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Marechal Demarcações polêmicas

Quantidade de vagas de estacionamento demarcadas chama atenção em Marechal Rondon

(Foto: Sandro Mesquista/OP)

Encontrar um lugar para estacionar no centro de Marechal Cândido Rondon em horário comercial nem sempre é fácil, e nas horas de pico a tarefa se torna ainda mais complicada.

Diante da dificuldade, não raro rondonenses questionam algumas práticas adotadas especialmente na área do centro comercial, como as vagas demarcadas para carga e descarga, que cresceram nos últimos tempos e estão cada vez mais notórias. Observa-se também a reserva de vagas com cones, caixas, cavaletes ou outros objetos.

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Além de prejudicar o fluxo no trânsito rondonense, algumas dessas práticas são até ilegais e passíveis de autuações.

 

CARGA E DESCARGA

Dentro da legalidade, cabe à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana demarcar as vagas de carga e descarga quando requeridas pelos comerciantes. “A zona central de tráfego estabelece horário para entrada e saída de veículos que fazem o transbordo de cargas. Cada vaga possui uma placa com a informação, sendo a maioria delas das 07 às 09 horas e das 17 às 20 horas. Fora do horário estipulado na placa, o estacionamento normal é permitido, porém se o particular estacionar nos horários restritos para carga e descarga pode ser autuado”, destaca o responsável pela pasta, coronel Welyngton Alves da Rosa.

Segundo ele, à prefeitura cabe sinalizar e organizar o trânsito. “A fiscalização e autuações ficam a cargo da Polícia Militar (PM), que faz parte do Coetran (Conselho Executivo de Trânsito) e está por dentro das ações da secretaria”, explica.

Por mais que exista um horário recomendado, o secretário municipal de Mobilidade Urbana reconhece que muitas empresas recebem produtos de outras cidades em horários além do estabelecido. “Sabemos que existe certa dificuldade, mas temos orientado quanto a isso. Caso a vaga de carga e descarga esteja ocupada, cabe o bom senso e o diálogo para resolver”, enaltece.

 

ANÁLISE DO QUARTEIRÃO

A demarcação de vagas de carga e descarga acontece por solicitação do empresário, conforme Welyngton, mas segue alguns critérios. “Observamos se há naquele quarteirão área de estacionamento para idoso, pessoa com deficiência, carga e descarga e de curta duração. No caso das vagas de carga e descarga, há o bom senso de que as vagas demarcadas serão usadas pelo quarteirão todo, não apenas pela empresa que solicitou”, menciona.

A preferência dos empresários, por vezes, é de carga e descarga em frente ao estabelecimento, entretanto, aponta o secretário, não é viável fazer a demarcação em frente a cada comércio. “O próprio comerciante é prejudicado, porque essa vaga, dependendo do horário, é de uso exclusivo para fins de carga e descarga, impossibilitando que clientes utilizem a área”, pontua.

Vagas de carga e descarga atendem a todo um quarteirão e são de uso restrito apenas no horário determinado na placa (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

QUANTIDADE DE ESTACIONAMENTO

Questionado se as vagas de carga e descarga existentes suprem a necessidade, Welyngton diz que não. “Poderia ter muito mais vagas de carga e descarga. Temos uma demanda reprimida de estacionamento. A frota de veículos aumentou quase 85% nos últimos anos em Marechal Rondon, sendo que existem aproximadamente 44 mil automóveis na cidade. A cidade cresceu na periferia, se espalhou, mas a área central não teve alteração, segue a mesma de 20, 30 anos atrás. Com isso, as vagas de estacionamento diminuíram proporcionalmente”, analisa.

Entre os oito tipos de vagas previstos pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o secretário informa que as mais utilizadas no município são as de idoso, pessoa com deficiência, curta duração, de ambulância e para veículos oficiais. “Cinco por cento das vagas são para idosos e 2% para pessoas portadoras de deficiência. Essas vagas por vezes são ‘casadas’ e colocadas em locais de movimento, o que facilita bastante para os usuários. A área demarcada é maior e fica próxima a guias rebaixadas que auxiliam na manobra, embarque e desembarque”, expõe.

 

5% das vagas de estacionamento são destinadas para idosos e 2% para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade comprometida, como gestantes (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

VAGAS OBLÍQUAS

Uma das alternativas vistas pela Secretaria de Mobilidade são as vagas de estacionamento oblíquo nas ruas que comportam tal distribuição. “A engenharia de tráfego analisa e nas ruas largas fazemos um lado de estacionamento oblíquo e outro paralelo, com recuo do centro da rua. As ruas Paraná, São Paulo e Mem de Sá são organizadas dessa maneira. A Rua Dom João VI, por sua vez, tem estacionamento oblíquo dos dois lados e supriu a grande demanda de vagas naquela área”, exemplifica.

Segundo ele, as vagas oblíquas aumentam o potencial de estacionamento das ruas. “A capacidade de vagas aumenta em 40%. A cada dez vagas aumentam quatro espaços”, mensura.

Vagas oblíquas aumentam em 40% a capacidade de estacionamento na cidade (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

VAGAS DE CURTA DURAÇÃO

Estratégia utilizada para aprimorar a rotação de veículos estacionados, as vagas de curta duração permitem que o veículo fique estacionado por 15 minutos. “Há quase 50 estacionamentos desse tipo no município perto de farmácias, por exemplo. Os munícipes frequentam os estabelecimentos comerciais por um curto período e tinham grande dificuldade em acessar os locais. Nas vagas de curta duração os piscas de alerta ficam ligados e o condutor pode permanecer ali por 15 minutos. A vaga tem pintura própria e uma placa sinalizando o tempo de permanência. Quem permanecer com o veículo estacionado por período superior ao permitido pode ser multado”, comenta.

 

Vagas de curta duração permitem estacionamento por 15 minutos (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

CONES MARCANDO VAGAS

Prática recorrente no centro de Marechal Rondon, a reserva de vagas com cones, caixas de papelão, cavaletes e outros empecilhos é proibida e gera transtornos, considera o secretário. “É uma situação irregular e pode ser denunciada à PM. Como previsto no CTB, qualquer tipo de obstáculo para reserva de vagas é irregular, podendo haver apreensão do material e multa para o responsável. Se a vaga está reservada irregularmente, qualquer um pode tirar o obstáculo e usar a vaga. Tivemos situações em que isso gerou até vias de fatos no município”, lamenta.

A diretora da Secretaria de Mobilidade Urbana, Adriane Kappes Vorpagel, observa que quando há necessidade de interdição existe uma maneira legal de requerê-la. “Para poda de árvores, eventos ou afins que precisem de interdição parcial ou completa de vias por certo período é possível conceder um termo. É preciso providenciar uma comunicação da interdição para a PM e vir na secretaria assinar o termo de responsabilidade”, explica.

Demarcar vagas com cones, caixas e outros obstáculos é proibido e irregular (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

REBAIXAMENTO DE MEIO-FIO

A construção de novos empreendimentos no centro rondonense trouxe um novo visual às ruas municipais: muitas guias são rebaixadas durante a construção para que o estacionamento aconteça na calçada. “As empresas já constroem recuadas no terreno para ter uma calçada larga, com estacionamento e sem atrapalhar o passeio do pedestre. Quando a frente toda é transformada em guia rebaixada, aquele estacionamento sobre a calçada torna-se público e todos podem usar, sem qualquer exclusividade daquele estabelecimento”, salienta Welyngton.

Pelo contrário, caso a empresa mantenha apenas uma guia rebaixada, com entrada, saída e sinalização, o estacionamento pode ser exclusivo para clientes. “Como a guia não foi toda rebaixada, as vagas podem ser somente para os frequentadores e cabe à empresa organizar vagas especiais e sinalizar o local”, enfatiza.

De acordo com o secretário, tanto o Plano Diretor vigente no município como as alterações que tramitam na Câmara de Vereadores não discutem essas questões. “Respeita-se o que consta na legislação e no CTB”, ressalta.

 

Secretário de Mobilidade Urbana, Welyngton Alves da Rosa: “Fora do horário estipulado na placa o estacionamento normal é permitido, porém se o particular estacionar nos horários restritos para carga e descarga pode ser autuado” (Foto: O Presente)

 

Diretora da Secretaria de Mobilidade Urbana, Adriane Kappes Vorpagel: “O que estiver fora dos oito tipos de vagas previstos no CTB é irregular” (Foto: O Presente)

 

CREDECIAIS PARA ESTACIONAMENTO PREFERENCIAL

A Secretaria de Mobilidade Urbana de Marechal Rondon, em convênio com o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), expede credenciais para estacionamento de idoso e pessoas portadoras de deficiência. “Não basta ter a idade necessária ou ter dificuldade de locomoção, é preciso ter a credencial para usar a vaga senão o usuário pode sofrer penalidade e multa. Nós, da secretaria, expedimos a carteirinha sem custo e sai na hora, precisando apenas de identidade, comprovante de residência e, no caso de portadores de deficiência, laudo médico. As credenciais valem em todo o território nacional e a de idoso não tem validade. A de portador de deficiência vale por dois anos, visto que algumas necessidades são transitórias”, explica Adriane.

Ela destaca ainda que gestantes também podem usar as vagas para portadores de deficiência. “A validade é de dois anos a partir do início da gestação, basta possuir a credencial que pode ser feita na secretaria ou no Detran”, menciona a diretora.

 

O Presente

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