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Preços das commodities tendem a se manter elevados, afirma chefe do Núcleo Regional da Seab em Toledo

calendar_month 24 de junho de 2022
4 min de leitura

Se em outros momentos as safras prejudicadas foram compensadas pelo alto preço das commodities, agora os bons índices de produção são ainda mais favorecidos pelo alto valor dos grãos. A afirmação é do chefe do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) em Toledo, Paulo Salesse. Segundo ele, os preços tendem a se manter nos patamares atuais.

“Os preços devem se manter estáveis ou em elevação. Acredito que será difícil o preço das commodities baixar, porque há demanda interna e também internacional. Além disso, já iniciamos a segunda safra de milho em importantes regiões produtoras, como é o caso do Estado do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e mesmo assim os preços do milho seguem em alta. É uma tendência para o futuro. Com a cotação do dólar em alta, a expectativa para o produtor é vender o milho num bom preço neste ano”, enfatiza.

 

Via de mão dupla

A boa remuneração ao produtor é resultado de um cenário favorável à importação, que “surfa a onda” da taxa de câmbio em alta no Brasil. “No entanto, essa conjuntura aparentemente positiva causa dificuldades para o nosso mercado interno. A região Oeste do Paraná, onde o Núcleo Regional de Toledo é um dos maiores produtores de carne suína, frango, leite e peixe, fica prejudicada pela alta dos preços. Se por um lado o agricultor é beneficiado pelos preços estáveis ou em elevação, por outro lado aquele que demanda desses grãos sofre, como é o caso da suinocultura”, pondera.

 

Demanda e concorrência

Salesse ressalta que dois principais aspectos influenciam na formação do preço das commodities: a demanda e a concorrência do mercado. “A pandemia teve um impacto global e até hoje afeta a economia. Por dois anos foi dito que o mundo parou, mas na verdade a produção é que foi suspensa enquanto o consumo continuou, gerando uma demanda reprimida de produtos. A formação dos nossos preços também depende dos nossos concorrentes internacionais, principalmente a safra americana, que pode equilibrar ou desequilibrar o mercado internacional. Então, se der uma safra prejudicada lá, melhoram os preços no Brasil e se der uma supersafra lá, os preços aqui se estabilizam”, compara.

 

Dependência internacional

Ele aponta, ainda, a influência da guerra no Leste europeu, haja vista que os países envolvidos são grandes produtores de alimentos e fornecem produtos para a produção de insumos agrícolas. “Commodities e insumos agrícolas andam juntos e são afetados pelos mesmos aspectos. Ambos variam com a cotação do dólar, que, no caso do Brasil, está em patamares bem elevados”, salienta.

O chefe do Núcleo Regional da Seab menciona que o país depende de matéria-prima importada para produção dos insumos, cujo fornecimento está instável. “Isso acontece principalmente na área de fertilizantes. Quando chegamos a um ‘pós-pandemia’ já tivemos que lidar com a guerra, o que causou um turbilhão de incertezas no mercado. Então, existe instabilidade e o produtor precisa se planejar, porque corre o risco de não ter os insumos necessários para efetuar o plantio com tranquilidade”, alerta.

Chefe do Núcleo Regional da Seab em Toledo, Paulo Salesse: “Provavelmente para essa safra de verão ainda não teremos o equilíbrio no fornecimento de insumos. Então, o produtor precisa estar alinhado com o seu fornecedor para não ter surpresa na hora do plantio” (Foto: Divulgação)

 

De olho no mercado

Diante da situação instável, as discussões sobre o tema são amplas e, para Salesse, é importante que o produtor se atente às mudanças no mercado. “Ao produtor não cabe mais só plantar e colher. Ele precisa estar atento quanto à aquisição de insumos, sobre o melhor momento para vender os produtos e, sobretudo, o controle do custo de produção. Tudo isso requer planejamento, com atenção ao mercado, preços e cotação do dólar”, orienta.

O chefe regional da Seab afirma que o Brasil tem buscado alternativas para solucionar esse problema, mas nem tudo caminha no ritmo necessário. “Até abrir um novo mercado, embarcar os produtos e demais trâmites há um processo demorado. Provavelmente para essa safra de verão ainda não teremos o equilíbrio no fornecimento de insumos. Então, o produtor precisa estar alinhado com o seu fornecedor para não ter surpresa na hora do plantio. Espera-se uma safra cheia e, da mesma forma, os insumos agrícolas vão estar bem mais caros do que nas safras anteriores. É necessário um planejamento bem-feito para ter sucesso no final”, frisa.

 

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