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Marechal Preocupação

Pode haver racionamento de água em Marechal Rondon?

Em alguns pontos mais altos da cidade, como a Vila Gaúcha e os bairros da região do aeroporto, no período entre as 17 e às 20 horas, já tem ocorrido diminuição na pressão da água (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

O tempo seco e as temperaturas elevadas vêm preocupando a população quando se fala em abastecimento de água. Na região, algumas cidades já fazem em determinados períodos o racionamento. Não é o caso de Marechal Cândido Rondon, porém muitos se questionam se isso pode acontecer se o clima permanecer sem precipitações pluviométricas significativas.

Segundo o diretor técnico e operacional do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Vitor Giacobbo, por enquanto a autarquia está conseguindo suprir a demanda no abastecimento da cidade. Porém, em alguns pontos mais altos, como na Vila Gaúcha e nos bairros próximos ao aeroporto, no período entre as 17 e às 20 horas, há uma diminuição na pressão da água fornecida nestas regiões. Isso se dá porque as pessoas estão consumindo mais água nesse período, em virtude das altas temperaturas e também por consequência da falta de chuva, que vem diminuindo o volume de água nas minas e poços de captação.

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Giacobbo explica que há moradores que cobram uma solução por parte do Saae, mas ele expõe que a autarquia não tem o que fazer em períodos de estiagem. “A população precisa estar preparada para esses imprevistos. Acompanhamos notícias de Toledo e Cascavel, onde já está sendo feito racionamento, mas em Marechal Rondon por enquanto não é necessário. Porém, realizamos campanhas para pedir à população que realmente se conscientize e economize água, embora isso não quer dizer que não vai faltar água”, reforça.

Outro questionamento frequentemente feito ao Serviço Autônomo, conforme o dirigente, é por que não perfurar mais poços. Ele frisa que este trabalho não é simples e nem rápido. “Há casos em que não adianta furar mais poços, pois se furarmos um podemos tirar a água que existe em outro”, relata. Em Marechal Rondon, o Saae já conta com mais de 40 poços artesianos em funcionamento.

Por outro lado, a autarquia trabalha desde o início do ano em um projeto para buscar água de algum rio ou de algum outro manancial que não seja de poços. De acordo com Giacobbo, já está definido pela empresa que foi contratada para realizar esse serviço que essa busca de água será no rio Arroio Fundo. Ele ressalta que a operação, contudo, requer um investimento muito alto e que levará de dois a três anos para que a população tenha acesso a essa água.

 

USO DE CAIXA D’ÁGUA

Conforme o diretor, dentre as pessoas que em sua maioria têm cobrado medidas sobre o abastecimento de água, muitas são as que não possuem caixa d’água nas residências.

Giacobbo comenta que existe uma norma nacional que regulamenta a presença de caixas d’água na construção de novos imóveis residenciais. Ele orienta para que haja uma reserva de água de 150 litros por pessoa que more na casa. “Se você tem uma caixa de água compatível na sua casa e se fica um dia inteiro sem bombear, você terá água o dia inteiro e não irá perceber essa falta”, detalha.

O dirigente comenta que o Saae não faz o bombeamento de água o tempo todo. Os equipamentos são desligados à meia-noite e voltam a funcionar pela manhã. A medida possibilita aos poços o aumento de sua capacidade de água para que a vazão durante o dia seja regular.

 

POPULAÇÃO CONSCIENTE

Não é de agora que campanhas para o uso consciente da água são feitas pelo Saae. Segundo Giacobbo, a população rondonense sabe da situação da escassez e os trabalhos surtiram efeito. Há um acompanhamento de consumo mês a mês e foi constatado que o consumo em setembro, em comparação a agosto, se manteve estável. Há casos esporádicos em que algumas pessoas desperdiçam água, mas no geral houve uma conscientização da comunidade, enfatiza o dirigente.

“O Saae precisa produzir 12 milhões de litros de água por dia. Essa quantidade de água nós temos, mas às vezes no pico de consumo pode faltar um pouco. Penso que a população está consciente disso, que não adianta desperdiçar porque será prejuízo para si própria, mas nunca é demais pedir para que os rondonenses continuem cuidando da água, que é um bem muito importante para todos nós”, salienta.

 

RISCO DE RACIONAMENTO

Quando se fala em racionamento, há uma preocupação muito grande por parte tanto do Saae quanto da população. Giacobbo menciona que o risco sempre existe, pois depende muito das fontes de abastecimento. “As minas de água hoje são responsáveis também por uma grande porcentagem no abastecimento, e a falta de chuva faz com que haja uma diminuição dessa água. Nós temos três minas importantes que estão apresentando queda de produção. Se esse volume de água que estamos buscando nas minas para atender o município continuar diminuindo até a metade de novembro, teremos que racionar”, revela. “A maneira como esse racionamento será feito ainda não é certa. Para isso será preciso fazer um plano de contingenciamento para que esse racionamento afete o mínimo possível a população”, finaliza.

 

O Presente

 

Diretor técnico e operacional do Saae, Vitor Giacobbo: “Nós temos três minas importantes que estão apresentando queda de produção. Se esse volume de água que estamos buscando nas minas para atender o município continuar diminuindo até a metade de novembro, teremos que racionar” (Foto: O Presente)

 

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