Hoje, 28 de agosto de 2024, uma das duas primeiras enfermeiras de Marechal Cândido Rondon completaria 101 anos. Filha de agricultores familiares, Margarida Schmidt nasceu em 28 de agosto em Erechim (RS).
Devido a dificuldades financeiras na juventude, foi trabalhar de empregada doméstica na
casa do Dr. Seyboth, médico residente em Piratuba (SC.) Com seu bom trabalho, chamou a atenção do patrão, que a convidou para fazer o treinamento de atendente de enfermagem no hospital. Ali começou a exercer a nova profissão.
Quando o Dr. Seyboth foi convidado pela Colonizadora Maripá a transferir seu hospital para a então frente de colonização de General Rondon, Margarida se disponibilizou a acompanhar a equipe do Hospital Filadélfia.
Em 1955, tendo o registro número 1 no primeiro cartório de General Rondon, se casou com o agricultor e motorista José Roberto Feiden, passando a usar o nome de Margarida Feiden.
Deixou o hospital para voltar a trabalhar na agricultura em uma propriedade na região, que depois se tornaria a Linha João Pessoa.
A preocupação com a saúde comunitária continuou presente na vida da família mesmo depois do casamento. Seu marido, José Roberto, capturava cobras que eram enviadas para estudo no Instituto Butantan, em São Paulo, e, em agradecimento, recebiam soro antiofídico que ficava à disposição de quem precisasse.
Membro ativo da comunidade, atuou como agente de saúde informal, zelando para que os vizinhos mantivessem as vacinas e o acompanhamento médico das crianças em dia.
Teve ação importante como líder de grupo de mulheres e apoio aos clubes 4 S da Acarpa. Junto com seu marido, é lembrada pela recepção calorosa que oferecia às visitas, pelos churrascos e festas que aconteciam em sua casa e pela constante disposição em ajudar a comunidade. Ofereceu, durante muitos anos, residência para o professor Renaldo May, que lecionava na escola de seus filhos, além de coabitar com a mãe e as irmãs do marido.
Também era reconhecida como exímia fabricante de queijos coloniais, que tinha um mercado bem disputado, chegando a ministrar cursos para o grupo de mulheres.
O casal teve três filhos: Alberto, Armin e Aldi. Sempre preocupados com a educação, a que tiveram pouco acesso, fizeram os maiores sacrifícios para que as crianças perseverassem e tivessem acesso ao estudo universitário. Os três se formaram em Agronomia, tendo o filho do meio (Armin) concluído também a graduação em Zootecnia. Atualmente, todos têm doutorado.
Alberto é pesquisador da Embrapa Pantanal e, por convênio, professor permanente de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável da Unioeste de Marechal Cândido Rondon, desenvolvendo um trabalho com foco na agricultura familiar.
Residente no município rondonense, Armin é professor de Agronomia e coordenador
do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável na Unioeste. Já em Toledo, Aldi é professor de graduação e Coordenador do Programa de Pós Graduação em Engenharia de Pesca da Unioeste.
Margarida faleceu em 30 de maio de 2006 em consequência de um AVC. Ela teve seis netos: Cristiano, Eduardo e Afonso, filhos de Armin (que vivem nos Países Baixos), e
Adriana, Amanda e Karl Josef, filhos de Alberto.