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Marechal

Passeios na natureza são os “queridinhos” da vez entre rondonenses

calendar_month 29 de outubro de 2021
9 min de leitura

Explorar novos caminhos, perceber a própria capacidade de superação e encarar desafios. Os rondonenses estão cada vez mais interessados em aventuras ao ar livre, realizando atividades em lugares em meio à natureza, que proporcionem se desligar do trabalho, de casa, da rotina e do estresse do dia a dia. Não à toa, trilhas (trekking), caminhadas (hiking) e percursos de bike viraram os “queridinhos” da vez.

Os destinos para se “desligar” e se reconectar são variados e vão desde passeios pelo interior da microrregião de Marechal Cândido Rondon até roteiros distantes dessa rota, como os que permitem fazer montanhismo, escalada e ter contato com canyons, cachoeiras e ferrovias.

“Há passeios indicados mais para o período de inverno, como o montanhismo, e outros mais específicos para o verão, como os que permitem contato com cachoeiras”, comenta o educador físico Tiago Augusto Pinz, proprietário da Academia Fênix e idealizador de passeios de aventuras há dez anos.

“Tudo começou com a ideia de proporcionar outra opção de modalidade na academia. Sempre gostei de aventura e praticava apenas como uma forma de lazer, mas com o tempo as pessoas começaram a pedir para ir junto”, relata, explicando como surgiu a Fênix Aventuras.

Conforme Tiago, ele organiza a formação de grupos e são feitos percursos pela Ferrovia do Trigo e ao Pico Paraná. “O Pico Paraná é a aventura mais desafiadora. Dos grupos que levei, alguns participantes pensaram em desistir no caminho, achando que não iam conseguir, contudo, por fim, todos conseguiram e foram capazes”, comenta.


Tiago Augusto Pinz, da Fênix Aventuras: “O importante é ter o acompanhamento de pessoas que já têm experiência com estes tipos de passeios, bem como conhecimento para primeiros socorros” (Foto: Divulgação)

 

Superação de limites

Micheli Tavares, que já encarou estes desafios, diz que a montanha mais alta do Sul do Brasil lhe mostrou o quanto é possível superar limites. “Foram oito horas de subida para chegar até o pico, levando uma carga pesada de mantimentos e materiais para camping. Tive muito medo, chorei, caí e por várias vezes pensei que não iria conseguir. Cheguei ao ponto de sentir arrependimento, mas depois vi o quanto é sensacional estar tão perto do céu.

Acalmei meu coração e entendi que com uma boa preparação física e uma dose de coragem é possível conquistar lugares inesquecíveis. Com um céu cheio de esplendor, numa altitude de 1.877 metros, estar acima das nuvens foi a melhor sensação que já pude experimentar”, recorda.

Todo encanto dela por aventuras e viagens em meio à natureza iniciou em 2018, quando participou de um rapel na Cachoeira da Onça, no distrito rondonense de São Roque. Desde então, já fez canoagem no Lago de Itaipu, trilhas em cânions e até atravessou a pé o maior viaduto da América Latina e o segundo maior do mundo – de Guaporé a Muçum, no Rio Grande do Sul. “Esse jeito diferente de viver me incentivou a fazer coisas que jamais imaginei que seria capaz. Quando lembro de todas as viagens que realizei fica um sentimento especial por uma delas”, enaltece.


Encanto de Micheli Tavares por aventuras e viagens em meio à natureza iniciou em 2018: “Esse jeito diferente de viver me incentivou a fazer coisas que jamais imaginei que seria capaz” (Foto: Divulgação)

 

Conquistas e ajuda ao próximo

No caso de Adalton Santana dos Santos, o interesse por aventuras surgiu na infância. Ele foi escoteiro e gostava de acampar, fazer rapel e andar de bike.

O rondonense conta que a aventura mais difícil que já fez foi escalar o Pico Paraná. No entanto, já subiu três vezes. “Cada vez fica mais fácil, mas a primeira vez foi impactante”, resume.
Já o lugar mais bonito que o trekking lhe proporcionou foi o montanhismo pela região do Capitólio, em Minas Gerais.

Nessas andanças e aventuras, um fator que agrada Adalton é poder ajudar o próximo. “Mesmo tendo um preparo físico excelente, em algum momento você vai precisar de ajuda ou apoio para vencer algum obstáculo. O objetivo é todos conquistarem o cume. Todos terem a mesma sensação e respirar o ar da montanha”, expõe.

O próximo destino do rondonense será a Serra da Graciosa, no sábado (30), onde será realizado um pedal de 80 quilômetros até Pontal do Paraná. A equipe vai alugar uma van e uma residência. Lá, cada um ajuda com o que pode, seja na alimentação, na limpeza da louça ou na higiene da casa. “Tudo fica mais divertido, leve e fácil de organizar e aproximar mais as pessoas. É o que chamamos de uma viagem low cost (baixo custo), que tem o investimento entre R$ 600 e R$ 1 mil”, menciona.

Para participar os interessados podem acompanhar a página da Fênix Aventuras nas redes sociais.


A aventura mais difícil que Adalton Santana dos Santos já fez foi escalar o Pico Paraná: “Já subi três vezes. Cada vez fica mais fácil, mas a primeira vez foi impactante” (Foto: Divulgação)

 

Benefícios à saúde

Além do contato e respeito com a natureza, quem participa destas aventuras descobre outros benefícios: a melhora da saúde física e mental. Os passeios proporcionam qualidade de vida e bem-estar por meio da melhoria cardiovascular e respiratória, fortalecimento dos músculos e da densidade óssea, perda de peso e muito mais.

“O importante é ter o acompanhamento de pessoas que já têm experiência com estes tipos de passeios, que tenham um auxílio e entendam que existem diferentes tipos de preparos físicos, bem como conhecimento para primeiros socorros para que tudo ocorra em segurança”, destaca Tiago.

 

Um novo estilo de vida e muitas aventuras

Se para uns o interesse de aventuras surge na infância, para outros só aparece mais tarde, na maturidade. É o caso da rondonense Joice Froehner Schaeffer, que depois dos 50 anos resolveu quebrar a rotina e se permitiu explorar atividades ao ar livre. “Com meus filhos adultos, e somente eu e meu esposo em casa, resolvi fazer coisas fora do meu cotidiano e estou aprendendo que as coisas simples são tão boas ou até melhores que as coisas mais complexas”, comenta.

Entre as andanças de Joice, desde que começou suas aventuras, em abril deste ano, a de maior desafio foi subir o Pico Agudo, em Sapopema (PR). “Não foi o mais longo, mas foi o mais difícil fisicamente. Cansei muito, pois era um dia muito, muito frio e com muito vento. Achei que iria levar de letra porque estava em atividade física regular, mas não foi nada fácil, o que me desestabilizou psicologicamente. O cume do Pico Agudo fica a 1.180 metros de altitude e em alguns lugares é necessário se segurar em correntes para subir”, relata.

Apesar dos obstáculos, a rondonense conta que vale muito a pena se desafiar. “Presenciamos o nascer do sol. Foi maravilhoso. A paisagem lá de cima, em todos os ângulos, é perfeita. Abaixo está o Rio Tibagi, lindo de se ver lá de cima. A vista é inexplicável. Tenho vontade de subir outras montanhas para sentir esta sensação maravilhosa novamente”, compartilha.


Entre as aventuras de Joice Schaeffer, a de maior desafio foi subir o Pico Agudo, em Sapopema: “A paisagem lá de cima é perfeita. A vista é inexplicável” (Fotos: Divulgação)


Muitas sensações

De acordo com ela, cada aventura vivida proporciona histórias diferentes e conhecer pessoas diferentes. “A cada dia gosto mais dessas atividades. Parece que dão vida, energia. Elas me permitem muitos sentimentos e sensações. Sempre que termino uma, já tenho vontade de ir para a próxima”, revela.

 

Privilégio

Além das aventuras mais distantes, em outros municípios ou Estados, a rondonense pratica cicloturismo quase todos os fins de semana. De bike por caminhos diferentes, seja estradas do interior ou rodovias beirando as cidades, ela tem o privilégio de uma companhia especial: o marido Elton. “Meu esposo tem me acompanhado em todas as aventuras desde que iniciei esta nova fase da vida. Como casal, tem sido muito bom, pois passamos mais tempo juntos. Normalmente, pesquiso atividades que acho interessante, pergunto o que ele acha e, até o momento, aceitou fazer todas comigo. Nossos filhos acham muito legal e nos incentivam continuar. Desde que começamos, nos sentimos mais ativos e com mais energia. Particularmente, valorizo muito mais a natureza, cada planta, cada flor. Observo mais o céu e as paisagens da região, e como elas são perfeitas”, evidencia.


De bike por caminhos diferentes, seja estradas do interior ou rodovias beirando as cidades, Joice tem o privilégio de uma companhia especial: o marido Elton (Foto: Divulgação)

 

Férias diferentes

Há poucos dias, Joice e Elton estavam de férias e resolveram aproveitá-las de uma maneira diferente: viajar de bike pela região. “Iríamos de bike para o litoral, mas a viagem foi cancelada. Então, resolvemos fazer por aqui mesmo. É nós e nossas bicicletas. Saímos de Marechal, passamos por Pato Bragado, Entre Rios do Oeste e pernoitamos no interior de Santa Helena”, detalha. Na sequência, eles fizeram um tour pelo interior de Toledo.

“Ficamos em uma pousada em Novo Sarandi e no dia seguinte partimos a Juvinópolis, perto de Cascavel, onde fizemos a Trilha da Tormenta. Depois, voltamos para Novo Sarandi”, conta ela, explicando que o roteiro incluiu uma trilha pela mata e cachoeira e que, por isso, parte do trajeto precisou ser feita de carro.

Ela ressalta que o casal está conhecendo muitos lugares sob uma ótica diferente: o olhar de ciclista. “Algumas vezes é tenso, outras, fantástico. É cansativo, mas o prazer de concluir um percurso se sobressai a qualquer sofrimento”, resume.

 

Custos

Em relação a custos, Joice diz que aventuras de bike são mais em conta. “Não é preciso atravessar o país para conhecer lugares incríveis. Há muitos deles em nossa redondeza e é possível encontrá-los gastando bem menos que uma viagem convencional”, sugere.

 

Dica

Para aqueles que sentem vontade, mas não criam oportunidades para se aventurar, Joice deixa uma dica: Não percam tempo, parem de arrumar desculpas!. “Se você tem vontade, comece fazendo caminhadas, pedalando por perto e vá à academia para criar um condicionamento físico. Atividades ao ar livre são ótimas, mas requerem um certo preparo. Então, pesquise na internet, converse com pessoas que praticam essas atividades e use equipamento adequado para cada situação. É importante se preparar, porque se você não estiver preparado pode se frustrar na primeira aventura”, pontua.




Joice Froehner Schaeffer: “Não é preciso atravessar o país, para conhecer lugares incríveis” (Foto: Divulgação)

 

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