Rua Sete de Setembro, 1233, centro de Marechal Cândido Rondon. Este é o endereço do Jornal O Presente, no entanto, se você digitar agora mesmo no Google Maps – serviço de pesquisa e visualização de mapas e imagens de satélite da terra gratuito na web -, o local que será indicado no mapa é este: Rua Sete de Setembro, no Bairro Alvorada, quase dois quilômetros ao Norte do real endereço.
O problema de numeração do município no mapeamento da plataforma, a princípio, não tem uma explicação clara. Segundo o administrador da BZS Informática, Ademar Bayer, outras cidades da região com menos de 50 mil habitantes possuem o mesmo problema ao usar o dispositivo. “É como se, no Google Maps, o imóvel um da cidade começasse na BR-163, sendo que ele começa do centro para os bairros em praticamente todas as outras cidades”, expõe.
Na visão dele, que atua no Departamento de Assuntos Sindicais da Associação Comercial e Empresarial de Marechal Cândido Rondon (Acimacar), o problema poderia ser resolvido com a implantação do Código de Endereçamento Postal (CEP) por ruas no município, serviço que cabe à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. “Outra solução seria um trabalho feito pela prefeitura, que faria o levantamento das ruas, uma a uma, atualizando os números e solicitando ao Google uma atualização do mapeamento da cidade”, menciona.
No caso de Bayer, sua empresa buscou o Google para fazer a cidade”, diz. Além dos problemas para quem GPS, outros empecilhos do mapa incorreto (Siate) ou Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que podem acabar indo para o lado contrário da cidade ao buscarem um endereço no mapa eletrônico.
Alternativa
Bayer comenta que um contato já foi feito com o governo anterior apresentando o problema no mapeamento e numeração dos imóveis e a municipalidade mostrou interesse em terceirizar um serviço para que o problema fosse resolvido. “Rondon tem muitos casos de ruas que são cortadas por áreas verdes, como chácaras, parques ou até mesmo pela BR, e do outro lado desse espaço, a rua continua, mas a numeração não é seguida na ordem, então uma mesma rua tem números repetidos”, destaca.
Ele enfatiza que é o ente público que pode solucionar este problema referenciando as ruas de Marechal Rondon para que, em seguida, os Correios possam implantar o CEP único e esses dados possam ser repassados ao Google para que o mapa seja readequado à realidade local. “A prefeitura, na gestão anterior, mostrou interesse, e faríamos este trabalho junto à Secretaria de Coordenação e Planejamento. Todavia, devido ao andamento dos trabalhos no órgão público, ao fim da gestão, a prefeitura preferiu deixar para a gestão que assumiu agora resolver esta situação e ainda não expomos essa possibilidade de forma oficial para o atual prefeito”, declara.
Mudanças na codificação
Por constar no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, que Marechal Rondon conta com menos de 50 mil habitantes, o município figura entre aqueles que ainda não podem receber, por parte dos Correios, o CEP por rua. Entretanto, de acordo com o gerente regional de distribuição dos Correios, José Marcos Pereira, a empresa já sinalizou positivamente para a administração municipal a intenção de mudar a codificação em Marechal Rondon. “A codificação é uma responsabilidade dos Correios, que detém este como um de seus compromissos conforme normativas. Contudo, o Plano Diretor do município precisa estar feito. De acordo com o Ministério das Comunicações, é de responsabilidade das prefeituras nomear ruas, regularizar bairros, todos com leis municipais, para que os Correios possam usar essa documentação e criar o CEP de cada rua”, explica. “Os Correios não podem interferir nos logradouros das cidades”, enfatiza Pereira.
Na visão dele, enquanto esses problemas não são sanados para que as codificações por ruas sejam feitas, nos casos de ruas que são cortadas por áreas verdes ou por uma BR, por exemplo, ele sugere a possibilidade de manter o nome da via
principal e renomear as ruas subsequentes, passando pelos trâmites necessários nos poderes Legislativo e Executivo. “Seria algo que não impactaria tanto a sociedade quanto, por exemplo, mudar o número de todos os imóveis de uma rua que conta com números repetidos”, observa.
Ele salienta que, conforme a Lei Federal 10.257 de julho de 2011, todos os bairros, ruas e numerações de imóveis precisam estar organizados pela municipalidade para que, em seguida, os Correios possam iniciar o processo de codificação das ruas uma a uma. “Depois que o município termina todo esse processo, a codificação do município demora cerca de um ano para ser finalizada”, salienta.
Georreferenciamento
Na metade do ano passado, uma equipe dos Correios esteve em Marechal Rondon em encontro com a Secretaria de Coordenação e Planejamento. Na oportunidade, a empresa comprometeu-se a elaborar um ofício para liberar a implantação do CEP por rua ou bairro no município mesmo que, oficialmente, a cidade conte com menos de 50 mil habitantes. “Estamos dispostos a colaborar com a melhoria de Marechal Rondon, porém, para que este projeto seja colocado em prática, depende do Plano Diretor da cidade, separação dos bairros e das ruas, e não de loteamentos.São os principais critérios que precisam ser resolvidos primeiro pela prefeitura”, enaltece Pereira.

O secretário responsável pela pasta, Reinar Seyboth, menciona que o encontro foi solicitado pela administração municipal a fim de que os Correios também repassassem algumas informações ao município. “Em Marechal Rondon, não existe uma delimitação de que o Bairro Boa Vista, por exemplo, vai até a rua X, e para conseguir fazer esta divisão de acordo com a exigência dos Correios, temos algumas demandas bastante complexas para serem revistas”, pontua.
O secretário explica que há necessidade de elaborar um georregferenciamento do município, uma ferramenta que, segundo ele, é bastante ampla, permitindo acessar informações de diversas áreas, como educação, saúde, fazenda e planejamento urbano. “Isso já é algo que o município está trabalhando. Estamos em fase de estudo, levantando as informações, mas não é algo que está dentro do Plano Diretor. O georreferenciamento caminha junto ao plano, mas não está incluso nele”, menciona.
Seyboth comenta que o georreferenciamento aponta questões próprias de Marechal Rondon para que, desta forma, a municipalidade possa modernizar essa ferramenta e facilitar os trabalhos de planejamento urbano e ordenamento do município.
Quanto ao Plano Diretor, o secretário pontua que a revisão está sendo elaborada, já que o prazo de aprovação da revisão é para o fim deste ano. “O Ministério das Cidades editou uma lei prorrogando o prazo para a maioria dos municípios para que a aprovação seja até 2019, mas estimamos que aqui, onde a revisão está sendo elaborada junto à Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina (Fauel), a revisão esteja aprovada até o fim deste ano”, finaliza.
Leia a matéria completa na edição desta sexta-feira (11) do Jornal O Presente.