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Marechal

Prestes a completar cinco anos, PCH Moinho apresenta resultados viáveis

calendar_month 22 de fevereiro de 2020
5 min de leitura

Com 45 anos de existência, a Cooperativa de Eletrificação e Desenvolvimento Econômico (Cercar) de Marechal Cândido Rondon passou por um processo burocrático por cerca de 12 anos para que construísse a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Moinho, localizada no distrito rondonense de Novo Três Passos, utilizando-se das águas do Rio Guaçu. Inaugurada em 2015, a PCH completa no mês que vem cinco anos de existência e, de acordo com o presidente da cooperativa, Alcino Biesdorf, o desempenho da mini-hidrelétrica e os serviços prestados ao município têm sido a contento. “Desde a implantação e início da produção de energia, os resultados obtidos com a PCH foram dentro das expectativas, apresentando aquilo que os estudos já nos indicavam. Se houve alguma adversidade no decorrer dos anos, foi em grande parte motivada pelas condições climáticas”, destaca, exemplificando: “No ano de 2018, quando o tempo se desdobrou com bons índices de chuva, a produção alcançou 22 milhões de quilowats. Já em 2019 a estiagem foi muito grande e deixou as suas marcas: foram produzidos em torno de 14 milhões de quilowats”.

A diferença de oito milhões de quilowatts, todavia, não foi motivo para desanimar, garante Biesdorf. “Mesmo com as oscilações que temos em nosso histórico de produção, conseguimos manter o investimento com o pagamento em dia e a hidrelétrica funcionando a todo vapor”, enaltece.

 

Devido à estiagem do ano passado, a PCH Moinho produziu em torno de 14 milhões de quilowatt, oito milhões de quilowatts a menos que em 2018 (Fotos: Divulgação)

 

DEMANDA

No período de implantação da Pequena Central Hidrelétrica, conforme o presidente da Cercar, era estimado que a usina atenderia 75% da demanda dos associados. Contudo, pontua ele, atualmente as circunstâncias são diferentes. “Ao longo desses anos, o consumo de energia no meio rural aumentou muito e acredito que atualmente nós atendemos, ao máximo, 70%”, informa.

Biesdorf lembra que a PCH não conta com redes de alta tensão, somente de baixa tensão. “Então, não conseguimos distribuir o recurso diretamente para os produtores, e por esse motivo a energia é vendida no mercado livre de São Paulo, chega na subestação rondonense da Copel e é redistribuída para as empresas paulistas, com o pagamento compensando o pedágio”, menciona.

Presidente da Cercar, Alcino Biesdorf: “Os resultados obtidos (pela PCH Moinho) foram dentro das expectativas, apresentando aquilo que os estudos já nos indicavam. Se houve alguma adversidade no decorrer dos anos, foi em grande parte motivada pelas condições climáticas” (Foto: O Presente)

 

SEGUNDA USINA

No ano de 2017, deputados estaduais liberaram licenças para a execução de usinas hidrelétricas em todo o território do Estado do Paraná e a Cercar foi uma das beneficiadas. Entretanto, passaram-se dois anos e o assunto foi esquecido, sem avançar nas etapas necessárias.

De acordo com o presidente da cooperativa, momentaneamente a ideia de construir outra usina em Marechal Rondon foi deixada de lado. “As circunstâncias não estavam favorecendo. Havia pressa por parte de outras empresas no empreendimento, as negociações com os proprietários da região não avançaram como era previsto e os acordos não tiveram sucesso. Assim, mesmo ela tendo sido liberada, talvez devido a uma mudança no sistema burocrático, não demonstra necessariamente que o projeto será efetivado. Há outra empresa que conseguiu se acertar com os proprietários onde nós estávamos tentando e já está com a construção da usina em andamento. Será no Rio Guaçu e estimo que a produção seja de cerca de 900 quilowatts”, relata.

Ainda assim, os planos continuam. “Por ora, não está acontecendo como planejamos no passado, mas nós não descartamos a possibilidade de fazermos no futuro”, comenta Biesdorf.

 

ENERGIAS RENOVÁVEIS

Em relação às novas tendências de geração de energia verde e a sua democratização, o presidente da Cercar diz entender as medidas governamentais que estudam a taxação dessas energias alternativas. “Hoje em dia tanto empresas como residências estão conseguindo acessar as placas fotovoltaicas, por exemplo. Uma vez que passem a gerar sua própria energia, o consumo da eletricidade distribuída pela concessionária diminui e esse é o indicativo do problema”, expõe.

Para ele, quanto menos energia os consumidores comprarem da rede, mais caro se tornará o preço do quilowatt. “É uma tendência. A rede externa de tensão não é de propriedade individual, mas sim da empresa. Nesse sentido, mesmo vendendo menos energia, o custo de manutenção da rede será quase o mesmo, encarecendo a tarifa”, frisa.

Do ponto de vista de Biesdorf, a taxação da energia solar caminha nesse sentido: não sobrecarregar a conta daqueles que não usufruem das placas fotovoltaicas. “Devemos lembrar que durante a noite e durante a chuva essa geração é impossibilitada e o consumidor tem de recorrer à rede convencional. Nesta linha de raciocínio, a energia ficaria mais cara durante a noite, visto que deve compensar a manutenção da rede, mas ainda assim não a inviabiliza. As fontes renováveis vieram para ficar e precisamos nos reorganizar para que ninguém saia prejudicado”, salienta.

 

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