“Vão ter dó dele, a dó que eles não tiveram da Edna (Storari)? Enterraram ela num lugar horrível, com ossada de boi e de porco. Contrataram um cara pagando de R$ 3 a R$ 5 mil, (para enterrá-la) perto da Fazendinha da Unioeste, com ajuda de quem? A gente sabe mais ou menos, mas com paciência consegue-se tudo. Tenham paciência, hoje é a primeira pá de cal, hoje vocês vão dormir um pouco melhor, vocês vão ter o direito, tenho certeza, de ainda enterrar sua mãe com dignidade, com toda a honra que ela merece”.
Após proferir este discurso, dirigido aos jurados e às filhas da empresária Edna Storari, por ocasião do júri popular que está acontecendo no Fórum de Marechal Cândido Rondon, o promotor Caio Di Rienzo aproveitou para fazer uma sugestão às lideranças rondonenses.
“Espero que a nossa cidade, finalmente, tenha uma casa de abrigo para mulheres vítimas de violência. A gente faz, minha equipe faz, muitas medidas protetivas de urgência. Todo dia há mulher apanhando ou sofrendo formas de violência psicológica, institucional, física e, muitas vezes, elas não saem de casa porque são vulneráveis economicamente”, destacou.
“Faço uma sugestão ao prefeito Marcio Rauber, à secretária (de Assistência Social, Josiane Rauber) e aos vereadores: temos um nome para essa casa abrigo que vamos ter no município. Ela não nasceu aqui, mas morava aqui e está enterrada aqui, enterrada não, desovada, olha o termo, mas ela está aqui ocultada e um dia ela vai aparecer e quem sabe pode emprestar seu nome – Edna Storari – para essa casa de acolhimento, uma casa de abrigo para as mulheres vítima de violência”, evidenciou o promotor.

Casa abrigo
A Prefeitura de Marechal Rondon, por meio da Secretaria de Assistência Social, vem trabalhando na organização de um espaço denominado de casa abrigo para atender a mulheres vítimas de violência. O espaço já foi locado e recebeu grande parte do mobiliário. Agora, está sendo preparada a estrutura humana para atuar na unidade.
A casa terá o objetivo de proteção física e emocional à mulher e seus dependentes, articulação com a rede de serviços da assistência social, como Ministério Público, Núcleo Maria da Penha (Numape), Conselho Municipal da Mulher Rondonense (Commur) e Delegacia da Mulher, e superação da situação de violência vivida por meio do resgate da autonomia dessas mulheres e a inclusão produtiva no mercado de trabalho.
A casa abrigo tem característica de domicílio e sua localização é sigilosa. O acesso ao acolhimento será realizado por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
Júri popular
O júri popular do caso Edna Storari está acontecendo desde hoje pela manhã no Fórum de Marechal Rondon. Estão sendo julgados os réus Luis Rissato, Amábile Rissato, Guilherme Henrique Rissato e Luan Rafael Ferreira de Lima.
O júri é presidido pelo juiz Dionisio Lobchenko Jr. e conta com a atuação do promotor Caio Marcelo Santana Di Rienzo na acusação, assistido pelo doutor Luiz Carlos Trodorfe. A defesa dos réus está a cargo dos advogados Sérgio Antônio Mendes de Oliveira, Silvia Garcia da Silva e Antonio Marcos de Aguiar.
O Presente