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Marechal Habitantes inusitados

Presença de animais silvestres em áreas urbanas chama atenção em Marechal Rondon

  • Na casa de Arlei Vollbrecht, são aves como tucanos e saracuras que encantam: “Parece que estamos no meio da floresta. É um privilégio poder apreciar essas aves em meio à cidade” (Foto: Leme Comunicação)

  • Biólogo Marcos José de Oliveira, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu Binacional: “As pessoas perderam um pouco a cultura de apreciar a natureza. Com a cidade arborizada e a presença desses animais, os rondonenses estão tendo uma incrível oportunidade de apreciarem essas aves” (Foto: Divulgação/Itaipu)

  • Próximo ao Hospital Rondon, as árvores dão casa para outra espécie silvestre: o araçari-castanho, avistado há cerca de uma semana Rua Cabral (Foto: Leme Comunicação)

  • Quatis são muito avistados no Parque Nacional do Iguaçu e são marcantes por sua anatomia, com nariz alongado. Por possuir garras e tornozelos potentes, quatis podem andar sob as quatro patas em superfícies verticais, além de descer das árvores de cabeça para baixo (Foto: Divulgação)

  • Saracura é normalmente difícil de ser avistada e quando percebe a presença de pessoas sai correndo para se esconder (Foto: Dalmo Arraes)

  • Rondonense Sidnei Bombassaro está finalizando uma estrutura para proteger o pomar que mantém nos fundos de sua residência de um grupo de quatis que há na vizinhança: “Como é uma área de preservação da nascente que existe ali, eles encontraram um local perfeito, com alimento, onde ninguém os machuca, porque ninguém caça e não há predadores” (Foto: Leme Comunicação)

  • Uma das principais características dos tucanos, que possuem uma plumagem preta da coroa ao dorso e no ventre e avermelhada sob a cauda, é o bico, grande e oco, que pode chegar a medir 22 centímetros (Foto: Divulgação)

 

Não são mais somente as capivaras do Parque de Lazer Rodolfo Rieger, em Marechal Cândido Rondon, que têm chamado a atenção da população do município por serem animais silvestres em meio às construções urbanas.

Aves como tucanos, araçaris e saracuras, além de grupos numerosos de quatis, têm sido vistos por rondonenses que residem nas redondezas do Clube Aliança e do Hospital Rondon, região que conta com uma Área de Preservação Permanente por conta da Sanga Guavirá.

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O quintal dos fundos da casa do rondonense Sidnei Bombassaro fica frente a frente a esta área de preservação e há cerca de três meses ele descobriu o motivo dos ruídos que ouvia em volta de sua casa. “Avistei primeiro um quati subindo na árvore, depois dois, três, quatro e quando fui até o pomar, que fica nos fundos da casa, era um grupo de pelo menos dez quatis”, relembra.

Para entender mais sobre o comportamento dos animais, Sidnei foi pesquisar e encontrou a resposta: a área de preservação próximo à sua residência é o que proporciona segurança para os quatis terem se instalado na vizinhança. “Descobri que eles se reúnem em grupos de quatro até 20 animais, por isso que eles estavam em grupo. Como é uma área de preservação da nascente que existe ali, eles encontraram um local perfeito, com alimento, onde ninguém os machuca, porque ninguém caça e não há predadores”, comenta.

No quintal de Sidnei também há um banquete completo para os animais, com diversas opções de árvores frutíferas no pomar. Os quatis são animais onívoros e basicamente comem de tudo, o que os permitiu dominar a selva e os ecossistemas urbanos. Ele pode comer frutas, insetos, ovos ou pequenos pássaros. “Para proteger esse pomar montamos uma estrutura que será coberta”, explica.

Já na residência da rondonense Arlei Vollbrecht, que mora na mesma região de Sidnei, quem chama a atenção são os pássaros. “Há muito tempo eles aparecem por aqui. Tucanos chegam a ficar em cima dos carros e também vemos sempre saracuras”, diz.

Ela conta que pela manhã há uma variedade de pássaros de diferentes espécies cantando. “Parece que estamos no meio da floresta. É um privilégio poder apreciar essas aves em meio à cidade”, menciona.

Próximo ao Hospital Rondon, as árvores também dão casa para outra espécie silvestre: o araçari-castanho, avistado há cerca de uma semana por uma rondonense na Rua Cabral.

A ave tem o canto constante para manter a união do grupo, formando bandos muito ruidosos. Uma de suas características mais singulares é o enorme bico, que a assemelha aos tucanos.

 

Corredor verde

A região de Marechal Cândido Rondon, Entre Rios do Oeste e Pato Bragado, de acordo com o biólogo Marcos José de Oliveira, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu Binacional, está muito próxima às áreas de preservação da Itaipu.

Por toda essa área ser muito bem preservada, tendo em vista que as matas ciliares que auxiliam na preservação dos rios foram todas recuperadas e são protegidas, a região transformou-se em um grande “corredor de animais”. “Tanto as aves quanto algumas espécies de animais terrestres aproveitam essas faixas de mata preservada como áreas de passagem ou até mesmo de vida”, pontua o biólogo.

Ele explica que antes do processo de recuperação das matas existiam ilhas separadas em cada região. Com a recuperação das matas ciliares, no entanto, houve uma interligação das ilhas de mata, permitindo que os animais silvestres habitem esses locais. “Provavelmente porque nesses locais, mesmo sendo uma área periurbana, eles têm condições de alimentação, local para ninho, para proteção, então será cada vez mais comum o avistamento principalmente de aves, que se deslocam de forma mais fácil que os animais terrestres”, ressalta Oliveira.

 

Saber apreciar

O biólogo diz que para aqueles que se depararem com estes animais, a primeira ação deve ser apreciar a beleza da natureza brasileira. “É uma dádiva ter a presença de animais como estes, com extrema beleza, no seu quintal ou na rua, no centro da cidade”, opina.

Ele salienta que na América do Sul há uma das maiores biodiversidades do planeta, sendo que o Brasil possui o segundo maior número de aves coloridas e em diversidade de espécies do mundo. “As pessoas perderam um pouco a cultura de apreciar a natureza. Com a cidade arborizada e a presença desses animais, os rondonenses estão tendo uma incrível oportunidade de apreciarem essas aves”, enaltece Oliveira.

Olhar a beleza das aves e também outros animais silvestres que podem aparecer pela cidade e até mesmo filmar ou fotografá-los, entretanto, deve ser a única ação para com esses animais.

De acordo com o biólogo, oferecer alimento às aves, ainda que apenas frutos, ou estabelecer locais de alimentação, que comumente são vistos em alguns locais, podem causar transtorno, como a presença das aves de maneira exagerada. “Nos locais de alimentação de aves onde acontece de ser colocado quirera ou farinha de milho, por exemplo, há a ocorrência de muitos pombos, que geram muita sujeira por conta das fezes que podem ser fonte de muitas doenças”, alerta o biólogo.

Oliveira pontua que em geral não há problema nenhum em ter a presença de animais silvestres nas áreas periurbanas, porém, ele diz que podem haver conflitos. “Recentemente tivemos a notícia da presença de pumas, com incidência em Pato Bragado e dois atropelamentos na região de Toledo e Palotina. Esses corredores naturais de florestas propiciam a chegada das aves e elas, por sua vez, atraem os predadores”, explica.

Ele alerta, no entanto, que machucar, maltratar ou matar os animais é crime. Assim como para animais domésticos, ferir ou matar animais silvestres pode gerar multa e levar à prisão, que pode chegar até seis anos de cadeia.

 

No quintal

Apesar de indicar que as pessoas não alimentem os animais silvestres, Oliveira afirma que a existência de árvores atrativas a beija-flores podem promover o aparecimento de outras aves, como tucanos, por exemplo. “Para aqueles que costumam colocar as flores artificiais em casa para atrair o beija-flor, há o mito de que a água com açúcar pode prejudicar o pássaro de alguma forma, mas realmente não passa de um mito”, esclarece o biólogo.

Ele ressalta que além da água com açúcar, uma opção para atrair e alimentar o pássaro é uma solução encontrada em casas agropecuárias, uma espécie de açúcar com sais minerais, vitaminas e proteínas que se assemelha ao néctar das flores, chamado de néctar de beija-flor. “A quantidade ingerida pelos beija-flores de glicose na flor artificial é mínima, porque eles buscam outras fontes de proteína e sais minerais nas plantas. A única coisa que as pessoas devem fazer, quando do uso da água com açúcar, é fazer a troca da solução e higienização do recipiente a cada 24 horas. Pelo calor da nossa região o açúcar na água vira um meio de cultura e se transforma em um local de bactérias que leva a solução à fermentação”, expõe Oliveira.

 

 

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