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Marechal

“Querem a cabeça do prefeito de todo e qualquer jeito”, declara Marcio Rauber

calendar_month 1 de julho de 2019
7 min de leitura

 

Desde que o cenário político de Marechal Cândido Rondon ganhou novos capítulos e reviravoltas, como a prisão de um vereador, afastamento do mandato de outro por decisão judicial, instalação de três comissões processantes e duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores, o prefeito Marcio Rauber (DEM) tem optado pelo silêncio quando o assunto é política.

No entanto, ontem (27) ele quebrou o silêncio e concedeu entrevista exclusiva ao Jornal O Presente, ocasião em que fez uma análise do período conturbado no município e adiantou que deve deixar para julho as mudanças no secretariado. Rauber também afirmou que assim que assumiu a prefeitura, em 1º de janeiro de 2017, há vereadores que estão trabalhando para cassar o seu mandato. “Infelizmente há interesses maiores por trás”, declarou. Confira.

 

O Presente (OP): Desde a eleição da mesa diretiva da Câmara, em dezembro, o cenário político rondonense vive um período turbulento com troca de acusações, aberturas de CPIs e comissões processantes. Enquanto prefeito, como o senhor tem avaliado este momento?

Marcio Rauber (MR): Péssimo para a imagem do município, mas infelizmente cada um precisa responder por suas ações. O real motivo é outro e as pessoas muito em breve vão saber o que algumas pessoas que têm cargo político e algumas que estão por trás querem com isso. É muito triste, mas é a realidade em que a política de Marechal Cândido Rondon se encontra.

 

OP: O senhor sente que há intenção da Câmara de Vereadores em cassar o seu mandato?

MR: Absolutamente. Esse desejo era de alguns desde o primeiro dia que assumi a prefeitura. É triste, porque em dois anos e meio de governo fizemos muito mais, e em todas as áreas, que eles fizeram em oito anos. Eles não conseguem entender e sofrem com isso. Querem a cabeça do prefeito de todo e qualquer jeito, mentindo, fazendo manobras inescrupulosas, ajeitando prazos dentro de Comissão de Ética e dentro de CPI, de acordo com seus interesses. A população muito em breve vai saber exatamente o que algumas pessoas estão fazendo.

 

OP: Há motivos para cassação?

MR: Absolutamente nenhum. Nenhum motivo. Aqui trabalhamos de forma séria, diferentemente do que faziam no passado. Nós rogamos pela legalidade, é isso que fizemos. Infelizmente há interesses maiores por trás, mas volto a dizer que a população muito em breve vai ficar sabendo.

 

OP: Esse momento político, especialmente na Câmara de Vereadores, interfere de alguma forma no andamento das ações no governo municipal?

MR: A questão política é uma e a gestão é outra. Estamos fazendo aquilo que tem que ser feito para o município de Marechal Cândido Rondon, aquilo que nos propusemos a fazer e vamos fazer. Esse é o compromisso que assumi e estamos fazendo. É só as pessoas andarem por todos os lados do município que vão ver aquilo que estamos executando. Essa semana, por exemplo, iniciamos a entrega de agasalhos escolares, o que é inédito. Isso dói para quem esteve aqui por oito anos, pôde fazer e não fez. Recentemente, completamos dois anos de realização de partos no Hospital Municipal. Dói para quem esteve aqui durante oito anos e não conseguiu sequer constituir um CNPJ para um hospital, quem dirá fazer partos. Ver asfalto por todos os lados da cidade, dói muito para quem esteve oito anos aqui e não fez um loteamento sequer, sendo que nós já fizemos inúmeros. Estradas rurais com asfalto a mesma coisa. Então esse é o real motivo por qual querem a cabeça do prefeito, porque tiveram a oportunidade de fazer e não fizeram, e não suportam ver quem está fazendo.

 

OP: Havia uma expectativa de que o senhor anunciasse na semana passada algumas mudanças na equipe de governo, o que não ocorreu. Ainda pretende mexer no secretariado?

MR: Eu vou analisar com um pouco mais de tempo e um pouco mais de cuidado e, muito em breve, vamos anunciar as mudanças. Neste momento não posso afirmar em quais secretarias, mas as mudanças irão acontecer e muito provavelmente no mês de julho.

 

OP: O senhor havia declarado na campanha que não chamaria nenhum vereador para compor a equipe de governo. No entanto, na última semana houve um convite para o vereador Adriano Backes (DEM) ser secretário de Agricultura e Política Ambiental. Por que mudou de entendimento?

MR: Estou há dois anos e meio no governo e tenho apenas mais um ano e meio de mandato. Não posso nessa altura da gestão colocar alguém que não tenha experiência. O vereador Adriano é funcionário de carreira do município, há cerca de 13 anos, foi assessor direto de um ex-secretário, conhece muito bem o interior do município. Por isso nós o convidamos para ajudar Marechal Cândido Rondon. Ele tomou a decisão dele, que precisa ser respeitada, mas esse foi o motivo. Agora o prefeito dizer que não vai chamar e voltar atrás para o bem do município, não vejo nenhum problema. Se tivesse que fazer, o faria, porque preciso pensar no município e não em mim.

 

OP: Em dezembro, quatro vereadores da sua base na Câmara formaram um novo grupo para a eleição da mesa diretiva. Destes, com qual o senhor mais se decepcionou?

MR: Não há de se falar em decepção. São escolhas. Na vida todos fazem escolhas todos os dias. Eles fizeram a escolha deles e nós precisamos entender e respeitar. O futuro vai mostrar se a escolha deles foram boas ou não.

 

OP: O senhor acha que há alguma possibilidade de reaproximação?

MR: Eles sentavam do meu lado e se afastaram.

 

OP: Alguns vereadores entendem que talvez faltou em determinado momento diálogo, que ocasionou posteriormente no rompimento com parlamentares que faziam parte do seu grupo. O senhor concorda?

MR: Nunca deixei de dialogar. Sempre que me procuraram aqui e dentro das minhas possibilidades e agenda, foram atendidos, conversamos e nunca deixei de dialogar com eles. Especificamente ao que diz respeito à eleição da Câmara, também. Já disse isso: tínhamos um entendimento de decidir entre nove vereadores que faziam parte da base. Alguns resolveram decidir de forma diferente.

 

OP: Quase sete meses depois da eleição da mesa da Câmara, como o senhor analisa a relação entre o Poder Executivo e Poder Legislativo?

MR: Eu vejo como um relacionamento normal. Eu faço meu papel aqui e eles devem fazer o papel deles lá, muito embora cometem equívocos, infelizmente. Inclusive um determinado projeto de lei enviei para a Câmara para corrigir uma bobagem que a gestão passada fez e eles desaprovaram. Isso pode trazer consequências negativas para o município, mas disso eles precisam ter consciência e precisam saber o que estão fazendo lá. A relação é normal, como existem em todos os municípios. São poderes independentes. O prefeito não tem que interferir no Poder Legislativo e eu não interfiro. As decisões lá tomadas ou eu aceito ou eu não aceito. Por exemplo: eu já vetei um projeto aprovado por unanimidade, porque na minha interpretação a Câmara estava equivocada, sendo que os vereadores da minha base votaram no projeto, e eu o vetei. Então eu não interfiro. Levo a sério e respeito, pois são poderes independentes.

 

OP: O vereador Adriano Backes declarou ao Jornal O Presente, em entrevista concedida nesta semana, que tem sentimento de que está sobrando no Democratas, cujo partido o senhor preside no município. O Democratas está deixando de lado os vereadores dissidentes?

MR: Ele se afastou. O Democratas está no mesmo lugar, quem não está é ele. Este é um sentimento dele e que ele precisa analisar. Se ele acha que está sobrando tem que sair do Democratas. Ele que procure outra sigla partidária, mas o Democratas não fez nada para afastá-lo de perto do partido. Ele que estava sentado do lado do prefeito e saiu de perto.

 

OP: Quando o vereador Adelar Neumann (DEM) foi preso, em fevereiro, o vereador Vanderlei Sauer (DEM) defendeu a expulsão dele do partido. Como está este processo?

MR: Éramos comissão provisória e recentemente foi constituído o diretório municipal. Dentro do que diz o nosso estatuto, as providências serão tomadas.

 

OP: Estamos a quase um ano do período para a realização das convenções que escolherão os candidatos para a eleição de 2020. O senhor já decidiu se pretende eventualmente disputar a reeleição?

MR: Sou pré-candidato a prefeito de Marechal Cândido Rondon.

 

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