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Marechal Alvorada Social

Projeto “Álcool em festa infantil não é legal!” completa quatro anos com resultados expressivos

Pastor Alfredo Bischoff e Silvio Franzen, voluntário da Alvorada Social, durante visita ao Jornal O Presente para divulgação do projeto “Álcool em festa infantil não é legal!” (Foto: O Presente)

Conhecedora dos efeitos negativos do álcool na sociedade, a Associação Luterana Alvorada de Serviço Social de Marechal Cândido Rondon (Alvorada Social) desenvolve o projeto “Álcool em festa infantil não é legal!” há quatro anos. Ao longo deste período, a campanha visa alertar a comunidade e conscientizá-la a respeito do consumo de álcool em festas de crianças. O alcance é tamanho que a ideia foi exportada para outros Estados, nas cidades de Blumenau, Santa Catarina, e Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

“A principal questão é fazer com que a criança tenha um ambiente saudável em suas festas, não se expondo a ambientes onde há o consumo de bebida”, sintetiza o pastor Alfredo Bischoff, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). “Trata-se de um projeto que perdura. Sempre enfatizamos sua importância no mês de outubro, pois este é o mês das crianças”, enaltece Silvio Franzen, voluntário e membro da diretoria da Alvorada Social.

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O projeto nasceu como um desdobramento do Grupo de Apoio para Dependentes e Codependentes Químicos realizado há seis anos pela entidade. Neste contexto, os pensadores do projeto visualizaram a destruição gerada pelo álcool, especialmente nas famílias e nas relações sociais. “Decidimos, então, adotar medidas profiláticas para não deixar que as pessoas cheguem na dependência”, menciona Franzen. Para isso, diz ele, a melhor maneira encontrada foi trabalhar com crianças, para que quando se tornem adultas tenham outra visão a respeito da bebida alcoólica.

Segundo o pastor, as crianças expostas a ambientes com consumo de bebidas alcoólicas têm oito vezes mais chances de se tornarem adultos dependentes. “Esses dados comprovam a precisão de agir na prevenção e não somente quando a doença já está instalada”, frisa.

 

PROBLEMAS

Para Franzen e Bischoff, mais que um problema localizado, o álcool é uma complicação geral na sociedade. “Uma das dificuldades encontradas é que as bebidas alcoólicas não são vistas como vilãs, mas, ao contrário, são consideradas legais e comercializadas em todos os lugares, muitas vezes até sem considerar a taxação etária imposta”, pontua Franzen.

Diante da facilidade e “acolhimento” desse mal, acrescenta Bischoff, o álcool é a porta de entrada de outras drogas e problemas com proporções imensuráveis. “Destrói a família, perde-se o emprego, o patrimônio, o nome e, nesse ritmo, até a dignidade do sujeito se esvai”, expõe.

Além disso, eles apontam os inúmeros acidentes de trânsito, a violência, os crimes passionais, a depressão e outras enfermidades motivadas pelo consumo de álcool, as quais alteram as condições sociais e psicológicas dos indivíduos.

“O consumo de álcool é visto como um momento de lazer, de relaxamento com os amigos. Pode ser verdade, mas os problemas daí decorrentes também não podem ser relativizados ou ignorados”, destacam. “As crianças chegam a relacionar, por vezes, o consumo da bebida com momentos de alegria e resolução de problemas. Isso não é legal. Elas precisar conhecer os males por ele causados”, ampliam.

 

O PROJETO

Os membros da Alvorada Social dizem que o projeto “Álcool em festa infantil não é legal!” pretende mostrar aos pais o verdadeiro espírito das festividades para crianças. Por meio da conscientização, ressaltam, espera-se que o adulto reconheça que o protagonista desse momento não é ele e, portanto, bebidas alcoólicas devem ser minimizadas em prol de atividades e benefícios para crianças.

“Já nos deparamos com famílias que deixavam de ter um pula-pula, uma cama-elástica por afirmar não ter condições, ao mesmo tempo em que havia barris de chope disponíveis para os convidados”, menciona Franzen, emendando que neste ponto até a economia com a bebida pode ser levada em consideração.

Como trabalho de disseminação do projeto, Franzen e Bischoff citam a divulgação nas mídias, nos grupos de aplicativos, panfletagem e, com maior peso, o contato com os alunos dentro de instituições de ensino. “Visitamos mensalmente escolas públicas e particulares de Marechal Cândido Rondon, Quatro Pontes e Novo Sarandi, distrito de Toledo. Nesse contato direto, alcançamos em torno de cinco mil crianças todos os meses. Considerando a influência indireta deles nos membros da família, a campanha se repercute para mais de 20 mil pessoas”, evidencia o pastor.

A cada mês, um dos projetos da entidade é levado para as crianças. No mês de outubro foi o momento do “Álcool em festa infantil não é legal!”. Nas ocasiões de visitas dos membros da Alvorada Social, todos os estudantes do educandário visitado se reúnem e prestigiam apresentações teatrais. “São apresentadas passagens bíblicas e, posteriormente, são feitas abordagens reflexivas, extraídas lições de vida e aplicações práticas”, detalha Bischoff.

Ele afirma que o contato indireto dos familiares ocorre por meio da distribuição de materiais e da diferente visão que as crianças adquirem diante do consumo de álcool por meio das atividades realizadas.

 

RESULTADOS

Segundo os dirigentes da campanha, não são utilizados instrumentos que contabilizem a aderência ao projeto. Contudo, percebe-se por meio de conversas e depoimentos que a iniciativa está gerando efeitos. “Como a Alvorada Social possui muitos projetos, os participantes das outras frentes conhecem a ideia e passam a praticá-la. Nos contam sobre suas festas infantis, que adotaram o uso somente de sucos, chás e refrigerantes, nada de álcool”, compartilha o membro fundador da entidade.

Além disso, os idealizadores notam o efeito dominó entre aqueles que aderem a este pensamento. “As pessoas veem seus amigos e familiares deixando de beber ou deixando de oferecer bebidas nestas festas e acabam se espelhando, se solidarizam com a causa”, comemora Franzen.

Outro resultado obtido por meio do projeto, salienta ele, é a maior interação que se dá entre pais e filhos na ausência do álcool. “Há maior proximidade nas brincadeiras e conversas”, enaltece.

 

AÇÕES

A fim de poupar as crianças do contato com o álcool e garantir a elas uma vida sóbria sem a bebida, com expectativas de presente e futuro, o projeto sugere as seguintes atitudes: faça festas infantis sem bebidas alcoólicas, assim como outros eventos onde haverá presença de crianças; converse com seu filho sobre o tema, deixe claro o seu posicionamento sobre o álcool e dê exemplo em suas ações; atente-se às companhias e conheça os ambientes que ele frequenta; tenha autoridade, mas não seja autoritário, mantenha seu filho ao seu lado; e, por fim, respeite as leis: não deixe que menores de idade consumam bebidas alcoólicas e nem você dirija embriagado.

O projeto “Álcool em festa infantil não é legal!” tem o apoio do Comitê de Saúde Mental e Enfrentamento à Violência, da Prefeitura de Marechal Rondon, do Conselho Tutelar e da Congregação Luterana Alvorada. A realização é da entidade Alvorada Social e da Cruz Azul no Brasil.

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