Depois de aproximadamente um mês sem chuvas significativas, os 30 milímetros registrados na quinta-feira (27) não aliviam em nada a situação dos agricultores de Marechal Cândido Rondon e região. Com 45 milímetros de precipitação pluviométrica acumulada em todo mês de dezembro – tendo por base a Estação Experimental da Copagril -, os produtores rurais amargam perdas representativas nas suas lavouras, uma vez que a quebra na safra de soja será superior a 80% em muitos casos. Em vista dos prejuízos irreversíveis, inúmeros municípios da região analisam a possibilidade de decretar estado de emergência.
Elmar, o irmão Valdomiro e o pai Reinhart Ratke cultivam três áreas que totalizam 12 alqueires na Esquina Guaíra, interior rondonense. A expectativa deles era colher em média 180 sacas por alqueire, no entanto, devido à estiagem prolongada, devem ser retiradas 400 sacas de soja das lavouras, média de 33,3 por alqueire. Apesar disso, a produtividade tende a diminuir quando consideradas impurezas. “Então a quebra deve ficar na média de 80%, o que é muito”, lamenta Elmar ao O Presente.
O agricultor diz que a família arca com os valores para o plantio do próprio bolso, sendo que os dois irmãos e o pai vão analisar como fazer daqui para frente devido ao prejuízo financeiro, que será alto. “Se apertar muito vamos ter que rever e recorrer ao banco”, comenta.
Elmar lembra que houve épocas de estiagem e seca, mas essa, afirma ele, foi severa e irreversível a muitos produtores. “Há muito tempo não era colhida tanta soja antes do Natal ou Ano Novo. Essa seca forçou antecipar a colheita cerca de um mês na região, porque mesmo que renda pouco o produtor deve retirar a planta”, expõe o agricultor.
IRREVERSÍVEL
O engenheiro agrônomo e produtor Valdemar Schaefer trabalha com os filhos Eduardo e Leonardo no cultivo de áreas que juntas somam 85 alqueires em diversas localidades do distrito de Novo Três Passos. Valdemar conta que a projeção inicial era otimista. “O plantio ocorreu com boa germinação e emergência e o desenvolvimento vegetativo inicial também era positivo. A planta não tinha porte, mas havia carga”, analisa. “Antes da estiagem nós avaliamos 60 vagens por pé e com a tecnologia utilizada prevíamos de 140 a 180 sacas por alqueire, isso com as aplicações necessárias. Nós falávamos em quantas mil sacas iríamos colher, pagando o investimento e gerando lucro razoável com a saca da soja se mantendo na casa dos R$ 70”, relata, pontuando que tal cenário promissor mudou para pior: “Hoje está muito ruim”.
Schaefer menciona que procurou diluir o risco com quatro cultivares e quatro ciclos de plantios, mas a severidade da estiagem foi muito grande. “Somou falta de chuva, sol quente e dias mais longos. Tudo isso castigou as lavouras de soja. Em 26 anos não precisei acionar seguro e Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) porque as médias nas lavouras variavam de boas a excelentes, contudo agora ficou difícil pelo preço abaixo de R$ 70, custo alto e quebra grande”, reforça, lembrando que parte da produção foi financiada em uma cooperativa.
“O nosso prejuízo não foi mensurado, mas será expressivo por causa dos insumos, sementes, fungicida, herbicida, fertilizante, mais prestação do serviço. Ainda não sabemos quanto, porém será bastante”, salienta Schaefer, acrescentando que devido à estiagem a quebra nas suas lavouras tende a se manter na faixa de 80%. “O alqueire deve render 30, 40 sacas bruto, baixando para 15 ou 20 sacas líquido porque o grão perde qualidade, portanto o prejuízo é grande e irreversível aos produtores”, lamenta.
O Presente