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Marechal Grãos em alta

Preços das commodities tendem a se manter elevados, afirma chefe do Núcleo Regional da Seab em Toledo

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(Foto: Claudio Neves/APPA)

Se em outros momentos as safras prejudicadas foram compensadas pelo alto preço das commodities, agora os bons índices de produção são ainda mais favorecidos pelo alto valor dos grãos. A afirmação é do chefe do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) em Toledo, Paulo Salesse. Segundo ele, os preços tendem a se manter nos patamares atuais.

“Os preços devem se manter estáveis ou em elevação. Acredito que será difícil o preço das commodities baixar, porque há demanda interna e também internacional. Além disso, já iniciamos a segunda safra de milho em importantes regiões produtoras, como é o caso do Estado do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e mesmo assim os preços do milho seguem em alta. É uma tendência para o futuro. Com a cotação do dólar em alta, a expectativa para o produtor é vender o milho num bom preço neste ano”, enfatiza.

 

Via de mão dupla

A boa remuneração ao produtor é resultado de um cenário favorável à importação, que “surfa a onda” da taxa de câmbio em alta no Brasil. “No entanto, essa conjuntura aparentemente positiva causa dificuldades para o nosso mercado interno. A região Oeste do Paraná, onde o Núcleo Regional de Toledo é um dos maiores produtores de carne suína, frango, leite e peixe, fica prejudicada pela alta dos preços. Se por um lado o agricultor é beneficiado pelos preços estáveis ou em elevação, por outro lado aquele que demanda desses grãos sofre, como é o caso da suinocultura”, pondera.

 

Demanda e concorrência

Salesse ressalta que dois principais aspectos influenciam na formação do preço das commodities: a demanda e a concorrência do mercado. “A pandemia teve um impacto global e até hoje afeta a economia. Por dois anos foi dito que o mundo parou, mas na verdade a produção é que foi suspensa enquanto o consumo continuou, gerando uma demanda reprimida de produtos. A formação dos nossos preços também depende dos nossos concorrentes internacionais, principalmente a safra americana, que pode equilibrar ou desequilibrar o mercado internacional. Então, se der uma safra prejudicada lá, melhoram os preços no Brasil e se der uma supersafra lá, os preços aqui se estabilizam”, compara.

 

Dependência internacional

Ele aponta, ainda, a influência da guerra no Leste europeu, haja vista que os países envolvidos são grandes produtores de alimentos e fornecem produtos para a produção de insumos agrícolas. “Commodities e insumos agrícolas andam juntos e são afetados pelos mesmos aspectos. Ambos variam com a cotação do dólar, que, no caso do Brasil, está em patamares bem elevados”, salienta.

O chefe do Núcleo Regional da Seab menciona que o país depende de matéria-prima importada para produção dos insumos, cujo fornecimento está instável. “Isso acontece principalmente na área de fertilizantes. Quando chegamos a um ‘pós-pandemia’ já tivemos que lidar com a guerra, o que causou um turbilhão de incertezas no mercado. Então, existe instabilidade e o produtor precisa se planejar, porque corre o risco de não ter os insumos necessários para efetuar o plantio com tranquilidade”, alerta.

Chefe do Núcleo Regional da Seab em Toledo, Paulo Salesse: “Provavelmente para essa safra de verão ainda não teremos o equilíbrio no fornecimento de insumos. Então, o produtor precisa estar alinhado com o seu fornecedor para não ter surpresa na hora do plantio” (Foto: Divulgação)

 

De olho no mercado

Diante da situação instável, as discussões sobre o tema são amplas e, para Salesse, é importante que o produtor se atente às mudanças no mercado. “Ao produtor não cabe mais só plantar e colher. Ele precisa estar atento quanto à aquisição de insumos, sobre o melhor momento para vender os produtos e, sobretudo, o controle do custo de produção. Tudo isso requer planejamento, com atenção ao mercado, preços e cotação do dólar”, orienta.

O chefe regional da Seab afirma que o Brasil tem buscado alternativas para solucionar esse problema, mas nem tudo caminha no ritmo necessário. “Até abrir um novo mercado, embarcar os produtos e demais trâmites há um processo demorado. Provavelmente para essa safra de verão ainda não teremos o equilíbrio no fornecimento de insumos. Então, o produtor precisa estar alinhado com o seu fornecedor para não ter surpresa na hora do plantio. Espera-se uma safra cheia e, da mesma forma, os insumos agrícolas vão estar bem mais caros do que nas safras anteriores. É necessário um planejamento bem-feito para ter sucesso no final”, frisa.

 

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