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Marechal

“Principal aprendizado dessa crise é nossa capacidade de inovar”, diz diretor da Sicredi Aliança

calendar_month 24 de abril de 2020
14 min de leitura

A Sicredi Aliança Paraná/São Paulo completa 35 anos em 2020 e está promovendo a maior campanha da sua história. Em visita ao Jornal O Presente, o diretor executivo da cooperativa de crédito, Fernando Fenner, falou sobre a promoção, que vai distribuir R$ 400 mil em prêmios, o número de sócios e o valor administrado atualmente, bem como do calendário de inaugurações e das metas previstas para este ano.

Fenner também fez uma avaliação do panorama financeiro e econômico atravessado em todo o país desde a metade do mês de março, quando da adoção de medidas restritivas para conter o avanço do novo coronavírus. Confira.

 

O Presente (OP): A Sicredi Aliança PR/SP completa 35 anos em 2020 e está promovendo a maior campanha da sua história, com a distribuição de R$ 400 mil em prêmios. A cooperativa com frequência, ou quase todos os anos, realiza promoções expressivas. Isso de fato mobiliza os associados, traz novos associados, impulsiona significativamente as movimentações financeiras? Qual o resultado delas para a Sicredi Aliança?

Fernando Fenner (FF): Todos os anos quando fazemos uma campanha existe uma pré-campanha, um trabalho anterior ao lançamento para avaliar e fazer um projeto de viabilidade da nova (campanha). Se cumprirmos tudo o que está no planejamento, mais um incremento que acreditamos que gere por ter o sorteio de um prêmio, é expressivo para os associados e isso paga a conta. Se uma campanha não cumprir com esse objetivo é melhor não fazer. Toda essa pré-campanha existe, é um trabalho envolvendo vários braços, porque quando uma campanha é só investimentos, você faz o cálculo só para isso. A desse ano, campanha de aniversário de 35 anos, agrega vários produtos e serviços, então tem chance de se viabilizar de forma diferente, por isso o investimento maior. São 24 motos, dois carros de valor expressivo, um HB20 mais a caminhonete S10. São mais de R$ 400 mil em prêmios que, nos nossos cálculos, geram viabilidade para a cooperativa. Proporcionamos ao associado concorrer a prêmios ao fazer negócios simples, porque geralmente as nossas campanhas não beneficiam o grande aplicador. A partir de R$ 100 você já tem chance de concorrer. Claro que quem aplica valor maior ganha mais cupons. Queremos agregar sempre mais negócios para a cooperativa e mais oportunidades aos associados, além de entregar uma cooperativa maior e melhor, o que nós queremos todo ano.

 

OP: A situação de pandemia do novo coronavírus alterou a rotina das pessoas, empresas, inclusive das cooperativas de crédito, que mudaram a forma de atendimento. A Sicredi Aliança PR/SP segue trabalhando com atendimentos parciais e agendamentos? Como está sendo lidar com esse novo processo?

FF: Adotamos um modelo de atendimento parcial em 90% das agências da Sicredi. Seguimos uma padronização no Brasil inteiro, exceto algumas agências fechadas por decretos locais. Estamos tendo êxito nesse agendamento, então damos preferência para o sócio nesse momento. Mas se a pessoa não é associada e quer ir na agência, ela pode ir, mas se tiver na sua frente um associado, pode ser que ele seja atendido primeiro porque contribui todos os dias com a cooperativa. Tem associados dizendo que esse modelo de agendamento pode até continuar depois desse processo, porque vai às 14 horas e sabe que o gestor espera, ele não vai enfrentar fila. Sempre temos uma pesquisa de avaliação de atendimento e a do mês de março nos surpreendeu. As pessoas disseram: olha, mesmo diante de tudo isso que acontece, vocês continuam com uma proximidade muito grande com o associado.

 

OP: Essa mudança dificultou, prejudicou de alguma maneira o desenvolvimento das atividades? Os associados estão entendendo?

FF: Nós tivemos que mudar muitos processos de trabalho. Aquilo que era verdade passou a não ser mais verdade depois da semana do dia 13 de março, chave para isso, dia em que fizemos uma assembleia da agência da Avenida Maripá e falamos que não sabíamos quando iríamos poder fazer novamente um evento com tanta gente, mais de mil pessoas no Auditório Ecos da Liberdade. A partir daquele momento mudamos a forma de atender, que é uma mudança diária, porque diariamente tem uma resolução nova para atender. Hoje as 22 agências da Sicredi Aliança funcionam dessa forma e o associado está avaliando muito bem esse modelo de atendimento, que, por mais distante fisicamente, segue próximo do associado.

 

OP: A Sicredi Aliança trabalhou nos últimos anos em um processo de expansão. Está presente atualmente em quantas cidades no Paraná e em São Paulo? Este projeto de inaugurar novas agências continua?

FF: Nosso projeto de expansão avança. Claro que você avalia o mercado a partir de agora, qual será o posicionamento, quais serão os impactos e qual o potencial de entrega de uma obra, porque para abrir uma agência precisamos reformar ou construir um prédio. Nós temos 11 agências no Paraná, onde atuamos em sete municípios, a nossa oitava (cidade) é em Sub Sede, uma agência compartilhada com a cooperativa e com a Sicredi Vanguarda, de Medianeira, então são oito municípios aqui e 11 em São Paulo, que têm agências nossas. As 22 agências atuam com o padrão Sicredi Aliança de atendimento. Nós temos um projeto de abertura da quinta agência em Marechal Cândido Rondon, na Avenida Írio Welp, junto ao Supermercado Allmayer, e em São Paulo temos duas agências em construção, que serão as três agências que pretendemos inaugurar em 2020, essa de Marechal Rondon e uma segunda agência em Barretos. Barretos é uma cidade com 120 mil habitantes, onde ultrapassamos três mil associados e que pelo segundo ano apresenta viabilidade, crescimento em devolver para a cooperativa aquele investimento que ela fez. Lá tem dois centros financeiros, um é no centro da cidade e o outro é na Avenida 43, de acesso ao parque onde acontece a Festa do Peão de Barretos. Essa segunda agência nós estamos colocando nessa avenida e em parceria com associados estamos construindo um prédio dentro de um projeto que fizemos. Um novo município irá receber o Sicredi, que é a cidade de Monte Azul Paulista, onde nós locamos um prédio e já estamos trabalhando nas obras. As nossas inaugurações estão previstas para o segundo semestre e vão acontecer sem mudança nenhuma, em julho, setembro e novembro.

 

OP: A cooperativa nos últimos anos trabalhou na inauguração e reinauguração de agências, investindo na nova identidade visual e em melhorias de estrutura de atendimento para os associados. Este processo foi todo concluído? O que há de novidade neste sentido?

FF: O Sicredi teve um grande estudo e quando você muda a marca não muda simplesmente a logo, você muda todo conceito de marca que tem, não é simplesmente tirar a marca laranja e colocar a marca verde do Sicredi. Muda-se todo um conceito de atendimento, de proximidade, e aí vêm os três atributos nessa marca nova: que são o simples, o próximo e o ativo. Sempre traduzimos que é o simples no jeito de ser, não podemos complicar se pode ser feito de uma forma simples; o próximo é estar próximo das pessoas; e o ativo é ser ativo próximo às pessoas, ser ativo nas comunidades. Cem por cento das agências da Sicredi Aliança tiveram reforma ou um ajuste para a nova marca. Algumas nós ampliamos, casos de Quatro Pontes, Dom João VI, Pato Bragado, São José das Palmeiras. Em outras, por exemplo, como a de Mercedes, fizemos ajustes. Em Guaíra dobramos o tamanho da agência. Também foi o momento de olharmos e avaliarmos que agência queremos para os próximos dez anos, quantas pessoas queremos. E por mais que o mercado fale que as pessoas vão cada vez menos ao banco, nós percebemos um movimento contrário, pois as pessoas estão vindo cada vez mais na cooperativa. Enquanto bancos vão tirando as pessoas de dentro, colocando-as para os canais, o Sicredi vem dizendo: nós temos todas as opções. Se você quer por canal nós temos, mas se quer ser atendido em uma agência nós também temos. Esse movimento está trazendo as pessoas para dentro do Sicredi e nos exige investimentos que foram planejados e aprovados pelo Conselho, apresentados nas assembleias.

 

Fernando Fenner: “Das 31 no Paraná, sete são porte 4. A Sicredi Aliança entrou como a 8ª nesse grupo. Em tamanho somos a 7ª cooperativa do Paraná e uma das grandes do sistema Sicredi” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

OP: A Sicredi Aliança tem quantos mil associados atualmente? E quantos bilhões em ativos?

FF: Nós chegamos em 2019 à impressionante marca de 50 mil associados e agora em março alcançamos 55 mil associados. Hoje administramos mais de R$ 1,460 bilhão em ativos, marca importante conquistada no mês de março. Nas assembleias que fizemos nós tivemos mais de dez mil associados. Nessas oportunidades falamos que no Sicredi existe uma classificação das cooperativas, com portes 1, 2, 3 e 4, e nós estávamos no porte três até o mês de fevereiro. Chegamos no mês de março e passamos a ser uma cooperativa porte 4. Das 31 no Paraná, sete são porte 4. A Sicredi Aliança entrou como a 8ª nesse grupo. Em tamanho somos a 7ª cooperativa do Paraná e uma das grandes do sistema Sicredi. Isso tudo graças aos 55 mil associados, a toda comunidade e à equipe de colaboradores.

 

OP: Quais as transações de maior destaque na cooperativa?

FF: Hoje o que mais cresce são os depósitos. Operações de crédito simples acontecem porque em todo o cenário, principalmente para quem tem obrigações a pagar, muitas vezes é melhor ir na instituição financeira pegar e a gente negocia a carência, uma taxa de juros que faz frente ao negócio seja para pessoa física ou jurídica. Temos também bastante procura por seguros.

 

OP: A situação gerada por conta da pandemia de Covid-19 afetou a economia como um todo. Especificamente no sistema cooperativo financeiro, ela mudou algo?

FF: Nós observamos sim, até porque a cooperativa é formada por sócios. Nós não temos uma cooperativa que sobrevive sem os seus 55 mil sócios, então nosso balanço acontece todos os dias, nosso movimento de caixa, entradas e saídas de dinheiro também são as entradas e saídas dos associados. O que o associado tem de recursos e de falta de recursos reflete na cooperativa. Vou completar 20 anos de Sicredi, mas não tinha vivido algo tão expressivo, principalmente quando você está na linha de frente, na liderança da cooperativa olhando para todos os cenários. Esse tipo de cenário abala, sim, a cooperativa, mas, graças a tudo o que foi feito nos últimos 35 anos, de construir uma cooperativa sólida, eficiente, com uma imagem positiva, podemos garantir aos associados que temos uma grande empresa, uma cooperativa que vai suportar e sair muito melhor dessa crise do que entrou. Os aprendizados que essa crise tem deixado para nós são gigantescos. Todos os dias você olha para o cenário e avalia como fazíamos antes, como fazemos agora e como gera um impacto melhor para a sociedade, para o financeiro da cooperativa e do sócio.

 

OP: A Sicredi Aliança tinha planos que estavam traçados que serão revistos diante desse novo cenário ou as metas elaboradas para 2020 seguem firmes?

FF: Nós temos planejamento estratégico financeiro, orçamentário e de ações. Na semana passada (duas semanas) olhamos um pouco para isso e falamos internamente, mas agora falamos publicamente que 2020 vai terminar em 2021. Tudo o que havíamos planejado será preciso olhar o que é prioridade. Estamos há 30 dias em um cenário onde não se pode fazer um evento com associado e como cooperativa um evento, reunião, era o que nos movia muitas vezes. Agora faz de forma limitada, on-line, não tradicional, algo que não estamos acostumados e o associado tem que aprender a fazer isso. Ainda tivemos sorte de fazer as nossas assembleias antes disso, ou teríamos de fazer assembleia digital, que o próprio Banco Central aprovou. O aprendizado daqui para frente é que esse modelo deixará marcas, mas desenhará formas diferentes de atuação. Nosso planejamento orçamentário e financeiro precisará ser revisto. Estamos nos primeiros 30 dias e eu torço muito para que isso não ultrapasse os 60 dias, essa forma de fazer esse movimento. O isolamento pode até continuar, porém acredito em um isolamento mais inteligente, porque devemos preservar vidas sempre, mas precisamos olhar para o lado econômico. De repente alguns investimentos que tínhamos previsão de fazer este ano não serão feitos. Vamos ter de achar prioridades ao calendário de formações de equipes. O que é prioridade fazer agora e o que não é postergar para 2021. Que sabiamente decidamos sobre o que é prioridade para este ano, tanto de investimentos quanto de números, metas, planejamento financeiro e de ações.

 

OP: De que forma o sistema financeiro é afetado pela crise da saúde? Sai prejudicado, se fortalece?

FF: Em um primeiro momento é prejudicado, porque você percebe que o sistema financeiro olha sempre para indústria, comércio e serviços. O sistema financeiro que gira por trás desses movimentos repassa pelas instituições e quando estes segmentos não estão gerando novos recursos, automaticamente eles não transitam pelas instituições e elas precisarão ter na sua visão e no seu planejamento um olhar para uma futura inadimplência, renegociação, readequação de parcela, de um empréstimo. O bom é quando olhamos para o nosso cenário enquanto cooperativa e não temos créditos de valores concentrados em grandes empresas e em grandes investimentos. Até pela nossa essência de nascer de pessoas, do pequeno empresário, do produtor rural, e aí o agronegócio puxa a frente do Brasil. Por mais que agora enfrentemos uma safrinha bastante prejudicada na nossa região, temos uma safra de soja histórica logo atrás. Temos muitos recursos do agro e a agricultura já enfrentou vários anos de crises de seca de ter que se replanejar, ou seja, o agricultor sabe como sair fortalecido disso e as instituições financeiras após esse período irão se remodelar no sentido de não serem tão grandes e tão sozinhas, de fazer muitas coisas juntas e que impactem positivamente as comunidades.

 

OP: Que análise é possível fazer do cenário econômico atual e o que esperar do futuro desse setor?

FF: Nós temos todos os dias das 10 às 11 horas uma reunião com nossos economistas. Eles traçam os cenários que avaliam do mundo, das bolsas, dos impactos financeiros. O cenário agora é muito volátil, qualquer movimento é de incertezas. Nos primeiros meses do ano estávamos para fechar um trimestre histórico no Brasil quando olhamos em termos de crescimento, mas em março sofremos impactos. Nós, na cooperativa, avaliamos o que é positivo e o que precisamos ajustar. É hora de consertar o avião em pleno voo. Devemos nos conscientizar e parar de olhar para a minha eleição, para a minha reputação e olhar para o Brasil, para o mundo. Vamos sair mais fortalecidos quando pararmos de olhar o individual.

 

OP: Qual o legado/aprendizado que fica diante disso tudo?

BF: O principal aprendizado dessa crise é nossa capacidade de criar e de inovar. Todos os dias estamos sendo colocados à prova. A forma como eu fazia negócio ontem não é a forma que eu estou fazendo hoje. O legado é estarmos preparados para a mudança, abertos e termos flexibilidade, acho que são palavras que sempre falamos, mas nunca praticamos tanto como agora. É hora de avaliarmos e apostar no novo que está vindo, em um novo modelo de fazer negócio e de se relacionar, e eu diria que esse é o principal aprendizado que teremos. É olhar para tudo isso e exigir que cheguemos nele novamente. A humanidade fará coisas muito diferentes, mais próximas, muito mais colaborativas. É um momento de seguirmos o que nos é orientado. Não somos técnicos em saúde para saber se devemos usar máscara, se devemos nos proteger ou não. É melhor termos mais cuidado agora e na frente voltarmos a nos abraçar, a ter um contato próximo. Tomara que passemos por essa crise com o menor impacto possível na nossa região, na nossa cooperativa e nas nossas vidas também.

 

 

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