Entremeio a valores recordes na exportação de suínos, o suinocultor vive um momento propício para a atividade, conseguindo superar as altas no insumo e o consequente encarecimento no custo da produção. De acordo com o presidente da Associação Municipal de Suinocultores (AMS) de Marechal Cândido Rondon, Sérgio Barbian, este é um bom momento para a suinocultura. “O setor está em pleno crescimento. Vemos a alta do milho e da soja por um lado e, em contrapartida, a elevada exportação. Sem esse balanceamento, os produtores estariam em momento delicado”, avalia.
Segundo Barbian, o preço do suíno nacional é de R$ 7,89/8, na cotação de sexta-feira (25) para São Paulo, e representa um avanço ao valor apresentado antes da pandemia (em fevereiro), de R$ 5,60/5,65, também no Estado paulista. “A cotação varia dentre as regiões e modelos de produção, associado ou independente. Todavia, é possível ver que, mesmo com a pandemia, o agronegócio está surpreendendo e o mundo parece valorizar mais a comida. Isso é muito bom para nós”, ressalta.

Presidente da AMS, Sérgio Barbian: “O setor está em pleno crescimento. Vemos a alta do milho e da soja por um lado e, em contrapartida, a elevada exportação. Sem esse balanceamento, os produtores estariam em momento delicado” (Foto: Divulgação)
MARGEM DE LUCRO
A presidente da Associação Regional de Suinocultores do Oeste (Assuinoeste), Geni Potkova Bamberg, destaca que a composição dos custos de produção foi afetada diretamente pela alta na soja e no milho. “Isso reduziu a margem de lucro na atividade como um todo, porém, o mercado com o preço do suíno alto viabilizou a atividade e garantiu maiores margens para as agroindústrias”, afirma, emendando: “Nós, produtores, buscamos um repasse maior para a cadeia de suínos como um todo”.
Conforme Geni, não apenas a alta nos insumos afeta a suinocultura. “Estamos em um momento incerto da economia e vários setores tiveram alta, como é o caso do setor siderúrgico, que de março a agosto teve um reajuste de 20% e reflete na manutenção das granjas”, observa.
Ela ressalta que a Assuinoeste tem sede em Toledo, não tem fins lucrativos e está à disposição dos produtores da região Oeste do Paraná para orientações gerais e acompanhamento.

Presidente da Assuinoeste, Geni Potkova Bamberg: “O mercado com o preço do suíno alto viabilizou a atividade e garantiu maiores margens para as agroindústrias” (Foto: Divulgação)
INTEGRADOS E INDEPENDENTES
Tanto Geni quanto Barbian afirmam que produtores independentes sentem mais o bom momento da suinocultura. “O produtor autônomo teve um aumento muito significativo, já o associado não sentiu tanto, porque a empresa a qual o produtor é integrado também sofreu com o encarecimento dos insumos. Para o produtor integrado, pode-se dizer que não mudou muita coisa, uma vez que não sofre tanto com os riscos e variações do mercado”, pontua o presidente da AMS.
INVESTIMENTOS
Para Barbian, mesmo com os custos de produção elevados muitos suinocultores estão investindo. “A procura pela carne suína está em alta e outros setores estão em crise. Sempre falam, quando se está em crise é o momento de investir, porque os momentos bons virão futuramente ainda melhores que agora”, opina, lembrando que o Brasil está com a proteína animal muito valorizada.
32 ANOS NA SUINOCULTURA
Jenifer Gish Seiboth, Jhonatan Gish e Marlise Gish produzem suínos de forma autônoma em uma propriedade localizada na Linha Neuhaus, no distrito rondonense de Novo Três Passos, com capacidade para cerca de seis mil animais. “Temos um histórico na suinocultura desde 1988 e sempre trabalhamos de forma independente. Somos responsáveis por tudo, desde a produção de ração até a venda dos animais. Isso requer um pouco mais de serviço e ao longo dos anos percebemos que esse modelo de produção tende a diminuir, visto que às vezes operamos no vermelho, mas em outros momentos recuperamos o perdido”, comenta Jenifer, responsável pela parte de compras e pagamentos na granja.
A respeito de o produtor independente ser mais beneficiado nos bons momentos da produção de suínos, ela enfatiza que há todo um preparo antecipado para alcançar resultados positivos. “Na suinocultura você tem que traçar um plano de ação a longo prazo, não é só o momento imediato. Estamos vivendo um momento bom agora, mas a gente já se precaveu comprando milho até a próxima safra”, frisa, comentando que cerca de 25% do grão, dependendo da safra, é proveniente da própria lavoura da granja.

Suinocultora Jenifer Gish Seiboth: “Estamos quebrando barreiras e ultrapassando limites nunca vistos antes na suinocultura” (Foto: O Presente)
CUSTOS DE PRODUÇÃO
A compra do farelo de soja para entrega futura, exemplifica a suinocultora, é mais restrita. “Tivemos alta expressiva nos fármacos, antibióticos e núcleos, pois tudo é dolarizado. O boom do dólar é bom de certa maneira, mas faz com que os custos de produção aumentem”, reitera, acrescentando que nesses momentos é preciso intensificar a produção e melhorar os resultados a fim de diminuir os gastos.
MERCADO DA PROTEÍNA
Jenifer diz que os problemas vistos na suinocultura no início deste ano remontam às dificuldades encontradas no cenário exterior. “A China sofre com questões de segurança animal, teve problemas sanitários e diminuiu o plantel. No começo da pandemia, o quilo do suíno chegou a ser comercializado a R$ 3 e até menos. Vínhamos de um mercado de quase R$ 6 e foi uma redução brusca, muito significativa”, rememora.
Diante dessas oscilações, o produtor independente teve de “segurar as pontas”. “Foi um momento de trocar fórmula e segurar o peso do suíno, porque alguns frigoríficos pararam de abater pela questão da Covid-19. Vivemos um período bem tenso e complicado, mas dentro de dois meses o mercado mudou totalmente, com altas expressivas”, enaltece.
A rondonense espera que o momento auspicioso não seja rebatido com retrocessos nos preços futuramente. “Estamos quebrando barreiras e ultrapassando limites nunca vistos antes na suinocultura”.

Na propriedade JMJ – Granja Gish, na Linha Neuhaus, interior rondonense, os novos investimentos são frutos da melhoria de resultados na produção (Foto: O Presente)
MELHORES RESULTADOS
De acordo com Jenifer, é preciso ter cautela em relação a novos investimentos neste momento, haja vista que a equipe societária realiza grande parte dos investimentos na granja durante momentos de crise. “Como reflexo da melhoria dos nossos resultados, vamos ampliar nossa capacidade de alojamento para mais mil animais, chegando a um plantel de sete mil suínos. Isso é um passo dado em harmonia com o aumento da produtividade, um bom desempenho por parte da equipe técnica e colaboradores que trabalham conosco”, elogia.
BIOSSEGURIDADE
Alheios aos ares propícios à produção de suínos, os produtores lidam com a constante cobrança pela adequação às medidas de biosseguridade. “O produtor integrado não está recebendo mais e, ao mesmo tempo, precisa investir na instalação de cerca, por exemplo, na propriedade. Isso nem sempre é repassado na remuneração do integrado e ele tem que arcar com os gastos extras. Se o produtor depende exclusivamente da suinocultura, às vezes é difícil se adequar de imediato”, lamenta Barbian, acrescentando que mesmo aqueles que iniciaram as obras sofrem com a falta de materiais.
Geni, por sua vez, acredita que a execução da portaria nº 265 da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) está acontecendo em aceleração média na região. “O produtor não tem recursos disponíveis para finalizar a portaria. Por isso, é importante conseguir um preço mínimo para o produtor, juntamente com o pagamento dos custos de produção. Desse modo, será possível se adequar conforme as legislações orientam”, opina.
O Presente