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Marechal

Prestes a ter marca reconhecida, cachaça rondonense está pronta para ganhar o mercado

calendar_month 1 de junho de 2021
5 min de leitura

As cachaças produzidas na Linha Concórdia, mais especificamente no Sítio Bock, interior rondonense, têm conquistado cada vez mais o público.

Estreante no mercado, a Cachaça Bock está prestes a ter sua marca reconhecida pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sendo a única cachaçaria certificada em Marechal Cândido Rondon.

Responsável por produzir a bebida alcoólica, Rudi Bock conta que a produção de cachaça sempre ocupou seus pensamentos até tomar forma e sabor efetivamente, há cerca de dois anos. “Há 14 anos eu tive uma breve experiência na produção de cachaça, mas o alambique era antigo e não oferecia condições, o que me fez parar de produzir. Agora estou produzindo há duas safras, depois de tanto tempo amadurecendo a ideia”, declarou ao O Presente.

Ele comenta que buscas na internet e cursos de capacitação contribuíram nessa trajetória, visto que é o primeiro da família a se aventurar na produção de cachaças artesanais.

Rudi Bock, morador da Linha Concórdia, interior rondonense: “Gosto de tomar, mas nunca fui do exagero. Hoje aprecio mais atentamente, porque estou ligado à produção. Quando as caixas estão fermentando, entro e sinto aquele cheirinho. É muito gostoso” (Foto: O Presente)

 

ALAMBIQUE A POSTOS

Para a produção ganhar “forma”, Bock explica que o alambique é parte fundamental do processo. “Ele faz a destilação, principal etapa da produção. Tenho um de 750 litros, todo de cobre para garantir qualidade. Mais itens poderiam ser incrementados, mas estamos no começo e os valores são altos”, menciona.

Com um ano de antecedência, o rondonense inicia os preparativos para a cachaça por meio do plantio da cana de açúcar. “A cana precisa estar bem madura, de um ano a um ano e meio na lavoura. Cortamos a cana e moemos no engenho. O caldo vai para as caixas de fermentação e fica ali de 24 a 30 horas. Depois, o líquido passa para o alambique. Fazemos fogo e o líquido aquece até chegar a 90°C, quando ocorre a destilação e surge a cachaça”, detalha Bock.

Segundo ele, a produção num todo é bastante tranquila, mas precisa de atenção redobrada no começo da fermentação. “Você cuida como se fosse uma criança até que o ‘pé de cuba’ se forme, ou seja, que o fermento assente no fundo da caixa. Com essa base, eu transfiro o caldo fermentado, com o açúcar transformado em álcool, e adiciono garapa fresca à mistura”, explica.

O processo, garante o produtor, dá satisfação a quem acompanha o produto da cana até as garrafas. “Gosto de tomar, mas nunca fui do exagero. Hoje aprecio mais atentamente, porque estou ligado à produção. Quando as caixas estão fermentando, entro e sinto aquele cheirinho. É muito gostoso”, conta.

 

CACHAÇA ENVELHECIDA

Depois de passar pelo alambique, a cachaça resultante é branca e pura, aponta Bock. “A cachaça descansa por pelo menos seis meses e quanto mais velha mais saborosa fica. O processo todo leva cerca de um ano. Tenho garrafas da primeira safra que eu não vendo, porque quero provar elas daqui a alguns anos”, projeta.

É no processo de envelhecimento, de acordo com o rondonense, que a cachaça é saborizada. “Ela é envelhecida em barris de madeira, antes de ser engarrafada. Tenho a de canelinha, por enquanto, mas outros dois barris ainda estão envelhecendo, da madeira Amburana”, menciona.

As Cachaças Bock são comercializadas em garrafas pet ou de vidro, mas o rondonense relata ter dificuldades para conseguir o recipiente de vidro devido à pandemia. “A cachaça está envelhecendo enquanto isso, mas atrasa o processo”, salienta.

Cachaça sai pura do alambique e é envelhecida em barris, onde ocorre a saborização em contato com a madeira (Foto: O Presente)

 

DEMANDA CRESCENTE

Dependendo da safra da cana, Bock produz a bebida durante dois ou três meses do ano. “Na primeira safra, produzi oito mil litros e na segunda um pouco mais. Neste ano provavelmente não passaremos dessa marca por causa da estiagem. A cana precisa de água e devido à falta de chuva ela não desenvolveu direito”, frisa.

Dos 16 mil litros produzidos nas últimas safras, restam apenas quatro mil no estoque do sítio. “Clientes indicam para outras pessoas e as vendas aumentam mesmo sem eu ser muito conhecido”, relata.

Na opinião do rondonense, a cachaça artesanal se diferencia das produzidas industrialmente. “Nas indústrias o processo é forçado e aqui é demorado, levando o tempo necessário para o máximo de qualidade”, enfatiza.

Primeiro da família a produzir bebidas alcoólicas, Rudi Bock estampa o brasão da família nas garrafas (Foto: O Presente)

 

VIABILIDADE COMERCIAL

Bock vende seu produto na feira do produtor da Rua Dom João VI, em Marechal Rondon, nas terças e sextas-feiras. O produtor, contudo, vê potencial de crescimento. “Vou expandir meu local de produção. A obra já começou e vou fazer uma adega subterrânea para armazenamento, com uma lojinha e um restaurante em cima. Com as novas estruturas, pretendo produzir 20 mil litros de cachaça por ano, além de resguardar produtos mais envelhecidos, garrafas de dez anos, quem sabe”, compartilha.

O projeto deve levar cerca de seis meses para ser concluído e o investimento gira na casa de R$ 120 mil. O empreendimento será localizado na Linha Concórdia.

Rondonense investiu na produção de cachaça e conta com alambique de cobre, com capacidade de produzir 750 litros. Anualmente, produção chega a oito mil litros por safra (Foto: O Presente)

 

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