Pensando em oportunizar uma abordagem adequada em relação à temática relativa à pessoa com Altas Habilidades/Superdotação, a Secretaria Municipal de Educação promoverá, no dia 30 de setembro, o II Seminário de Educação Inclusiva. A programação ocorrerá das 8 horas às 17h30, no auditório Ecos da Liberdade, em Marechal Cândido Rondon.
O evento tem como foco os professores da rede municipal de ensino. Também foram convidados educadores das escolas Pequeno Lar (APAE), Unioeste, ISEPE, Eron Domingues, SESI, SESC, Rui Barbosa, Cristo Rei e Martin Luther.
Inúmeras são as razões para justificar a necessidade de uma atenção diferenciada à pessoa com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). Uma delas é por ser o potencial intelectual humano um dos recursos naturais mais preciosos, responsável pelas contribuições bastante significativas ao desenvolvimento de uma civilização.
A criança entra na vida escolar, em geral, sem consciência de seus talentos. Infelizmente, muitas delas não têm a oportunidade de explorar suas potencialidades em seus anos iniciais de vida, e assim os seus talentos podem permanecer escondidos durante os anos escolares e, às vezes, por toda a sua vida. O perfeccionismo, excesso de autocrítica, sensibilidade exacerbada, entre outras características associadas à dimensão emocional têm sido também apontados como possíveis fontes de estresse e desânimo para estas crianças.
Nesse contexto, o poder público de Marechal Rondon, através da Secretaria Municipal de Educação, tem avançado muito e se tornado referência no atendimento aos alunos com AH/SD, por apresentar uma proposta que encoraja o desenvolvimento das potencialidades já nos primeiros anos do ensino fundamental.
Desde 2020, o município oferta o atendimento na “Sala de Recursos Multifuncionais” na área de Altas Habilidades/Superdotação, com o objetivo de apoiar o sistema educacional, quanto ao atendimento às necessidades educacionais especiais do aluno com indicativos de altas habilidades/superdotação matriculados no ensino fundamental da rede municipal de ensino, que requeiram ampliação ou suplementação dos conteúdos escolares, bem como estimular o desenvolvimento dos talentos deste aluno.
Quem são?
Muitos devem pensar que sujeitos com altas habilidades/superdotação são aqueles que sempre achávamos que eram os grandes gênios da história, a exemplo de Albert Einstein, Leonardo da Vinci, Pablo Picasso ou Mozart.
Todavia, Neymar, Messi e Ayrton Senna (em memória) são considerados pessoas com altas habilidades.
Você se lembra de quando estava na escola e em sua sala havia um colega que se destacava dos demais? Aquele que chamávamos de Nerd ou algo parecido? Pois bem, muito provavelmente ele teria comportamentos de altas habilidades.
Acreditar que superdotação e genialidade são a mesma coisa é um dos maiores mitos que temos nesse assunto. Isso porque pessoas com altas habilidades são mais comuns do que podemos imaginar. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 3,5% a 5% da população possuem essa capacidade. No entanto, muitos preconceitos impedem o reconhecimento desses superdotados.
Potencial elevado
De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), crianças com altas habilidades/superdotação apresentam potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes.
Segundo Joseph Renzulli (2014), um dos mais importantes teóricos no assunto, a habilidade acima da média, criatividade e motivação compõem a personalidade desses indivíduos. Ele aponta, ainda, que existem dois tipos de comportamento de superdotados: os acadêmicos e os criativos-produtivos.
É muito importante reconhecer tais características e identificar essas pessoas em nossa sociedade, pois muitas delas desconhecem suas potencialidades ou não são desenvolvidas ao longo da vida. Isso acarreta no desperdício de talentos, em problemas emocionais e afetivos. Muitas vezes, esses indivíduos acabam sendo rotulados como pessoas bagunceiras, preguiçosas e/ou distraídas, por não terem seu foco de interesse aprofundado.
Perfil
Conheça algumas características que podem manifestar-se em pessoas com altas habilidades:
Curiosidade;
Inconformismo;
Obstinação;
Comportamento divergente;
Responsabilidade precoce;
Criatividade;
Alto nível de aprendizagem;
Senso crítico exagerado;
Hipersensibilidade;
Espírito de liderança;
Fácil socialização;
Perfeccionismo;
Impaciência;
Memória aguçada;
Egocentrismo;
Alto desempenho em determinadas áreas.
Visibilidade
Os superdotados apresentam características bem heterogêneas. Portanto, não é possível considerá-los como todos iguais dentro desse contexto. O importante é que a sociedade saiba quem são essas pessoas e que haja meios de torná-las visíveis, pois somente assim elas poderão se desenvolver de forma saudável e feliz.
Fases
De que forma funciona a abordagem para realizar a triagem, identificação/avaliação e o atendimento das AH/SD no município?
Identificar representa saber quem são as crianças com altas habilidades, onde estão e quais são as suas verdadeiras necessidades, para que o educandário formule as medidas visando à promoção de experiências de aprendizagem enriquecedoras, estimulando todo o potencial.
Em Marechal Rondon, a identificação dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação é um processo multiprofissional e multidimensional, que envolve os profissionais da escola (professores e equipe pedagógica), família e profissionais da equipe multidisciplinar da Secretaria Municipal de Educação. Todo o processo de identificação/avaliação está pautado na Teoria dos Três Anéis de Renzulli, e tem como referencial teórico o Manual de identificação de Altas Habilidades/Superdotação, das autoras Suzana Perez e Soraia Freitas.
O passo inicial envolve a triagem na escola, com alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, através da aplicação semestral do protocolo Lista de Verificação de Indicadores de Altas Habilidades/Superdotação (LIVIAH/SD), contemplando o levantamento de alunos com indicativos de AH/SD.
Passadas a observação e a coleta de dados, ocorre uma nova etapa na turma onde há alunos classificados, através da aplicação, por colegas, dos Protocolos de Autonomeação e de Nomeação. Permanecendo os sinais de comportamentos de AH/SD, é feita uma conversa com professores do aluno, escola e família (pais ou responsáveis).
A partir de então, o aluno é encaminhado para atendimento e acompanhamento da Sala de Recursos para AH/SD por, no mínimo, um semestre. Após esse período de acompanhamento e de intervenção, prosseguindo os indicativos de AH/SD, o aluno então passa por um processo formal de avaliação junto à equipe multidisciplinar, com psicopedagoga e psicóloga (avaliação pedagógica e psicológica) para identificar e confirmar as AH/SD.
Atendimento
O atendimento educacional especializado ocorre na Sala de Recursos Multifuncional (SRM) para AH/SD, localizada na Escola Municipal Jean Piaget. Atualmente, a oferta desse atendimento ocorre em 40 horas semanais, ou seja, nos períodos matutino e vespertino, contando com 32 alunos do 1º ao 5º ano, advindos de todas as escolas da rede municipal de ensino, em horário diferente ao qual o aluno está matriculado e frequentando a sala regular comum.
O cronograma de atendimento prevê pequenos grupos de alunos, organizados conforme faixa etária e/ou interesse e/ou habilidade, bem como necessidades de aprendizagem. Há flexibilidade e reorganização em caso de necessidade.
A ação pedagógica na SRM para AH/SD, constitui um conjunto de procedimentos específicos, que têm por finalidade enriquecer a aprendizagem, oportunizando intervenção nas áreas das habilidades e interesses dos alunos, com parcerias estabelecidas pela escola e outras instituições/organizações afins. O trabalho pedagógico oportuniza autonomia, independência e valorização do aluno, bem como o desenvolvimento nos relacionamentos intrapessoais e interpessoais, priorizando o autoconhecimento e a socialização das pesquisas.
Relevância
O secretário de Educação, Fernando Volpato, expõe que nos últimos anos a administração municipal rondonense adota especial atenção com o atendimento especializado, também para com os alunos de altas habilidades. “Estamos com uma equipe em constante monitoramento de alunos que tenham sinais de altas habilidades ou superdotação, sendo que, quando avaliados e detectados esses alunos, eles são direcionados a uma sala especial para atendimento em contraturno”, destaca.
“Desta forma, criamos a sala de atendimento de altas habilidades, com uma professora, em 40 horas por semana, proporcionando a esses alunos estímulos pedagógicos além dos trabalhados em sala de aula. A administração do prefeito Marcio Rauber e do vice Ila (Ilario Hofstaetter) busca, ainda, constantes melhorias na sala, com aquisição de equipamentos e materiais condizentes com as necessidades dos alunos, para que cada vez mais eles possam desenvolver suas aptidões e habilidades”, conclui.














Com assessoria