Buscar um endereço na internet, acionar a opção rotas e, então, seguir as orientações para chegar ao destino desejado. Ou quase no destino, visto que em Marechal Cândido Rondon é comum que os endereços de plataformas e sites não coincidam exatamente ao local esperado, passando algumas moradias ou até mesmo quilômetros longe.
Uma das ações para solucionar este e outros problemas do georreferenciamento rondonense está em andamento desde abril de 2019. Trata-se do Projeto SIG Geo M. C. Rondon, uma iniciativa da prefeitura, por meio das secretarias de Coordenação e Planejamento, Fazenda e Administração, além da Procuradoria Jurídica.
“O projeto tem como base a regularização do cadastro técnico multifinalitário do município, com a regulamentação da área territorial do perímetro urbano, tanto da sede quanto dos distritos”, resume o coordenador do projeto, desenhista Vilson Carlos Kickow.
A evolução dos trabalhos, conta ele, é observável nas ferramentas livres utilizadas. “No Mapillary (www.mapillary.com/app) estão sendo armazenadas as imagens das vias públicas capturadas por câmera 360º, adquirida pela municipalidade. Aos poucos também está sendo corrigido o cadastro de ruas na plataforma do OpenStreetMap (www.openstreetmap.org)”, detalha.
Conforme o secretário municipal de Coordenação e Planejamento, Reinar Seyboth, o Projeto Geo é desenvolvido com recursos próprios da administração pública. “Foram adquiridos alguns equipamentos e softwares para desenvolver esse banco de dados, interligar isso ao sistema web e, assim, facilitar o acesso à cidade. Consequentemente, Marechal Rondon amplia a sua capacidade de georreferenciamento para ter um raio X dos imóveis no município”, menciona.

Secretário de Coordenação e Planejamento, Reinar Seyboth: “Foram adquiridos alguns equipamentos e softwares para desenvolver esse banco de dados e interligar isso ao sistema web. Consequentemente, Marechal Rondon amplia a sua capacidade de georreferenciamento para ter um raio X dos imóveis no município” (Foto: Arquivo/OP)
EVOLUÇÃO CONSTANTE
O cadastro técnico multifinalitário é definido pelo coordenador do Projeto Geo como o inventário territorial sistemático de um município, baseando-se no levantamento dos limites de cada parcela/lote, que, atualmente, segundo ele, recebe uma identificação numérica inequívoca, sendo uma diretriz proposta pelo Ministério das Cidades, na portaria 511/2009, que deve ser regularizado. “Este cadastro sempre será atualizado, ou seja, será um processo em constante evolução devido aos novos levantamentos, novas áreas territoriais que serão urbanizadas ou, então, até mesmo a atualização das áreas que já foram mapeadas”, expõe.
Mesmo se tratando de um trabalho contínuo, há perspectiva de conclusão parcial. “No que diz respeito à regularização da numeração e das fotos, acreditamos ser possível finalizar até o fim do ano. Porém, dependemos de diversos fatores, por exemplo, as condições climáticas, que podem fazer atrasar ou adiantar o projeto”, pontua o coordenador de T.I. do projeto, técnico de informática João Paulo Polles.
VANTAGENS
De acordo com o coordenador do projeto, a área de aplicação do projeto é ampla e gera vantagens tanto para munícipes como para a prefeitura. “Possibilita maior facilidade no atendimento dos serviços de emergência na área rural, onde haverá a possibilidade de um cadastramento para localização facilitada para o serviço”, salienta, referindo-se aos problemas encontrados na localização de residências no interior. “Além disso, outra vantagem é a correção da numeração em aplicativos de GPS na sede e distritos, porque é um problema comum em nossa cidade”, exemplifica.
Um exemplo da utilização dessa ferramenta foi no Parque Industrial II, próximo ao portal. “Foi feito o levantamento através das fotos em 360º antes da elaboração do projeto de melhoria nas vias”, conta Kickow.
TECNOLOGIA
No projeto são empregadas tecnologias abertas e/ou gratuitas para regularização das informações. “OpenStreetMap é o serviço de mapas utilizado e o Mapillary é a plataforma de armazenamento e fornecimento das fotos 360º das ruas. O OsmAnd, por sua vez, é um aplicativo de GPS que integra as informações que constam nas outras duas plataformas para navegação. Além dessas, outras tecnologias são utilizadas, mas não estão diretamente visíveis ao público. Vale constar que houve a aquisição de um servidor para o projeto e este já está sendo utilizado para os trabalhos”, informa Polles.
Ao contrário da plataforma de mapas ofertada pelo Google, mas cumprindo a mesma função, o OpenStreetMap é gratuito em todas as suas funcionalidades. “Indicamos ela como uma alternativa oficial do município. Inclusive, o OpenStreetMap é utilizado em intervenções humanitárias como, por exemplo, na tragédia de Brumadinho, em que voluntários de um dia para o outro atualizaram a região afetada na plataforma”, ressalta o coordenador de T.I. do projeto.

Fotos 360º de Marechal Rondon estão disponíveis no site/aplicativo Mapillary, uma plataforma aberta e gratuita (Foto: O Presente)
TRABALHOS
Os trabalhos do projeto funcionam da seguinte maneira: “São efetuadas consultas ao acervo e à base de dados da prefeitura. Com isso, alimenta-se o OpenStreetMap para ter uma base de vias e endereços corretos que podem ser utilizados em outras plataformas. As imagens em 360º são publicadas no Mapillary para serem utilizadas em conjunto com o OpenStreetMap em futuras intervenções urbanísticas”, explica o coordenador do projeto.
Polles comenta que a prefeitura tem uma versão privativa dos mapas para seus trabalhos. “Subimos um servidor de mapas privativo para a municipalidade utilizar internamente em seus projetos”, menciona, acrescentado o porquê dessa versão própria: “Fazemos isso porque a plataforma é aberta e pode ser incrementada pelos usuários. Se a pessoa quiser atualizar uma informação, ela pode fazer, não tem problema. Contudo, estamos constantemente monitorando as modificações para ver se coincidem com a realidade”.
DIFUSÃO DA IDEIA
Além de Kickow e Polles, a equipe do Projeto Geo é constituída por Alcione Isac Farsen, assistente administrativo, e Elizandra Marlise Lamb, analista técnico. Na última quinta-feira (09), os integrantes do projeto participaram do webinar “OpenStreetMap: evolução recente e aplicações para Cidades e Segurança Pública”. De acordo com o coordenador, essas oportunidades são muito importantes. “Nós difundimos os mapas colaborativos, uma iniciativa de pessoas e organizações que percebem esse tipo de informação como algo que não deveria ser cobrado pelo uso. Um exemplo é o próprio OpenStreetMap, gerido pela fundação de mesmo nome e por nós utilizado. Além disso, serve para incentivar outros municípios de porte parecido ou menores que Marechal a terem também uma base de endereços atualizada que seja de fácil acesso às pessoas de fora da localidade”, considera Kickow.
Na microrregião, Marechal Rondon é possivelmente o único município com uma organização em prol da atualização desses dados. “Em outros municípios essa atualização acontece de maneira voluntária, onde voluntários incrementam os mapas”, observa Polles.

Equipe do projeto Geo que recentemente participou do 7º Congresso Paranaense de Cidades Digitais, ocasião em que foi premiado como “Projeto Inovador 2019”: Alcione Farsen (assistente administrativo), Elizandra Lamb (analista técnica), Vilson Kickow (desenhista e coordenador) e João Paulo Polles (técnico de informática) (Foto: Divulgação)
CEP POR RUA
Outra demanda no quesito georreferenciamento em Marechal Rondon é a regularização do CEP por ruas, diferente do que se tem hoje: um único código para todo o município. Ainda em 2017, os Correios se manifestaram favoráveis à essa atualização, mas o projeto ainda não vingou.
Conforme Seyboth, o andamento desse trabalho depende de ações municipais. “O município precisa fazer a individualização, através da própria lei, dos bairros existentes em Marechal Rondon. Hoje, pela nossa lei, nós temos basicamente o bairro centro. Os demais bairros, a exemplo do Ana Paula, São Francisco, Marechal, Augusto e Botafogo, apenas recebem nomenclaturas como uma maneira de divisão popular do quadro urbano, mas não existe uma lei que regulamente exclusivamente a criação destes”, expõe, emendando: “Esse é justamente um dos trabalhos previstos no Plano Diretor. A partir da aprovação dele, vamos ter condições de individualizar as áreas urbanizadas em bairros e, posteriormente, os Correios poderão complementar seu trabalho e criar novos CEPs”.
Atualmente, a revisão do Plano Diretor rondonense tramita na Câmara de Vereadores.
O Presente