa certa para governar o país. O que nós temos percebido? Que o Brasil já teve inúmeras melhorias. Não se vê mais corrupção, não se vê universidades com dificuldades no sentido maléfico e nós estamos vendo, infelizmente, que ele está sendo combatido pela oposição por causa disso. Mas acredito que o Bolsonaro ainda fará um governo muito bom, e tem mais, não vão conseguir derrubá-lo. O Bolsonaro provavelmente também será nosso presidente a partir de 2022.

 

OP: Brasília virou palco de manifestações pró-Bolsonaro todos os fins de semana. Inclusive, recentemente um grupo de pessoas de Marechal Rondon esteve por lá e neste fim de semana novamente ocorreu uma grande concentração. Na sua opinião, por que os defensores do Bolsonaro têm essa vontade de se manifestar e fazer esses protestos?

MB: A manifestação e ação das pessoas estão basicamente sendo motivadas pela oposição, a cada “facada” que o Bolsonaro recebe. Facada física ele recebeu só uma, mas toda semana você percebe que ele recebe facadas de todos os lados e de todos os jeitos. Eu acho que isso, ao invés de ser negativo, está sendo positivo. Tanto é que a divulgação do vídeo da reunião ministerial foi um tiro n’água da oposição. Com isso, cresceu muito mais a popularidade do presidente. Aquela fala que todo mundo diz que político tem que ser polido, tem que inventar palavras, com o Bolsonaro não tem disso. Ele é autêntico e tem um objetivo claro: trabalhar em prol da população e do Brasil em si.

 

OP: O senhor condena ou perdoa o presidente da República pelos palavrões?

MB: A pessoa autêntica fala exatamente aquilo que ela pensa e sente. O Bolsonaro fala o que pensa e o que sente. Se ele fala algum palavrão é porque naquele momento ele está sendo provocado a fazer isso, mas cada vez mais a população gosta dele, até por essa autenticidade. Então, eu não condeno. Pelo contrário, acho que ele tem que ser cada vez mais autêntico.

 

OP: Alguns setores manifestam preocupação em relação aos filhos do Bolsonaro e acreditam que eles mais atrapalham do que ajudam. O senhor entende que isso procede ou é coisa da oposição?

MB: Quem tem filho entende. Cada filho tem o seu jeito, cada pessoa é diferente e nossos filhos são diferentes uns dos outros. Eles ainda não têm a experiência do Bolsonaro, mas são pessoas autênticas também. Então, eu acho que, claro, se eles fossem um pouco mais administrativos, talvez seria melhor. O mais importante, eu sempre falo e parece que o Bolsonaro tem isso com ele também, é Deus em primeiro lugar, família em segundo lugar e filho, de vez em quando, você tem que chamar a atenção. E é isso que ele está fazendo.

 

OP: Muitas manifestações pró-Bolsonaro chamam a atenção por sugerirem a intervenção militar no Brasil. Isso incomoda ou o senhor é a favor?

MB: Sou totalmente a favor, mas não da forma que se fala, intervenção militar. Existe um artigo na Constituição que o presidente tem poder de fechar o Congresso e fechar o Supremo (Tribunal Federal). É como se uma comissão vai julgar esses políticos em 90 dias, se não me engano, e aquele que tem problema de corrupção vai preso e aquele que não tem problema de corrupção reassume o cargo; isso vale para todos os poderes. Então, sou totalmente a favor e, evidente, para depois desses 90 dias se reconstitui de novo o Congresso e passa a ser uma intervenção militar apenas para corrigir o rumo, não os militares tomar conta do país.

 

OP: Neste caso, quem julgaria essas pessoas se o Supremo Tribunal Federal estaria fechado?

MB: Quem julgaria seria uma espécie de comissão, um tribunal militar.

 

OP: O senhor acredita que haveria justiça?

MB: Certeza absoluta. Não digo 100% dos militares, mas pela formação deles a maioria é gente de bem. Eles também não fariam besteira, na minha opinião. Eu acredito, sim, que seria o único caminho para corrigir o rumo do país nesse momento, porque nós sabemos que o Supremo hoje não está fazendo o papel dele, que é só corrigir a Constituição. Eles (os ministros) estão administrando, vamos dizer assim. Eles viraram um governo e viraram tudo. Isso é inconstitucional.

 

CONFIRA A ENTREVISTA EM VÍDEO

O Presente

 

Clique aqui e participe do nosso grupo no WhatsApp

TOPO