Marechal Diretor do Hospital Rondon

“Queremos deixar nossa marca no lugar onde estamos há 60 anos crescendo e dando frutos”, diz Eduardo Seyboth

Anestesista Eduardo Seyboth: “Queremos dar continuidade a esse crescimento, em termos de número de vidas e de melhorias na qualidade dos serviços prestados à população de Rondon e região. Prestamos um bom trabalho, mas sempre há situações que podem ser preenchidas, e estamos trabalhando para chegar lá” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

Em uma família com muitos médicos, ele poderia ser só mais um, mas, não! Está fazendo a diferença. Jovem e cheio de vontade de trabalhar, o anestesista Eduardo Seyboth tem mostrado a que veio desde que retornou a Marechal Cândido Rondon, em 2014, após concluir o curso de Medicina na PUCPR (2010) e a residência médica no Hospital Cajuru (2011-2013) e passar a integrar o corpo clínico do Grupo Sempre Vida.

Da terceira geração da família Seyboth, precursora na área da saúde do município, ele tem contribuído significativamente para melhorar cada vez mais a qualidade dos serviços prestados no Hospital Rondon.

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Diretor-técnico interino da referida instituição hospitalar, Eduardo contou ao O Presente sobre sua inspiração ao seguir a carreira do avô Friedrich Rupprecht Seyboth e do pai Dietrich Rupprecht Seyboth (Hipi), bem como da sua paixão pela anestesiologia. Falou, ainda, da experiência de trabalhar com o pai e do sentimento de atuar em um hospital que é da sua família. “A união da juventude, por eu ser um médico novo, trazendo novas tecnologias que conseguimos implementar no hospital, com a experiência e a prática clínica dele, foi muito bacana”, define.

O anestesista também fez uma avaliação do atual sistema de saúde de Marechal Rondon, tanto o particular quanto o público, opinou sobre o avanço no número de casos de Covid-19 na região e revelou um dos próximos passos do Grupo Sempre Vida: avançar no atendimento de alta complexidade. Confira.

 

O Presente (OP): Sua família é pioneira na Medicina em Marechal Rondon. Fundou o Hospital Filadélfia (hoje desativado) e, posteriormente, adquiriu o Hospital Rondon, hoje um centro de referência de atendimento e especialidades médicas. Você pertence à terceira geração de médicos da família que prestam atendimento para moradores de Marechal Rondon e região. Isso te traz satisfação?

Eduardo Seyboth (ES): É uma história muito legal, que vem desde 1953, quando meu avô pisou aqui, junto com o pessoal da colonização, para criar o primeiro hospital e ser o primeiro médico da região. No decorrer disso, houve toda uma formatação da saúde, criação do plano de saúde e muitas outras iniciativas e frentes de trabalho. Queremos dar continuidade a esse crescimento, em termos de número de vidas e de melhorias na qualidade do serviço prestado à população de Rondon e região. Prestamos um bom trabalho, mas sempre há situações que podem ser preenchidas, e estamos trabalhando para chegar lá.

 

OP: Seu avô foi médico e seu pai é médico. Você escolheu ser médico inspirado neles?

ES: O pai da minha mãe é médico, o pai do meu pai é médico e meu pai também é médico. No entanto, na minha família nunca houve nenhum tipo de pressão para a gente escolher cursar Medicina. Essa escolha, para mim, se deu na época do terceirão, do cursinho para vestibular e por uma série de fatores que acabaram sendo convenientes. Claro que passando a vida inteira vendo meu pai trabalhar o quanto trabalhou, se dedicando o tanto que se dedicou à Medicina e à área da saúde, acredito que tenha um pingo de influência nisso tudo.

 

OP: Esse pingo de influência também respingou na anestesiologia, já que seu pai é anestesista e você seguiu o caminho dele?

ES: Durante a graduação, eu brincava com ele que não acreditava que ele tinha feito Medicina para ser anestesista, mas o tempo foi passando, fui conhecendo mais a fundo e percebi que é uma especialidade maravilhosa. A gente consegue abranger dentro dela uma série de conceitos da Medicina que estão dispersos em várias áreas. Por exemplo, temos que ter conhecimento de clínica médica, clínica cirúrgica, terapia intensiva e medicina de urgência e emergência. Tudo isso torna a anestesiologia, ao contrário do que muita gente pensa, uma área extremamente complexa e extremamente bacana de trabalhar.

 

OP: Como é a experiência de pai e filho trabalhando no mesmo hospital?

ES: Muito legal. Pude conhecer um pouquinho das dores e dos amores que meu pai passou. Ele tem 60, 65 mil anestesias feitas aqui. É uma carga de experiência que levou uma vida inteira para adquirir. Eu, em pouco tempo trabalhando com ele, pude receber muito disso através de conversas. Então, a união da juventude, por eu ser um médico novo, trazendo novas tecnologias que conseguimos implementar no hospital, com a experiência e a prática clínica dele, foi muito bacana. Agora, nesses tempos de Covid, nos afastamos voluntariamente. Ele não está mais atendendo com a gente, mas está o tempo inteiro ligado nos grupos, discutindo casos e conversando.

 

OP: Qual o sentimento de atuar em um hospital que é da sua família?

ES: É muito legal, mas também muito difícil. Quando estamos tratando com problemas de saúde e, às vezes, doenças graves, por mais que a gente tente ser perfeito, pode acontecer de não atingir as expectativas do paciente ou do familiar ou de alguma circunstância que esse momento envolva. Aí a cobrança, que deveria ser meramente institucional, acaba passando para o lado pessoal, e fica difícil. Mas, aprendemos a lidar muito bem com isso. Tudo o que fazemos é buscando melhorar. Como tem raiz, queremos que essa raiz aumente. Não é um mero trabalho, fazer alguma coisa, colher frutos e ir embora. Queremos deixar nossa marca no lugar onde estamos há 60 anos crescendo e dando frutos.

 

Com dez anos de carreira, Eduardo Seyboth já tem cerca de dez mil anestesias feitas: “Meu pai sempre falava que existe vida fora da Medicina e eu concordo com isso. Ser médico é muito bom, eu adoro ser médico e talvez não conseguisse ser outra coisa, mas meus filhos terão toda a liberdade em escolher o que for melhor para eles” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

OP: Dos netos do seu avô Friedrich, que foi o primeiro médico de Marechal Rondon, quantos são médicos, além de você?

ES: Na nossa família, na família do meu pai, temos um anestesista, dois ortopedistas, um cirurgião oncológico e um médico generalista, então somos em cinco.

 

OP: Você que hoje é pai, já tem algum sentimento no sentido de torcer para que no futuro ao menos um de seus filhos siga na Medicina?

ES: Minha filosofia de criação dos meus filhos vai ser mais ou menos a mesma dos meus pais. Eu não vou pressioná-los a seguir, vou mostrar as dores e os amores; eles vão ver como funciona a minha vida. Se isso for suficiente para preencher o que eles esperam para a vida profissional deles, eu vou catalisar com a melhor forma possível, como eu recebi do meu pai todo o incentivo e todas as trocas de experiências. Agora, influenciar a ponto de traçar um caminho para eles isso eu não pretendo. Meu pai sempre falava que existe vida fora da Medicina e eu concordo com isso. Ser médico é muito bom, eu adoro ser médico e talvez não conseguisse ser outra coisa, mas meus filhos terão toda a liberdade em escolher o que for melhor para eles.

 

OP: O Grupo Sempre Vida hoje é administrado pela terceira geração da família Seyboth em Marechal Rondon?

ES: A minha irmã, Ana Carolina, é diretora executiva, responsável pela parte administrativa, por traçar planejamentos estratégicos de ações, e meu pai cuida da parte técnica no hospital e também da regulação do plano de saúde, além de questões envolvendo a operadora. Quando eu retornei a Marechal Rondon, fui assumindo um espaço mais da parte assistencial, unindo o que eu sei da minha prática em termos de legislações para tentar melhorar o serviço de assistência e os protocolos no Hospital Rondon. Sou o responsável pelo que chamamos de direção técnica.

 

OP: Como você avalia o atual sistema de saúde rondonense, tanto o particular quanto o público? Para uma cidade do porte de Marechal Rondon, o município está bem assistido?

ES: Rondon tem um porte que precisa avançar um pouquinho mais. Olhando para trás, principalmente na esfera pública, havia um serviço de saúde bastante desestruturado, mas isso ao longo do tempo vem melhorando. Hoje temos um serviço de saúde pública que consegue suprir uma série de demandas que há algum tempo não era possível, haja vista, por exemplo, o número de partos que foram feitos em três anos (desde que o município voltou a fazer partos via SUS). É uma conquista que muitas vezes a população não se dá conta, mas é sensacional. Foi conseguido a duras penas pela administração municipal, por meio da Secretaria de Saúde. Foi estruturado um serviço hospitalar que tem um processo para crescer e um norte tentando abranger especialidades. Não adianta olhar para um serviço público que estava completamente desassistido e dizer que Rondon deveria ter 20 leitos de UTI, não é assim que funciona. Primeiro tem que desenvolver as partes básicas para depois pensar em ter um sistema de alta complexidade. Isso está sendo feito gradualmente. Na nossa esfera, que é a saúde suplementar, ou seja, particular e dos convênios, viemos de uma crescente de desenvolvimento e melhorias. Conseguimos hoje fazer cirurgias, algumas até de alta complexidade, com muita segurança, com muita destreza e com profissionais extremamente qualificados. Temos um corpo clínico robusto que poucas cidades do nosso porte têm. Se você imaginar que numa cidade de 40, 50 mil habitantes vai encontrar num hospital um médico clínico, um pediatra 24 horas presente mais anestesia, radiologia, ortopedia, cardiologia, ginecologia obstetrícia e cirurgia geral à disposição para te atender em uma eventual necessidade, não é o comum. E a gente conseguiu desenvolver estrutura e processos para oferecer isso. Claro, estamos sempre olhando para melhorias. O próximo passo é aumentar o atendimento da alta complexidade. Vamos chegar lá.

 

OP: Como você vê o avanço dos casos da Covid-19 no Oeste e a realidade vivida hoje por Toledo e Cascavel, municípios bastante próximos de Rondon e que são hoje os com maior número de casos de coronavírus por número de habitantes no Paraná, tendo leitos de UTIs praticamente no nível máximo de capacidade de atendimento? A situação pode ficar crítica na região?

ES: Esse avanço nos casos é o medo de todo gestor. Ter um número de casos ativos maior do que se consegue tratar é um problema muito sério, porque infelizmente vai ficar gente sem tratamento. É uma situação inesperada. A gente tinha uma série de leitos prevista para uma série de situações definidas e, de repente, chega uma doença que faz quase dez milhões de casos no mundo em quatro meses. Isso desestrutura qualquer planejamento. É uma das ameaças que se tem quando se trata de saúde, endemias e pandemia. É importante estar todo mundo sincronizado e conseguir, de certa forma, organizar esses dados e ter acesso a eles da forma mais fidedigna possível. Nesse sentido, cabe à população também fazer sua parte, sempre cuidando e fazendo vigilância ativa, buscando atendimento e orientação quando sintomáticos e principalmente respeitando orientações e protocolos. Vejo que essa doença, em especial, tem começo, meio e fim. Em determinado momento teremos vacina, em determinado momento grande parte da população vai adquirir imunidade. Provavelmente teremos que conviver com o coronavírus pelo resto da vida, como convivemos com a gripe, com a H1N1, com viroses que a gente nem sabe o nome, às vezes. Todavia, neste momento, além do sistema de saúde, a Covid-19 trouxe uma crise generalizada, mexeu com todo o sistema econômico e depois que passar ainda estaremos catando os destroços que ela deixou. Vai mudar muita coisa, o sistema de saúde vai se adaptar de maneira diferente, com o desenvolvimento de novas tecnologias, acompanhamento de casos crônicos por telemedicina ou até atendimento de algumas doenças de pronto-socorro, por exemplo, de menor gravidade por telemedicina ou até o acompanhamento de pacientes crônicos e graves por gerenciamento remoto. Eu acredito que ela não vai perdurar perenemente, ela vai ter um pico como tem acontecido nos outros lugares do mundo.

 

OP: O Hospital Rondon tem tido muitos internamentos de pacientes com Covid-19?

ES: Até agora, não tivemos nenhum paciente com gravidade internado que positivou, não tratamos nenhum por um longo período na área específica para Covid. Já tivemos casos que passaram por lá e foram positivos, tudo isso foi notificado e tratado conforme orientado e preconizado pela Vigilância Epidemiológica, mas até o momento não tivemos nenhum caso grave, entubado ou de maior complexidade dentro do hospital.

 

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O Presente

 

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