A palavra religião vem do verbo latino religare, que significa religar. Ou seja: ligar de novo o ser humano a Deus. O ser humano vai a Deus e Deus vai ao ser humano.
Para os católicos, Deus é o criador de todas as coisas e consegue intervir na história, sendo alguns dos seus atributos divinos mais importantes a onipotência, a onipresença e a onisciência.
E é na missão de divulgar e proclamar todos os desígnios de Deus, de tudo aquilo que Ele fez e continua a fazer pela humanidade, que a Paróquia Sagrado Coração de Jesus – matriz da Igreja Católica – vem atuando há 60 anos em Marechal Cândido Rondon, plantando a semente da fé.
No último dia 28 de fevereiro a paróquia completou seis décadas de atuação no município. E para celebrar a data, várias atividades serão realizadas ao longo do ano como forma de comemorar as bodas de diamante.
As comemorações iniciaram no último dia 05, com a abertura dos jubileus que pertencem à paróquia, que tem à frente o padre Sérgio Augusto Rodrigues. A missa contou com a presença do bispo diocesano dom João Carlos Seneme, do padre André Boffo Mendes e padroeiros.
Escola Bíblica
Uma das atividades comemorativas é a Escola Bíblica Paroquial, que vai acontecer uma vez ao mês, ministrada pela teóloga Sonia Sirtoli Färber, de Cascavel. A intenção é promover a ampliação dos conhecimentos dos livros do Novo Testamento, refletindo sobre a história e a teologia dos textos, a fim de facilitar a percepção da revelação de Deus na história humana e conexão entre os textos e a pastoral. A escola acontece das 14 às 17 horas e os interessados devem procurar a paróquia para obter o cronograma.
De maio a agostoEm maio será promovida a semana de espiritualidade, oportunidade em que o padre jesuíta Luís Renato Carvalho de Oliveira, do Mosteiro de Itaici, fará um trabalho de acompanhamento espiritual.
No mês de junho haverá a festiva ao Padroeiro Sagrado Coração de Jesus, que também terá uma programação voltada aos 60 anos da paróquia.
Já para o mês de agosto está programado o Baile dos Pais. “Tem ainda a nossa Ação Entre Amigos, que acontece tradicionalmente uma vez por ano e visa envolver a comunidade para a manutenção da mesma”, comenta padre Sérgio.
Pilares da Igreja
Ele diz que a igreja é formada por quatro pilares: a palavra, o pão, a caridade e a ação missionária. “Temos um trabalho de iniciação à vida cristã, liturgia, espiritualidade, além dos serviços de caridade e ação missionária”, pontua.

(Foto: Bruno de Souza/OP)
Desafios
No passado, o desafio de uma comunidade era a implantação e a consolidação de uma paróquia, construção e estruturação material e humano.
A igreja era uma referência para as cidades que iam se formando, pontua padre Sérgio. “No começo, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus era uma capela de madeira e, segundo consta nos documentos, levava o nome de Cristo Rei. No entanto, como já existia paróquia com o mesmo nome em Toledo, a nossa teve que ter seu nome alterado para evitar confusões de referência”, explica.
Ele destaca que Marechal Rondon possui um dos maiores números de habitantes entre as cidades que a Diocese de Toledo abrange. Para o sacerdote, este é um desafio diante do mundo urbano, com suas alegrias e contradições. Mas seja na cidade ou no campo, ele avalia que é um espaço aberto para a vivência do evangelho. “Temos nossas angústias, alegrias e várias mentalidades. Valores e contravalores. Neste contexto, precisamos anunciar e viver a palavra de Deus”, reflete.
Conforme o pároco, a realidade atual é marcada pelo consumismo. “O papa Francisco já definiu esta situação como uma doença séria. Tudo tende a ser feito para ser consumido, esgotado e substituído. Acontece isso com as coisas e nós estamos transferindo para as ações humanas. As pessoas são avaliadas pela sua capacidade de participar do mercado”, observa.
Outro problema é a corrupção, na qual “as pessoas pensam apenas em seus interesses próprios e ganhos, sem se preocupar com o bem comum e sem se preocupar com o abandono que vão deixando pela vida”.
Neopelagianismo e neognosticismo
Outra realidade apontada por padre Sérgio diz respeito às distorções que existem na sociedade atual. Segundo ele, duas correntes que sufocam e derrubam o evangelho são o neopelagianismo e o neognocistismo.
É algo, enaltece ele, falado pelo papa Francisco. O neopelagianismo é a capacidade do ser humano achar que é autossuficiente. “Achamos que podemos fazer tudo sozinhos e deixamos de lado a ação de Deus na nossa vida”, expõe.
Já o neognosticismo prega a racionalidade e a capacidade intelectual do ser humano como algo absoluto. “É o grande perigo do mundo de hoje”, alerta.
Por isso, menciona o pároco, a comunidade católica precisa estar em estado permanente de missão. “É preciso ir aos lugares aonde o evangelho necessita ser vivenciado. Não dá para separar a vida da comunidade da nossa ação missionária. É fundamental acolher o amor que vem de Deus, o próprio Cristo, e comunicar isso aos outros. O amor fraterno é um desafio a ser vivido entre nós”, evidencia.
Luzes e sombras
Padre Sérgio afirma que o atual cenário do mundo é ambíguo, marcado por luzes e sombras. “Temos uma emancipação do sujeito, uma pluralidade e o avanço de novas tecnologias que nos ajudam a cuidar melhor da vida. Por outro lado, temos o indiferentismo, a liquidez, o secularismo e o relativismo causados pela globalização”, salienta.
De acordo com ele, a igreja está imersa neste cenário e a missão é transformar e transmitir a fé dentro da cultura em que a instituição eclesiástica está inserida. “A sociedade passa por rápidas e profundas transformações. No mundo de hoje a igreja deve ser anunciadora e mostrar que Deus habita em nós, apesar das dificuldades e das nossas realidades”, ressalta.
O pároco lembra ainda sobre as dores que afligem o mundo. “Temos muito forte a pobreza, o desemprego, condições precárias de trabalho e de habitação e o descuidado com a natureza e o meio ambiente”, enumera. Tudo é um desafio contínuo, avalia, acrescentando que as cidades e suas culturas passam por processos de recriação e retransformação. “Os cristãos precisam compreender a mentalidade do mundo que vivemos”, pontua.
Fragilidade dos jovens
Os jovens, no entendimento de padre Sérgio, são os mais afetados pela cultura na qual a sociedade está inserida. Por isso, precisam do apoio e da fraternidade da igreja. “Eles sentem na pele a confusão e o atordoamento encontrados na sociedade. Eles são frágeis de referências e apresentam precariedade de critérios. A comunidade cristã precisa estar atenta aos jovens, auxiliando nas escolas, nas abordagens, para que eles não se deixem levar pela aparente impressão que o mais cômodo é o melhor para eles. Nossa paróquia não está ausente destes aspectos. Temos que reforçar e cumprir com a nossa missão”, frisa.
A igreja deve estar cada mais envolvida no processo de caminhada da fé, diz. “Não somos apenas um chavão, um verniz que passamos para tornar a situação mais atraente. Precisamos nos aprofundar e irmos às raízes da civilização para viver a nossa fé”, destaca.
Capelas
A Paróquia Sagrado Coração – matriz católica de Marechal Rondon – pertence à Diocese de Toledo e conta com seis capelas: Santa Ana (Jardim Ana Paula), São Lucas (Bairro São Lucas), Nossa Senhora Aparecida (Jardim Marechal), São Francisco (Bairro São Francisco), Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Bairro Boa Vista) e São Paulo (Curvado).
São 21 pastorais e movimentos de organização e atuação dos fiéis leigos.

Padre Sérgio Rodrigues: “Não dá para separar a vida da comunidade da nossa ação missionária. É fundamental acolher o amor que vem de Deus, o próprio Cristo, e comunicar isso aos outros. O amor fraterno é um desafio a ser vivido entre nós” (Foto: Bruno Henrique de Souza/OP)
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